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A produção do etanol 2G no Brasil: um negócio de superlativos

granbio-usina pronta4“Cada planta vai custar menos e produzir mais do que a anterior”

NovaCana 10 min de leitura

Após um longo período de suspense a GranBio oficializou esta semana a operação comercial da unidade Bioflex, situada no interior de Alagoas onde há dez dias está sendo produzido biocombustível a partir da biomassa da cana, um feito inédito para o Brasil e também – como destaca a companhia – para o hemisfério sul do planeta.

Enquanto as usinas tradicionais amargam os efeitos de uma crise prolongada, com o fechamento de diversas unidades, o presidente da GranBio garante investimentos de R$ 4 bilhões nos próximos anos para a instalação de dez novas plantas que devem produzir 1 bilhão de litros de etanol 2G até 2022.

O contraste de humores entre a “velha” e a “nova” geração deixa margem para os céticos. Na coletiva de imprensa, jornalistas questionaram como a crise na indústria de primeira geração pode afetar o etanol celulósico. “A segunda geração pode ser parte da solução para [a primeira geração] sair da crise mais rápido”, responde Gradin. Ele justifica que a parceria entre os dois modelos de produção traz uma fonte de recursos antes inexistente no modelo tradicional.

Confira a seguir os planos e expectativas da Granbio e detalhes inéditos da primeira usina de etanol celulósico do Brasil.

Após um longo período de suspense a GranBio oficializou esta semana a operação comercial da unidade Bioflex, situada no interior de Alagoas onde há dez dias está sendo produzido biocombustível a partir da biomassa da cana, um feito inédito para o Brasil e também – como destaca a companhia – para o hemisfério sul do planeta.

A operação está apenas no início, mas já acumula superlativos: combustível mais limpo do mundo produzido em escala comercial; maior operação de colheita de biomassa no campo e solução inédita na bioeletricidade com a queima da lignina. Com o avanço da operação a empresa pretende ainda tornar a Bioflex a maior fábrica de etanol celulósico do mundo, embora a maior capacidade instalada pertença atualmente à usina da Poet, em Iowa, no cinturão do milhão norte-americano.

“Temos um pioneirismo de ser os primeiros a produzir com palha e pelo sistema de produção contínuo [com 11 meses de operação ao ano] temos a expectativa de nos tornarmos o maior produtor de etanol 2G”, aposta.

Enquanto as usinas tradicionais amargam os efeitos de uma crise prolongada, com o fechamento de diversas unidades, o presidente da GranBio garante investimentos de R$ 4 bilhões nos próximos anos para a instalação de dez novas plantas que devem produzir 1 bilhão de litros de etanol 2G até 2022.

“A segunda planta entra em operação em 2016, mas ainda não posso contar quais são as parcerias”

O contraste de humores entre a “velha” e a “nova” geração deixa margem para os céticos. Na coletiva de imprensa, jornalistas questionaram como a crise na indústria de primeira geração pode afetar o etanol celulósico. “A segunda geração pode ser parte da solução para [a primeira geração] sair da crise mais rápido”, responde Gradin. Ele justifica que a parceria entre os dois modelos de produção traz uma fonte de recursos antes inexistente no modelo tradicional.

“A ideia é que a maior parte [das futuras unidades] seja em parceria com usinas de primeira geração que possam trazer a biomassa, com isso gerando uma receita que de outra forma não teriam”. A matéria-prima da GranBio é a palha da cana-de-açúcar, um rejeito para as usinas de primeira geração, geralmente deixada no campo após a colheita mecanizada.

A empresa está desenvolvendo uma cana com alto teor de biomassa (cana-energia) que poderá complementar ou substituir a palha e começa a ser cultivada comercialmente em 2015. Mesmo assim a GranBio continua buscando a parceria das usinas de primeira geração, que entram como fornecedoras de matéria-prima. Isso dá às usinas tradicionais a oportunidade de contratos de longo prazo para o fornecimento da palha.

Conforme o executivo, a demanda de uma unidade como a da GranBio é de 400 mil toneladas de palha por ano, o que envolve a maior operação já realizada de colheita de biomassa no campo. Para recolher esse material são 245 pessoas trabalhando nos canaviais, enquanto na etapa industrial há apenas 72 trabalhadores. “Esse processo gera um volume de riqueza que antes não era utilizado”, diz.

GranBio afirma que realizou a maior operação de colheita de biomassa no campopalha colheita granbio 250914

Segunda unidade sai em 2016

Mas as parcerias da GranBio não estão limitadas às usinas tradicionais. O plano de negócios envolve também a fabricação de bioquímicos e a empresa já possui uma parceria com a Rhodia, que atua na produção de especialidades químicas. Outras parcerias são mantidas em suspense, pois “serão apresentados mais para frente”. Gradin conta ainda que há investidores interessados nas próximas plantas.

“O plano da GranBio vai além da primeira planta e temos que colocar o plano de negócios em ação”, disse empresário. A instalação da próxima unidade já está em negociação, tem local definido e deve ser instalada nos próximos dois anos, mas os detalhes ainda são mantidos em sigilo. “A segunda planta entra em operação em 2016, mas ainda não posso contar as parcerias”, resumiu o presidente da companhia.

“Cada planta vai custar menos e produzir mais do que a anterior”

Com a experiência da primeira unidade, a administração da companhia acredita que os custos de instalação das próximas plantas sejam reduzidos em cerca de 30%. “Temos estimado um investimento de R$ 4 bilhões de reais [para as dez unidades], mas, certamente, não só pelo aprendizado da construção, esse custo de instalação deve cair. Cada planta vai custar menos e produzir mais do que a anterior”, planeja.

Três dias para produzir o etanol da palha

Para que a palha entre na usina e saia transformada em etanol serão necessários três dias, tempo meta de produção para o etanol celulósico. Esse padrão deve ser alcançado em um mês com a maior ocupação das instalações. Ainda é preciso aumentar a carga de produção da planta, que produziu 100 mil litros nos dez dias iniciais de operação.

Hoje a unidade leva cinco dias para a produção. São quatro horas de pré-tratamento da biomassa, 32 horas de hidrólise para liberar os açúcares da fibra vegetal, 72 horas de fermentação conjunta dos açúcares de cinco e seis carbonos e mais três horas para a destilação.

Para o anúncio foi esperado que a unidade entrasse em processo contínuo de operação, o que aconteceu há dez dias, após ser finalizado o período de comissionamento da planta. Já para o final de outubro a produção planejada é 1 milhão de litros/mês e, na sequência, este percentual deve aumentar até atingir a capacidade plena quando poderá gerar 8 milhões de litros mensais.

O cronograma prevê que o aproveitamento total da capacidade aconteça em até um ano, mas Gradin acredita que esse período pode ser encurtado para a primeira metade de 2015. “Temos uma curva de crescimento para a capacidade plena. Acreditamos que vamos conseguir alcançá-la em aproximadamente seis meses”, respondeu.

A partir disso a Bioflex ainda poderá ter a sua capacidade de produção ampliada, de 82 milhões de litros para 100 milhões de litros, crescimento que deve ser acompanhado pela expansão da cogeração.

Projeto modificado e 35% mais caro

A Bioflex passou por ajustes no projeto ao longo de sua execução. Além da ampliação da cogeração, os sistemas para o processamento da palha foram alterados, com custo de R$ 10 milhões acima do esperado. O tratamento da vinhaça também mudou, com investimento em evaporadores que não foram planejados originalmente.

A experiência da provedora de tecnologia para a conversão de biomassa, a usina italiana Beta Renewables, que opera comercialmente desde outubro do ano passado, também provocou mudanças no projeto. “Fizemos muitas modificações em função de melhorias que a Itália conseguiu realizar”, contou Gradin. Tudo isso resultou em um investimento 35% superior ao orçamento inicial.

