Seis meses depois da primeira fábrica de etanol celulósico do Brasil ser inaugurada, em setembro de 2014, a operação ainda está longe da produção que se previa. A usina da GranBio, instalada no interior de Alagoas, até agora não foi estabilizada, com problemas que têm demandado interrupções da operação
Seis meses depois da primeira fábrica de etanol celulósico do Brasil ser inaugurada, em setembro de 2014, a operação ainda está longe da produção que se previa. A usina da GranBio, instalada no interior de Alagoas, até agora não foi estabilizada, com problemas que têm demandado interrupções da operação.
Por isso, a companhia sequer divulga números atuais da produção. Inicialmente, a empresa esperava alcançar uma produção mensal de 1 milhão de litros de etanol em outubro e, então, ganhar escala em direção à meta de 8 milhões de litros ao mês.
“Depois de terminar o comissionamento, quando ligamos a planta inteira, passamos a viver uma série de desafios para atingir a estabilidade, que não tínhamos adequadamente previsto. Foram desafios de diversas naturezas e cada dia foi uma história de superação para resolvê-los”, contou o vice-presidente da GranBio, Alan Hiltner.
Veja a seguir as lições tiradas nestes primeiros seis meses, o principal desafio da usina neste momento e como a GranBio vê a perspectiva diante dos ajustes de expectativas em todo o mercado.
Seis meses depois da primeira fábrica de etanol celulósico do Brasil ser inaugurada, em setembro de 2014, a operação ainda está longe da produção que se previa. A usina da GranBio, instalada no interior de Alagoas, até agora não foi estabilizada, com problemas que têm demandado interrupções da operação.
Por isso, a companhia sequer divulga números atuais da produção. Inicialmente, a empresa esperava alcançar uma produção mensal de 1 milhão de litros de etanol em outubro e, então, ganhar escala em direção à meta de 8 milhões de litros ao mês.
“Estamos em processo de estabilização da planta o que faz com que a unidade passe alguns dias parada. Esperamos nos próximos meses ter a planta estabilizada e conseguir manter os 30 dias de produção”, revelou o vice-presidente da GranBio, Alan Hiltner, ao portal NovaCana.
Durante uma apresentação em São Paulo, o executivo da GranBio admitiu que a unidade tem enfrentado diversos problemas.
“Depois de terminar o comissionamento, quando ligamos a planta inteira, passamos a viver uma série de desafios para atingir a estabilidade, que não tínhamos adequadamente previsto. Foram desafios de diversas naturezas e cada dia foi uma história de superação para resolvê-los”, contou.
Os problemas incluíram o mau funcionamento de equipamentos, que precisaram ser consertados ou substituídos, dificuldades na propagação das leveduras em grande escala e na estabilização de sistemas acessórios da planta – como água e vapor – mas, sobretudo, no gerenciamento da biomassa.
Segundo Hiltner, a palha da cana quando entra na fábrica se comporta de maneira diversa da esperada. “Esse processo de como fazer a biomassa se comportar [satisfatoriamente] e garantir uniformidade de fluxos também fez com que a gente tivesse uma série de aprendizados, que sempre custam um pouco (tem que especificar válvula, trocar bomba), e tem sido a nossa história até agora”.
Superada a maioria das barreiras, o vice-presidente afirma que ainda resta à GranBio solucionar uma última dificuldade, relacionado ao pré-tratamento da biomassa que é realizado por explosão à vapor.
“O desafio que temos hoje para conseguir deixar a planta operando em ‘stage estate’, é reduzir o nível de erosão. Toda biomassa contém uma quantidade de minerais e de impurezas que quando submetida a um processo de ‘steam explosion’ causa um processo de abrasão na planta”, explica. Isso faz com que a planta ainda não esteja operando continuamente.
Primeira lição
Hiltner mencionou uma série de ensinamentos decorrentes das dificuldades encontradas, o primeiro deles é que cada biomassa tem suas especificidades e se comporta de maneira distinta. A palha da cana-de-açúcar utilizada pela companhia, não teve desempenho análogo às biomassas utilizadas na usina da Beta Renewables, na Itália, empresa que licencia a tecnologia Proesa, adotada pela GranBio.
“O primeiro aprendizado importante que tivemos é que cada biomassa é uma biomassa. A gente achava que o processo é agnóstico e que se podia usar bagaço, palha, eucalipto, cavaco de madeira, palha de trigo... E pode. Mas cada vez que se troca a biomassa a planta se comporta de uma maneira diferente”.
Segunda lição
A segunda lição é que os parâmetros da primeira e da segunda geração precisam ser diferentes.
“As curvas de ramp-up não podem ser tão curtas quanto a de uma planta de etanol [convencional] e temos que estar preparados para enfrentar este período um pouco mais longo”, recomendou.
Para o executivo, criar uma planta nova com uma tecnologia que ainda está evoluindo traz o desafio de incorporar modificações e adaptações ao longo do processo. No entanto, nada que coloque a tecnologia escolhida em xeque.
“Prestamos muita atenção no coração da tecnologia – na hidrólise enzimática, na fermentação com levedura geneticamente modificada, no funcionamento do pré-tratamento; prestamos tanta atenção que tudo isso funcionou maravilhosamente bem. Os problemas que tivemos estão no entorno dessas coisas: na uniformidade da biomassa, na abrasão. São problemas mais ligados à mecânica e à equipamentos do que à tecnologia em si”.
Silêncio sobre as próximas plantas
Segundo Hiltner, a usina Bioflex deve atingir 100% da capacidade nos próximos seis meses e, só então, quando a produção estiver estabilizada, a companhia volta a falar sobre os planos de expansão.
“Continuamos firmes com a nossa meta de construção de dez plantas de etanol celulósico nos próximos anos. Esperamos apenas que esta planta entre em estado contínuo de operação para que tenhamos o design definitivo da próxima planta concluído e, aí sim, vamos anunciar os próximos investimentos”.
O plano da segunda fábrica operando em 2016, “a princípio”, está mantido. No entanto, os detalhes sobre o projeto, que já estaria definido desde a inauguração da primeira fábrica, serão conhecidos apenas depois que a unidade entrar em regime contínuo. “Não vai demorar muito. É uma norma nossa garantir a primeira funcionando bem para só então anunciar a segunda”, reforçou.
Com instalações para produzir 80 milhões de litros de etanol por ano, a GranBio promete que seu etanol 2G terá um custo de produção cerca de 20% menor que o da primeira geração, quando estiver operando a plena capacidade.
Para a construção da unidade de etanol foram investidos US$ 190 milhões e, para a parte de cogeração, em parceria com o grupo alagoano Carlos Lyra, aplicados mais US$ 70 milhões.
Questionado sobre o ajuste de expectativas de várias empresas em relação ao etanol celulósico, com muitos dos projetos sendo adiados ou mesmo em situação indefinida, Hiltner considera o movimento natural. Segundo ele, como a maioria das unidades começaram a operar ao mesmo tempo, estão todos ainda em fase de aprendizado.
Apesar dos ânimos arrefecidos na indústria 2G em todo o mundo, Hiltner tenta manter o tom de otimismo.
“Com todas essas lições aprendidas a gente olha o futuro com muito otimismo, porque se esta planta – com todos estes aprendizados, já vai conseguir entregar um etanol de segunda geração competitivo com o de primeira geração – as próximas plantas, que capturam toda essa curva de aprendizados, deve trazer reduções significativas, de otimização de Capex e de processos, que ajudam a acelerar o processo de desenvolvimento do etanol 2G no Brasil”, projeta.
Amanda SchArr – NovaCana