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Produção de milho no Centro-Oeste pode compensar parte das perdas em outras regiões

Estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento é que 71% dos grãos de milho produzidos na próxima safra vão sair das lavouras do Centro-Oeste


Jornal Nacional - Publicado: 27 Jan 2022 - 08:24
Produção de milho no Centro-Oeste pode compensar parte das perdas em outras regiões

Logo após a colheita da soja, plantadeiras iniciam o cultivo do milho

A falta de chuvas está prejudicando violentamente a safra de milho no Sul do Brasil. Mas, no coração do país, a situação é outra, com sol e chuva na medida certa e na hora exata. Esta combinação tem trazido otimismo para os produtores rurais no Centro-Oeste.

Com a estimativa de uma colheita de mais de 140 milhões de toneladas de soja, o país deve se manter como o maior produtor mundial do grão. “Nós conseguimos realizar o plantio na época correta. Acho que esse é o grande benefício que nós temos esse ano”, comemora o presidente da Associação de Produtores de Soja de Goiás (Aprosoja-GO), Joel Ragagnin.

Em várias fazendas, as máquinas estão colhendo a soja e, no mesmo instante, as plantadeiras vão semeando o milho da segunda safra. “A gente colhe a soja e já entra com o milho. Não pode perder tempo, aproveitar a umidade para o milho nascer, pegar uma boa safrinha”, conta o produtor rural Carlos Roberto Marques Júnior.

No ano passado o também produtor rural Hélio Gomes Júnior plantou 350 hectares de milho safrinha. Desta vez – animado com o clima e com o preço da saca – serão mil hectares.

“No Centro-Oeste, principalmente, nós só temos que agradecer mesmo. Tanto na safra de soja, que teve chuvas muito bem distribuídas, quanto para a safrinha, que está mostrando que a previsão de chuva está boa comparada com outros anos. Então, vai ser uma safrinha cheia também, como a safra está sendo”, destaca Hélio Gomes Júnior.

Enquanto em várias regiões do país faltou chuva ou choveu em excesso, no Centro-Oeste o clima está favorável para o plantio do milho safrinha. A estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é que 71% dos grãos de milho produzidos na próxima safra vão sair das lavouras daqui.

A projeção da Conab é de uma colheita nacional de mais de 86 milhões de toneladas de milho, um crescimento de 42% em relação ao ano passado, sendo que os agricultores de Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul devem produzir juntos 61 milhões de toneladas do grão, o que pode compensar parte das perdas das outras regiões do país que enfrentam problemas climáticos.

“A dificuldade esse ano é o custo do plantio. Adubo subiu muito, fertilizante subiu muito e químico também, praticamente triplicou. Por isso que nós temos que tentar produzir bastante para conseguir uma rentabilidade satisfatória”, afirma o produtor rural Álvaro César Tonet.

Quem acompanha o agronegócio avalia que a superprodução de milho e também a de soja – principais ingredientes usados na ração animal –, pode ajudar a segurar os preços dos alimentos no supermercado.

“No momento que a gente tem uma oferta boa de milho, a gente consegue dar uma certa estabilidade para o custo de produção desses produtores de ração animal, que vai ser a ave, o suíno, o bovino. Com tudo isso aí, a gente consegue estabilizar uma melhoria na oferta desses produtos”, explica o coordenador do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag), Leonardo Machado.