Os futuros de açúcar demerara esticaram as perdas ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) e, em apenas dois pregões, já acumulam desvalorização de 4,21% em 2016. Pressionados pelo dólar e pela perspectiva de oferta maior, os contratos vão em busca dos 14,50 cents por libra-peso, o principal suporte.
Ontem, a Associação de Usinas de Cana-de-açúcar da Índia (Isma, na sigla em inglês) relatou produção 6,5% maior no último trimestre do ano passado, correspondente ao primeiro da safra 2015/16 no país. Foram fabricadas 7,9 milhões de toneladas, ante 7,5 milhões um ano antes. O aumento chega a surpreender, já que a região recebeu chuvas de monções abaixo da média. Ao mesmo tempo, indica que as empresas locais terão como atingir a cota de exportação de 4 milhões de toneladas.
De acordo com analistas, o dólar perto de R$ 4 também pressionou - a divisa fechou o dia em R$ 3,9929 (-1,03%). Além do câmbio e dos sinais de oferta maior, pesa sobre os contratos neste início de 2016 a desaceleração da economia chinesa, principal importador mundial de açúcar, e a previsão de chuvas mais amenas no Centro-Sul nos próximos dias, clima este que permitiria às usinas nacionais retomar as atividades de campo.
Apesar da renovação do viés de queda, o longo prazo ainda se mostra positivo. Em relatório distribuído nesta terça-feira, o Rabobank afirmou que a perspectiva de déficit na safra global 2015/16 deve dar suporte às cotações. No Centro-Sul do Brasil, a moagem em 2016/17 foi prevista pelo banco, de forma preliminar, entre 570 milhões e 600 milhões de toneladas, em linha com o observado na atual temporada.
Março caiu 40 pontos (2,67%) e fechou a terça-feira em 14,57 cents/lb, com máxima de 15,10 cents/lb (mais 13 pontos) e mínima de 14,54 cents/lb (menos 43 pontos). Maio recuou 40 pontos (2,73%) e terminou em 14,25 cents/lb. O spread março/maio permanece em 32 pontos de prêmio para o primeiro contrato da tela.


O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a terça-feira em R$ 83,07/saca, alta de 0,52% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 20,81/saca (+1,91%).
