Volume é considerado expressivo pela consultoria, uma vez que poucas novas usinas foram anunciadas
O cumprimento das metas de descarbonização pelas distribuidoras no programa RenovaBio também poderá ser desafiador do ponto de vista da produção de etanol, especialmente a partir de 2026. Pelo menos é o que aponta a projeção da FG/A apresentada em evento on-line promovido pela empresa no último dia 20.
A consultoria estimou o quanto a produção do biocombustível precisa crescer nos próximos anos para dar conta dos objetivos delimitados pelo programa, já considerando o crescimento do etanol de milho e do biodiesel.
O sócio da FG/A Willian Hernandes considera que a meta não deve subir muito até 2024 em comparação com a atual, sendo um período relativamente tranquilo para o seu cumprimento. “Tem um estoque anterior para atender”, considera.
Em 2021, as distribuidoras precisam comprar 25,22 milhões de créditos de descarbonização (CBios), já considerando pendências do ano passado. Segundo a FG/A, a produção de etanol deve atingir 27,9 bilhões de litros no mesmo período.
Porém o cenário começa mudar a partir de 2025. “Parece distante, mas lembramos que, para construir uma unidade, são necessários no mínimo três anos e não vemos aumento de capacidade até 2024 de maneira a expandir a produção local de forma significativa, dado que não tem nenhuma usina sendo lançada”, detalha Hernandes.
Confira, na versão completa, disponível apenas para assinantes, as projeções da produção de etanol até 2030 e os desafios do cumprimento das metas em cinco anos.
O cumprimento das metas de descarbonização pelas distribuidoras no programa RenovaBio também poderá ser desafiador do ponto de vista da produção de etanol, especialmente a partir de 2026. Pelo menos é o que aponta a projeção da FG/A apresentada em evento on-line promovido pela empresa no último dia 20.
A consultoria estimou o quanto a produção do biocombustível precisa crescer nos próximos anos para dar conta dos objetivos delimitados pelo programa, já considerando o crescimento do etanol de milho e do biodiesel.
O sócio da FG/A Willian Hernandes considera que a meta não deve subir muito até 2024 em comparação com a atual, sendo um período relativamente tranquilo para o seu cumprimento. “Tem um estoque anterior para atender”, considera.
Em 2021, as distribuidoras precisam comprar 25,22 milhões de créditos de descarbonização (CBios), já considerando pendências do ano passado. Segundo a FG/A, a produção de etanol deve atingir 27,9 bilhões de litros no mesmo período.
Porém o cenário começa mudar a partir de 2025. “Parece distante, mas lembramos que, para construir uma unidade, são necessários no mínimo três anos e não vemos aumento de capacidade até 2024 de maneira a expandir a produção local de forma significativa, dado que não tem nenhuma usina sendo lançada”, detalha Hernandes.
Apesar de existir 19 usinas em construção e 22 em ampliação, de acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), grande parte dos empreendimentos está parada há anos e não tem previsão de conclusão. Isto fica claro com os levantamentos feitos pelo NovaCana em janeiro e fevereiro deste ano.
Ainda assim, levando em conta o volume que estas obras poderiam acrescentar à oferta de etanol, a quantia seria de pouco mais de 18 milhões de litros ao dia, o que daria 3,6 bilhões de litros considerando uma operação em plena capacidade por 200 dias – quantia ainda inferior às necessidades do programa.
Por sua vez, para o cumprimento da meta de 66,49 milhões de CBios em 2026, a consultoria prevê a necessidade de um aumento de 82% na produção de etanol, com uma taxa de crescimento anual de 12,7%. Consequentemente, a ampliação nominal entre 2021 e 2026 precisaria ser de 22,9 bilhões de litros, passando de 27,9 bilhões para 50,8 bilhões.
“É um volume bem expressivo para um período que parece ser grande, mas, para investimento neste setor, é relativamente curto”, detalha o sócio da consultoria.

Já considerando o intervalo decenal do programa, de 2021 a 2030, o crescimento da produção precisaria ser de 122%, chegando a 61,9 bilhões de litros. A meta para o final da década é de 90,67 milhões de CBios.
O mercado de etanol em 2026
A FG/A ainda dividiu em etapas a forma que a demanda deve crescer para o cumprimento da meta de 2026. Segundo a consultoria, a geração dos créditos demandará a comercialização de 50,8 bilhões de litros de etanol – na comparação com os 28,8 bilhões da temporada 2020/21, isto representaria uma ampliação de 22 bilhões de litros.
“Hoje estamos com quase 29 bilhões de produção [na safra 2020/21] e já produzimos 33 bilhões de litros [em 2019/20], então esta diferença é possível com a flexibilização das unidades industriais. Acima disso, é preciso investimento em capacidade”, afirma Hernandes.
Para 2026, considerando um aumento anual de 3% na demanda por combustíveis e mantendo a fatia de 34% de mercado do etanol na frota flex da temporada 2020/21, além de uma relação de preço com a gasolina de 68%, a FG/A calcula que haveria um incremento de 7,28 bilhões de litros na demanda de etanol.
Já se o percentual de participação de mercado do etanol subisse para 40% e a relação de preço com o fóssil fosse um pouco mais baixa do que é atualmente, entre 62% ou 63%, o consumo aumentaria 3,46 bilhões de litros. Ou seja, no total, 10,25 bilhões de litros seriam acrescentados à demanda nacional em comparação com 2020/21.

Porém vale destacar que a participação da frota flex vem crescendo ao longo do tempo. Além do aumento total na quantidade de veículos, o recorte realizado pela FG/A considera uma elevação ainda maior na participação desta frota com o passar dos anos.
Segundo o Sindicado Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), a participação dos veículos flex na frota nacional subiu de 35,6% em 2008 para 71,4% em 2020. O dado se refere ao relatório anual da frota circulante lançado em abril de 2021.
De todo modo, considerando o objetivo de 50,8 bilhões de litros de etanol estipulado pela FG/A para cumprimento da meta de 2026, ainda faltariam 11,75 bilhões para atingir o crescimento necessário de 22 bilhões de litros.
“Quando comparamos com a meta traçada, é preciso basicamente do dobro [ante o crescimento natural e o ganho de participação de mercado]”, observa Hernandes, que completa: “Esta é a intensidade que precisaríamos ter de aumento de oferta para atender a esta demanda de descarbonização da matriz, que é um objetivo nacional e legítimo”.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana