A produção de açúcar na região Centro-Sul do Brasil pode ficar abaixo de 38 milhões de toneladas na safra 2026/27, diante do avanço das chuvas, que tem prejudicado o ritmo de colheita e moagem de cana-de-açúcar.
A estimativa é da Organização Internacional do Açúcar (ISO, na sigla em inglês) e foi apresentada no relatório de mercado de setembro. Anteriormente, a entidade projetava produção de 39 milhões de toneladas.
Segundo a ISO, a produção de açúcar na região “terá dificuldades para alcançar 38 milhões de toneladas” e poderá ficar bem abaixo desse volume, caso as chuvas previstas se confirmem.
Na primeira quinzena de setembro, as usinas do Centro-Sul processaram 30,2 milhões de toneladas de cana, queda superior a 30% ante igual período do ano passado. A produção de açúcar no intervalo foi de 2,2 milhões de toneladas, ante 3,6 milhões de toneladas um ano antes.
Com o desempenho, a produção acumulada desde 1º de abril alcançou 26,1 milhões de toneladas até meados de setembro, abaixo dos 30,4 milhões de toneladas registrados no mesmo período da safra anterior. Em 2025/26, a região produziu 40,4 milhões de toneladas de açúcar.
O ritmo de moagem também perdeu força ao longo da safra. Em meados de agosto, o processamento acumulado de cana ainda estava 2,1% acima do observado um ano antes. Agora, está 1,5% abaixo, em 443,7 milhões de toneladas, segundo a organização.
Outro fator que influencia o mix de produção é a maior destinação de matéria-prima para o etanol. Até o momento, as usinas direcionaram 53,8% do açúcar total recuperável (ATR) disponível para a fabricação do biocombustível, ante 47,7% na mesma etapa da temporada passada.
De acordo com a ISO, os preços do etanol subiram. Com isso, a paridade entre açúcar e etanol avançou para cerca de 16 centavos de dólar por libra-peso, sem considerar o subsídio aos combustíveis introduzido recentemente.
Exportações
As exportações brasileiras de açúcar bruto também recuaram. Em agosto, os embarques somaram 2,7 milhões de toneladas, ante 3,7 milhões de toneladas no mesmo mês de 2025.
De janeiro a agosto, os volumes exportados ficaram 2,2 milhões de toneladas abaixo dos registrados em igual intervalo do ano passado, informou a ISO.
Apesar da perspectiva de menor oferta na atual temporada, a entidade observou que as usinas brasileiras estariam realizando operações expressivas de hedge para 2027, aproveitando os preços mais elevados. Segundo o relatório, o movimento indica planos de ampliar a produção de açúcar no próximo ano.
Leandro Silveira