A chance de a sucroalcooleira não honrar suas dívidas de curto prazo, nos próximos meses, é cada vez maior
Com dificuldades para obter crédito no mercado financeiro, o Grupo Virgolino de Oliveira (GVO), um dos maiores e mais tradicionais do setor, teve sua nota de crédito rebaixada de CC para C pela agência de classificação de riscos Fitch Ratings.
Para a Fitch, a chance de a sucroalcooleira não honrar suas dívidas de curto prazo, nos próximos meses, é cada vez maior.
Com dificuldades para obter crédito no mercado financeiro, o Grupo Virgolino de Oliveira (GVO), um dos maiores e mais tradicionais do setor, teve sua nota de crédito rebaixada de CC para C pela agência de classificação de riscos Fitch Ratings.
Para a Fitch, a chance de a sucroalcooleira não honrar suas dívidas de curto prazo, nos próximos meses, é cada vez maior.
“A companhia não reportou qualquer progresso nas renegociações em curso desde que divulgou os planos para negociar os termos e as condições de suas emissões de notas. O vencimento dos cupons está se aproximando e a Fitch considera improvável que a GVO receba recursos adicionais de bancos ou de investidores, em curtíssimo prazo”, informou a agência.
Somado isso, a entressafra mais longa este ano também representará uma dificuldade adicional para os fluxos de caixa da GVO.
Desde outubro, com a contratação do banco Moelis & Company, da Santos Neto Advogados e da Kirkland & Ellis LLP, a empresa busca melhorar sua fraca estrutura de capital, contudo, de lá cá, nenhum avanço ocorreu.
Nos bastidores, a GVO negocia com acionistas e bondholders um acordo para converter a dívida em ações, além de buscar investimentos adicionais para o negócio.
Se isso realmente acontecer, é provável, segundo fontes com conhecimento da situação, que os credores dos títulos detenham a maior parte da empresa.
Enquanto nenhum aporte de capital, negociação ou conversão dos títulos é anunciada, a GVO caminha para a inadimplência, prevê a Fitch, fato que deverá se confirmar em janeiro e fevereiro de 2015, com o vencimento de suas dívidas de curto prazo.
Nas contas da agência de classificação de riscos, a companhia terá que pagar U$ 40 milhões de juros sobre o valor agregado de notas de U$ 735 milhões já no início do próximo ano.
Sensibilidades
Uma elevação nos ratings da GVO é considerada pela agência como “improvável”, no entanto, um grande aporte de capital, ou a aquisição das companhias por um concorrente seriam considerados “positivos.”
Os ratings da GVO podem piorar ainda mais caso as companhias se tornem inadimplentes em relação ao cronograma de pagamentos de amortização/juros e/ou se entrarem formalmente em recuperação judicial.
O analista sênior da Fitch Ratings, Claudio Miori, ressaltou que o downgrade “ocorreu muito em função do fato de a GVO não ter chegado a um acordo até agora”.
“Entedemos que é um fator de complicação, embora creio que eles estajam trabalhando com bondholders e com bancos locais. Continuamos monitorando o rating da GVO. Mas o fato de a empresa não ter apresentado nenhum acordo, na visão da Fitch, é um mau sinal. Os juros dos bonds vencem em janeiro e fevereiro, e com isso, as pressões de fluxo de caixa vão aumentando na medida em que eles demoram para fechar estes acordos. O ideal seria a GVO ter fechado um acordo antes”, avalia.
Leonardo Siqueira – NovaCana