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Primeira planta de etanol de milho de Minas Gerais recebe licença ambiental

Alvorada Bioenergia adaptou antiga estrutura de processamento de cana-de-açúcar para operar exclusivamente com milho

Diário do Comércio 3 min de leitura

Minas Gerais teve a primeira planta de etanol de milho aprovada pela Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam). A entidade deferiu na quinta-feira, 24, a licença ambiental definitiva, com validade de oito anos, para a Alvorada Bioenergia, em Guaranésia, no Sul do Estado.

A usina, que originalmente processava cana-de-açúcar, operava por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) desde o ano passado e, agora, obteve a chamada Licença Ambiental de Operação Corretiva (LOC).

Conforme o documento da Feam, a Alvorada Bioenergia – que está em processo de recuperação judicial – produzia açúcar e etanol a partir da cana-de-açúcar, mas passou por adequações para operar exclusivamente com milho. A unidade tem capacidade para processar 1,2 mil toneladas do grão por dia para a fabricação de etanol e prevê operação contínua, com cerca de 120 trabalhadores.

Para o presidente da Associação da Indústria da Bioenergia e do Açúcar em Minas Gerais (Siamig Bioenergia), Mário Campos, a aprovação representa um avanço para o setor no estado.

“A Alvorada Bioenergia é a primeira planta de etanol de grãos de Minas Gerais. É uma unidade que fica em Guaranésia e que processava cana-de-açúcar. A unidade aprovada foi remodelada da cana, que estava muito tempo parada, para etanol de milho”, disse.

Ainda segundo Campos, a expectativa é que outras usinas mineiras também passem a produzir etanol de grãos, especialmente de milho.

“A gente vê com muito bons olhos, é mais uma empresa produtora de etanol aqui em Minas Gerais. Esperamos que, nos próximos anos, com tudo que a gente tem falado sobre etanol, a gente possa ter outras plantas de etanol de grãos, principalmente, consorciadas com cana-de-açúcar”, afirmou.

Conforme o documento, a unidade ocupa uma área útil de 22,68 hectares e está localizada na zona rural de Guaranésia, às margens da BR-491, no km 64,5. Além da fabricação de etanol, a estrutura industrial contempla a produção de coprodutos resultantes do processamento do milho, a geração de energia elétrica e o armazenamento e a distribuição de combustíveis.

A capacidade de processamento chega a 1,2 mil toneladas de milho por dia. A unidade conta com dois moinhos de martelos, com capacidade de moagem de 50 toneladas por hora. Segundo as informações apresentadas no processo de licenciamento, a matéria-prima será adquirida de terceiros, a granel, preferencialmente na própria região.

O modelo adotado pela Alvorada é classificado no parecer como full ou dedicado, por utilizar exclusivamente milho como matéria-prima para a fabricação de etanol. De acordo com o documento, trata-se da primeira unidade de Minas Gerais nesse modelo.

A retomada das atividades na usina ocorreu em 2025, amparada por Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), enquanto tramitava o processo de licenciamento ambiental corretivo.

Além do etanol, a operação gera uma série de coprodutos. Entre eles estão o grão seco de destilaria com solúveis (DDGS) e o grão úmido com solúveis (WDGS), além do óleo de milho. O DDGS é produzido a partir dos resíduos sólidos do processo, tem concentração de proteínas e será destinado à alimentação animal.

A unidade conta com um sistema de cogeração de energia elétrica com capacidade instalada de 2,6 MW. A planta também dispõe de uma caldeira com capacidade nominal de 90 mil quilos de vapor por hora, que utiliza bagaço de cana adquirido de terceiros como combustível. Para o controle das emissões atmosféricas, o equipamento conta com lavador de gases.

A reportagem procurou a Alvorada Bioenergia para comentar o assunto, mas não obteve retorno até o momento da publicação.

Michelle Valverde

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