Caixa da empresa deverá continuar negativo no ano fiscal de 2016. Elevação de rating é descartada no curto prazo
Apesar de rumores de mercado indicarem que a Tonon Bioenergia planeja a reestruturação de suas dívidas, a agência de classificação de risco Fitch Ratings observou que até agora a empresa “não reportou nenhuma melhora em sua estrutura de capital no último mês”. O pagamento do cupom da dívida de US$ 12 milhões referente à nota de U$230 milhões, sem garantia, com vencimento em 2024 venceu na última quinta-feira, 14. Até agora não houve nenhum indicativo de que o pagamento tenha sido feito.
A compahia foi rebaixada pela Fitch. A seguir detalhes da avalliação e dos fatores que sustentam a piora da classificação da sucroalcooleira detentora de três usinas, duas em São Paulo e uma em Mato Grosso do Sul.
A agência de classificação de riscos Fitch Ratings rebaixou na última quarta-feira o rating de probabilidade de calote (IDR) da Tonon Bioenergia nas escalas nacional e global de ‘B-‘ para ‘CCC’, sete graus abaixo do nível de investimento.
A nota de crédito dos papéis de US$ 300 e US$ 230 milhões, com vencimentos em 2020 e 2024, sem e com garantia, respectivamente, também foi rebaixada de ‘B-/RR4’ para ‘CCC/RR4’.
Em nota, a Fitch informou que o rebaixamento reflete a preocupação da agência em relação à posição de liquidez de curto prazo e ao escalonamento dos riscos de financiamento da sucroalcooleira, que tem sido incapaz de gerar fluxos de caixa livre (FCF, na sigla em inglês) positivos.
Apesar de rumores de mercado indicarem que a companhia planeja a reestruturação de suas dívidas, a Fitch observou que até agora a empresa “não reportou nenhuma melhora em sua estrutura de capital no último mês”. O pagamento do cupom da dívida de US$ 12 milhões referente à nota de U$230 milhões, sem garantia, com vencimento em 2024 venceu na última quinta-feira, 14. Até agora não houve nenhum indicativo de que o pagamento tenha sido feito.
Os recentes calotes das usinas brasileiras sustentam o “risco sistêmico” existente no setor.
“A Tonon tem encontrado dificuldade para rolar o vencimento de suas obrigações [financeiras] com novos empréstimos de longo prazo a medida em que a atividade de financiamento dos bancos no setor tem sido focada a empréstimos de curto-prazo”, afirma o relatório assinado pelo analista da agência, Claudio Miori.
“A empresa não possui propriedades de terra para serem usadas [em garantias de] novos financiamentos de médio e longo-prazo, o que reduz as suas perspectivas de refinanciamento da companhia e faz com ela fique dependente da disponibilidade de linhas de crédito de curto prazo”, pontua a análise da Fitch.
A posição de caixa da Tonon em 31 de dezembro de 2014 era de R$ 159 milhões, valor considerado pela agência “desfavorável” se comparado à dívida de curto prazo de R$ 257 milhões. O indicador caixa/dívida de curto prazo é de 0,6 vez.
Conforme o relatório, o índice dívida líquida ajustada e Ebitdar– relação entre dívida líquida e lucro antes de juros, impostos, amortização e leasing – deve ficar em 6 vezes em março de 2015 (ainda não apurado) e permanecer acima de 5 vezes em março de 2016.
Nas contas da Fitch, a dívida total ajustada da companhia em 31 de dezembro somou R$ 2,3 bilhões, pesando “desfavoravelmente” na comparação com o débito de R$ 1,8 bilhão observado em 31 de março do mesmo ano. Nos últimos doze meses encerrados em 31 de dezembro, a relação dívida líquida consolidada ajustada/Ebitdar era de 4,9 vezes, ante 4 vezes em março de 2014 e 3 vezes na comparação com março de 2013.
Sem dinheiro no caixa
Mesmo com uma redução de Capex estimada em R$ 260 milhões após a conclusão da expansão de sua capacidade produtiva, o caixa da Tonon continuará negativo no ano fiscal de 2016.
“A recuperação dos preços internacionais do açúcar está levando mais tempo para se materializar do que o projetado anteriormente e as cotações fracas agravam ainda mais os preços [já] baixos [da commodity]”, projeta a agência.
Embora as recentes medidas governamentais tenham “melhorado as perspectivas para a indústria de etanol” o impacto positivo das mesmas no curto prazo deverá ser “limitado”.
“O aumento dos volumes moídos e a geração de um fluxo de caixa operacional mais robusto na nova safra que se encerra em 31 de março de 2016 depende grandemente de preços internacionais mais altos para o açúcar e da manutenção de condições climáticas favoráveis como as vistas no início de 2015”, analisa.
Sensibilidades e projeções
Uma deterioração da liquidez da Tonon levaria a uma ação de rating negativa. Já um upgrade da nota de crédito foi descartado pela agência no curto prazo. No médio, uma elevação poderá ocorrer, mas “dependerá do aumento de empréstimos bancários para o setor e de preços mais altos para o açúcar e para o etanol, levando a Tonon a ter fluxo de caixa operacional mais robusto e uma melhor posição de liquidez”.
Além disso, a Fitch manteve suas projeções quantos aos preços do açúcar no mercado internacional. Para a safra 2015/16 de açúcar do hemisfério norte, a Fitch projeta um preço médio de 14 c/US$/libra. Só é esperada uma recuperação a partir de 2016/17 e 2017/18, quando as cotações da commodity poderão alcançar 16 e 17 c/US$/libra, respectivamente.
Leonardo Siqueira – NovaCana