Os produtores de cana-de-açúcar vinculados à Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo (Canaoeste), com o suporte do programa Sustentabilidade Econômica, Meio Ambiente, Eficiência e Inteligência Agronômica (Semeia), renovaram a certificação Bonsucro. Agora, a associação soma 22 mil hectares certificados e uma produção de 1,5 milhão de toneladas de cana.
A certificação Bonsucro atesta a adoção de práticas agrícolas responsáveis, garantindo maior eficiência e respeito aos critérios ambientais e sociais. Segundo o presidente da Canaoeste, Fernando dos Reis Filho, a conquista fortalece a imagem do setor e amplia as oportunidades de mercado.
“A certificação assegura um padrão de sustentabilidade que, além de melhorar a reputação do setor, permite atingir metas de compras sustentáveis e estabelecer parcerias estratégicas para a solução conjunta de desafios ambientais e sociais”, elucida.
De acordo com ele, o Semeia tem sido um aliado nesse processo, oferecendo assistência técnica, capacitação e suporte na implementação de boas práticas agrícolas. “O Semeia atua como um facilitador, traduzindo requisitos complexos em ações práticas. Esse resultado reflete um esforço coletivo dos produtores”, afirma o gestor executivo da Canaoeste, Almir Torcato.
Já o gestor operacional de sustentabilidade da Canaoeste, Fábio de Camargo Soldera, ressalta o impacto positivo da certificação para os produtores.
“A expansão do programa Semeia trouxe mais produtores para essa jornada. Esse reconhecimento internacional valoriza o trabalho dos nossos associados e amplia oportunidades no mercado, provando que é possível conciliar produtividade, sustentabilidade e responsabilidade social no setor sucroenergético”, aponta.
A obtenção da certificação exigiu um rigoroso processo de auditoria, garantindo a conformidade com altos padrões ambientais e sociais. O analista de sustentabilidade da Canaoeste, André Pavan Réa, enfatiza o empenho dos produtores.
“Foi desafiador, mas, com muito esforço, conquistamos a recertificação. Nosso próximo objetivo é aprimorar os monitoramentos internos e os processos para garantir ainda mais excelência na próxima auditoria”, disse.
Os produtores beneficiados pelo programa reconhecem o suporte técnico da Canaoeste como um fator decisivo na obtenção da certificação. “A adequação foi um grande desafio, mas contamos com o suporte da Canaoeste através do Semeia, que foi essencial para essa conquista”, disse a administradora da Fazenda Pavão, Lia Junqueira Netto Teixeira.
Para a sócia da Fazenda Santa Júlia, Helena Zero Kamada, a certificação representa um investimento no futuro: “Prefiro estar entre os primeiros a aderir a essas mudanças de forma planejada e voluntária, em vez de ser forçada a agir às pressas quando isso se tornar uma obrigação”.
Já o agrônomo júnior da Fazenda Boa Vista, Bruno Rosolen Gilli, afirma que a certificação fortaleceu a empresa. “Isso contribuiu para a solidez da empresa e aumentou as oportunidades de repasses e cana colhida, impulsionando nosso crescimento no setor”, disse.
Segundo Rodrigo Vicente de Moraes Moraes, da Fazenda Macaúba, o processo de certificação reforçou ações já aplicadas. “Sempre trabalhei seguindo normas ambientais e sociais, mas a Bonsucro trouxe um novo nível de organização e reconhecimento”, observa.
Por sua vez, a engenheira agrônoma da Fazenda São João, Juliana Pissolati Sakomura, aponta para as oportunidades futuras. “Ainda não tivemos retorno financeiro com a Bonsucro, mas esperamos obter rentabilidade com a negociação de créditos”, afirma.
Já o administrador do Grupo Santa Rita, Roney Sakomura, relata que a certificação impulsionou melhorias na gestão das propriedades. “Fizemos ajustes importantes nas estruturas e incorporamos boas práticas, o que possibilitou decisões mais assertivas e uma gestão mais eficiente”, disse.
A Humus Agroterra também celebrou a renovação da certificação para sua Fazenda São Vicente, destacando-se por seu avanço no gerenciamento ambiental. “A certificação abriu portas para novos mercados e ajudou a fortalecer a nossa imagem sustentável. Contudo, ainda é cedo para avaliar o impacto nas vendas”, disse o gerente da propriedade, Felipe Junqueira Reis Marchezzi.
Por sua vez, a Fazenda Bom Destino obteve sua certificação no ano passado e acaba de renová-la em 2025. A diretora e sócia da propriedade, Lucila Meirelles, destaca os benefícios internos. “Sem dúvida, a certificação trouxe melhorias nos processos e reduziu custos. Embora ainda não tenhamos uma mensuração quantitativa, acredito que estamos muito mais competitivos e produtivos”, afirma.