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Presidente da Unica diz que setor "está na UTI"


Brasil Econômico - Publicado: 24 Abr 2014 - 09:20 | Atualizado: 25 Abr 2014 - 11:21
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A produção de cana representa 54% do agronegócio paulista, mas apesar de sua importância econômica, o setor sucroalcooleiro continua enfrentando uma de suas piores crises. "Estamos estáveis, mas na UTI", disse ontem a presidente da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Elizabeth Farina, comparando o setor com um paciente em tratamento.

Segundo ela, dez usinas devem fechar as portas até o final da safra 2014/2015. Além disso, existem outras 30 unidades em processo de recuperação judicial. A dívida média das empresas supera o faturamento bruto anual e cerca de 20% da receita está comprometida com pagamento de juros. "A crise já chegou até na Unica: tivemos associados que optaram em deixar a entidade como forma de diminuir custos", disse Elizabeth.

Professora da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) e pesquisadora do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), Heloisa Burnquist explica que esse cenário começou a evoluir no póscrise de 2008. Até então, disse ela, as boas perspectivas de demanda por etanol fizeram as usinas se endividarem em busca de investimentos: "Com a crise, o financiamento sumiu e o que restou foi um problema financeiro potencializado pelo econômico, causado pela política governamental para combustível".

Essa política, alega o setor, mantém o preço da gasolina artificialmente abaixo da média internacional, tirando a competitividade do etanol. Segundo levantamento da Consultoria Datagro, na semana passada a gasolina custava 23% abaixo do que deveria.

"Ao subsidiar o preço da gasolina em 23%, o governo acaba controlando também o do etanol", diz Plínio Mário Nastari, presidente da consultoria.

Além do fator econômico, Nastari cita a estiagem neste verão como outro agravante, já que a cana se desenvolve em nível menor do que deveria.

Esse efeito já começa a aparecer: de acordo com o levantamento divulgado ontem pela Unica, a projeção é que a safra 2014/2015 tenha uma redução de 16,94 milhões de toneladas em relação ao total processado na safra anterior, (596,4 milhões em 2013/2014).

A Unica estima que do total de cana-de-açúcar a ser processada na safra 2014/15, 56,44% deverão ser destinados à produção do etanol, aumento de 1,20% sobre o total da safra anterior, alcançando 25,87 bilhões de litros . Em contrapartida, a produção de açúcar deve cair 5,23%, para 32,5 milhões de toneladas.

Isso acontece porque as empresas em dificuldade buscam a maior liquidez obtida com o etanol. Além disso, a queda do preço do açúcar no mercado internacional indica uma receita mais favorável ao biocombustível.