“A bioeletricidade é um tendência irreversível no mercado de energia”

Outro imprevisto ficou por conta do clima e da produtividade da montagem da indústria, que foi abaixo da esperada, com o atraso na entrega de equipamentos. “Entramos no período de chuva o que alongou em quatro meses o final da obra”, explicou.

Entretanto, as mudanças no cronograma e no projeto não foram lamentadas. “Ficamos satisfeitos em não ter surpresas maiores”, minimizou o empresário.

Mercado alvo

A meta da companhia é exportar até 100% da produção de etanol, o volume vai depender do preço que será oferecido pela Califórnia para onde deve ir, ao menos, metade da produção. O estado norte-americano é o mercado alvo por possuir regras que valorizam combustíveis mais limpos.

“Mas não esperamos exportar nos próximos quatro a cinco, seis meses”, ressalva Gradin, explicando que a unidade precisa ter um lastro de 10 milhões de litros para viabilizar o envio da primeira carga, o que só deve acontecer a partir do segundo trimestre de 2015.

O que não for exportado deve ser consumido pelo mercado local. A região nordeste do país possui um défice na produção de etanol e tem importado volumes significativos do biocombustível para suprir a demanda interna.

Levedura brasileira

O cientista-chefe da GranBio, Gonçalo Pereira, afirmou que a companhia já submeteu uma segunda levedura transgênica para a provação da CTNBio. Atualmente a empresa possui a liberação para usar a levedura fornecida pela holandesa DSM. O microrganismo importado tem condições de fermentar os açúcares celulósicos presentes na biomassa de diversas plantas.

A levedura que está em processo para a aprovação foi desenvolvida no Brasil e é especializada na biomassa da cana-de-açúcar, com isso pode reduzir significativamente o tempo de fermentação, trazendo reflexos positivos para o custo do produto.

Diferenciais da cogeração

Ao final do processo de produção do biocombustível, além da vinhaça, a GranBio terá como subproduto a lignina, partícula mais resistente da biomassa. Essa parcela da biomassa será destinada à queima para a produção de vapor e energia. Por ser mais seca que o bagaço, a lignina deve garantir à GranBio uma eficiência maior na cogeração de energia. O executivo afirma que, com a lignina, se “extrai 30% do poder calorífico e devolve 70% de poder calorífico”.

A cogeração da Bioflex, compartilhada com a usina vizinha do grupo Carlos Lyra, a Caeté, parceira no empreendimento, irá funcionar durante 11 meses do ano. A unidade conta com duas caldeiras, uma 67 bar e 43 bar, e três turbogeradores. O conjunto do sistema é de 61 megawatt/hora, com condições de exportar 135 mil megawatt/hora ao ano de energia.
A GranBio classifica a bioeletricidade como “uma tendência irreversível no mercado de energia do Brasil”. Sem contratos no mercado regulado, o excedente cogerado será vendido no mercado spot, mas a empresa afirma que “estará atenta” para a participação em futuros leilões de energia.

Atualização - 26/09 às 16h20

A notícia foi alterada para corrigir a informação sobre o início do cultivo comercial da cana-energia e o período de operação da cogeração. Conforme a GranBio, a cana com alto teor de biomassa terá sua primeira colheita no próximo ano. Já a cogeração irá operar durante 11 meses ao ano, não 12 como mencionado incialmente. O texto acima já encontra-se modificado para refletir as informações corretas.

Atualização - 29/09 às 14h59

As taxa de ocupação planejada e futura divulgadas pela GranBio foram retiradas do texto por serem incongurentes com os volumes anunciados. Corrigindo a informação, a empresa afirmou que o volume de 100 mil litros de etanol 2G corresponde a produção até a data em que foi anunciado o início da operação, na quarta-feira (24), e não ao atual nivel de produção semanal. Foi reafirmada a meta de produzir 1 milhão de litros em outubro, aumentando a escala até alcançar a capacidade plena de 8 milhões de litros ao mês, no entanto, não foram divulgados os respectivos índices de ocupação da capacidade instalada. 

Amanda SchArr – NovaCana

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