A Odebrecht está promovendo uma verdadeira dança das cadeiras executivas na tentativa de reestruturar suas operações e voltar a dar, nas palavras de ordem usadas dentro do grupo, “sinais de sobrevivência, crescimento e perpetuidade”.
Na segunda-feira (7), o então presidente da OEC (antiga Odebrecht Engenharia & Construção), carro-chefe do grupo, Fábio Januário, foi afastado. Para o seu lugar, a indicada pela família controladora do grupo foi Juliana Baiardi, hoje presidente da Atvos (antiga Odebrecht Agroindustrial).
O nome, no entanto, encontrou resistência entre os executivos tanto da construtora quando da holding. O grupo, então, recuou para uma solução intermediária até se tomar uma decisão definitiva: direcionou a executiva para o cargo de vice-presidente do conselho do conglomerado.
Agora, Juliana Baiardi será incumbida da missão de formar um comitê ─ ainda sem membros definidos ─ que escolherá o próximo presidente da OEC. Mas qual o motivo da resistência?
Na Odebrecht, para além das questões empresariais, os sobrenomes pesam muito. Juliana é engenheira civil, formada pela Universidade Federal da Bahia e com MBA pela Columbia University em Nova York. É, também, filha de um ex-presidente da construtora: Renato Baiardi, que ocupou o cargo até 2002, quando Marcelo Odebrecht assumiu. Seu irmão também tem história dentro do grupo: Ernesto Baiardi é ex-presidente da Odebrecht Angola e foi um dos executivos do grupo que colaborou com a Lava-Jato. Ambos são ligados a Marcelo Odebrecht, hoje persona non-grata dentro do grupo.
Juliana Baiardi, na verdade, tinha a anuência de Emílio Odebrecht para assumir o comando da empreiteira, mas o sobrenome da executiva incomodou executivos do grupo e ela perdeu o emprego antes de assumir.
Com 14 anos de experiência no mercado financeiro, sendo dez anos no banco americano J.P.Morgan, ela ingressou no Grupo Odebrecht em 2011. Antes de assumir a presidência da Atvos (cargo que acumulará com o de vice-presidente da holding), também foi CEO da OTP, empresa de rodovias, mobilidade urbana e logística do principado, e participou da venda da então Odebrecht Ambiental para o fundo de investimentos canadense Brookfield.
Victor Irajá e Felipe Carneiro