Cana-de-açucar

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Produtividade desacelera na última década


Valor Econômico - Publicado: 08 Out 2013 - 11:13 | Atualizado: 30 Nov -0001 - 21:00
A despeito do extraordinário desempenho econômico do agronegócio, a produtividade das lavouras brasileiras cresceu em ritmo mais lento - ou mesmo caiu - na última década. A cana-de-açúcar, segunda cultura com maior peso no valor da produção agrícola do país, vive uma situação dramática do ponto de vista da produtividade, que efetivamente caiu nos últimos anos. Em 2004, os canaviais do Centro-Sul renderam, em média, 86,5 toneladas de cana por hectare, segundo dados da indústria. Dez anos depois, em 2013, essas áreas devem resultar na colheita de 83,7 toneladas por hectare - uma queda de 3,23%.

"Foi praticamente uma década perdida. Houve uma enorme dificuldade em canalizar os recursos globais das grandes companhias de tecnologia agrícola, como Monsanto, Basf, Syngenta, para a cana-de-açúcar", William Burnquist, diretor de Melhoramento Genético do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC).

Com uma área global de 20 milhões de hectares, a cana-de-açúcar é um mercado ainda pequeno em relação a culturas como a soja, que hoje ocupa mais de 100 milhões de hectares em todo o mundo.

De acordo com dados do Ministério da Agricultura, nos últimos 10 anos, foram registradas apenas 77 novas variedades de cana no mercado, ante 1.576 de milho e 743 de soja. Menos até que culturas economicamente menos relevantes como o trigo, com 114 novas variedades, e algodão, com 84.

De fato, o desenvolvimento de novas variedades para cana é mais complexo (a cana tem 120 cromossomos, enquanto o milho apenas 20). E quando é desenvolvida, a cultivar precisa ser testada por pelo menos cinco anos para provar seu desempenho ao longo de todo o seu ciclo - uma desvantagem considerável em relação às culturas anuais.

Mesmo quando demonstram seu potencial nos campos de teste, as novas variedades de cana podem demorar vários anos para ocupar seu espaço no mercado. Isso porque a produção de mudas é mais lenta, observa Burnquist. "Enquanto um hectare de mudas de cana resulta em cinco a seis hectares de plantio comercial, um hectare de semente de milho é suficiente para cultivar até 200 hectares", compara.

Além disso, a taxa de renovação dos canaviais é de apenas 15%, o que impõe um limite natural à introdução de novas plantas. "No milho, o potencial de renovação é de 100% ao ano", afirma Burnquist.

Outro agravante é que a área plantada com cana-de-açúcar cresceu mais de 50% na última década. Burnquist explica que a expansão geralmente ocorre das áreas mais produtivas para as de menor potencial. "Manter a produtividade com crescimento de área é um esforço grande".

Fabiana Batista e Gerson Freitas Jr.
Trecho extraído do texto "Produtividade desacelera na última década".