
O presidente da Agrishow - Feira Internacional de Tecnologia Agrícola - criticou durante a abertura do evento nesta segunda-feira (29) em Ribeirão Preto (SP) os atuais incentivos doGoverno Federal para a produção de etanol no país. Maurílio Biagi classificou o aumento no percentual de etanol na gasolina como 'vergonhoso'. "O aumento da mistura de 20% para 25% de etanol na gasolina é visto como uma maravilha. Só não disseram que antes a quantidade era essa e ela foi reduzida. Isso é uma vergonha, uma burrice do governo não ficar incentivando a produção de etanol para evitar esse déficit de 8 milhões de dólares para a Petrobras no primeiro trimestre", afirma.
A medida a qual Biagi se refere foi anunciada pelos ministros Guido Mantega, da Fazenda, e Edison Lobão, de Minas e Energia, e passa a valer a partir de 1º de maio através de medida provisória.
Para a renovação de canaviais e plantio de novas áreas, o governo vai liberar este ano, dentro do programa Prorenova, uma linha de crédito de R$ 4 bilhões. A novidade é que os juros caíram de 9,5% para 5,5% ao ano. Para a estocagem de etanol, a linha de crédito é de R$ 2 bilhões. Os juros também diminuíram de 8,7% para 7,7% ao ano.
Sobre os financiamentos de estocagem de produto e expansão do plantio, Biagi diz que a grande mudança está na redução dos juros. O benefício, no entanto, não deve chegar a quem realmente necessita do incentivo, segundo ele. "Só pega financiamento quem não precisa. As usinas menores, que precisariam desses financiamentos, acabam perdendo na concorrência com grandes empresas", diz. "O único incentivo do pacote, na verdade, foi a redução tributária. A desoneração fiscal é o único ganho real desse pacote, de R$ 0,12 por litro de etanol produzido", conclui, referindo-se à nulidade das alíquotas do PIS e do COFINS, impostos que financiam a seguridade social.