Política

Política

Candidato à presidência Eduardo Campos diz que vai salvar setor sucroenergético


Canal Rural - Publicado: 18 Jul 2014 - 07:57
Eduardo campos entrevista 180714
O ex-governador de Pernambuco e candidato à Presidência da República Eduardo Campos (PSB) concedeu entrevista ao Rural Notícias sobre os seus pontos cruciais para o desenvolvimento do agronegócio, entre eles a política energética e a autonomia do Ministério da Agricultura. Confira a seguir os trechos relevantes para o setor sucroenergético:
 
Em seu possível governo, a Petrobras continuará subsidiando a gasolina e destruindo um setor importantíssimo, que é o setor sucroenergético?
Eduardo Campos: Esse setor (sucroenergético) quando me vê junto com a Marina, sorri, fica feliz, nos chama, nos apoia. Porque eles sabem que eu venho de um Estado que tem tradição na cana-de-açúcar. Eles sabem o quanto é importante para a sustentabilidade o álcool, e nós vimos o quanto esse setor foi incentivado no governo do presidente Lula. E, mais do que de repente, jogaram esse setor para baixo, uma coisa absurda, 40 usinas fecharam, mais cerca de 15 usinas em recuperação judicial e muitos trabalhadores demitidos no Brasil inteiro.

Nós vamos salvar esse setor e vamos salvar a Petrobras. A Petrobras será dirigida por gente séria, competente, que vai seguir o plano estratégico que a Petrobras tem. Nós vamos resgatar um programa belíssimo, que é o programa de etanol no Brasil. Um programa que dialoga com esses valores que há pouco eu falava: o da sustentabilidade. Nós vamos buscar nas usinas, também, a parceria para a biomassa, para gerar a energia que nós estamos precisando. Pois, a metade das usinas poderia estar usando o bagaço de cana para gerar a energia que está faltando, só que estão desperdiçando esse bagaço.

Ou seja, é um absurdo, é um absurdo completo o que acontece hoje. Essa situação está sendo ruim para a Petrobras. A Petrobras perdeu metade do valor que tinha de mercado em três anos. A Petrobras está devendo quatro vezes mais do que devia três anos atrás. A Petrobras saiu da página de economia para a página de polícia. E o setor do etanol está vivendo esse drama que, há pouco, eu falava.

Se eleito, qual será o papel do Ministério da Agricultura no seu governo. Ele terá mais autonomia?
Na verdade, essa área, que deve cuidar da atividade primária no Brasil, está muito desestruturada. Primeiro, está pulverizada em várias áreas: Ministério da Pesca, Ministério do Desenvolvimento Agrário, Ministério da Agricultura. Além de pulverizada, está fragilizada do ponto de vista da competência.

O provimento desses cargos passou a ser feito no balcão da velha política. Uma negociação que leva pessoas sem expressão a comandar uma área tão importante, uma área que tem ajudado o Brasil a gerar empregos, a gerar riqueza e ter resultados na balança comercial. Você não sabe direito nem o nome desses ministros. Nós precisamos mudar esse quadro, nós precisamos fortalecer a instituição. Colocar gente que a agricultura brasileira reconheça como competente, que possa buscar competência que há nas nossas universidades, nas nossas empresas, nos institutos de pesquisa, para vivermos um tempo em que a agricultura será fortalecida no governo federal.

O senhor pretende unificar o Ministério da Agricultura, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e o Ministério da Pesca, caso seja eleito?
Eu acho que a gente tem que mudar, fundamentalmente, em duas direções. Primeiro, temos que ter menos ministérios. Eu já anunciei que teremos metade dos ministérios. Segundo, esses ministérios não podem ser ocupados no balcão dos partidos políticos. Com todo o respeito aos partidos políticos, aos que merecem respeito. Nós precisamos botar gente capaz e competente.

Sabe por quê? Porque eu já fui ministro de Estado. Eu já vi ministros da Agricultura, como Roberto Rodrigues, trabalhando no governo do presidente Lula, e eu sabia que ele era ouvido internamente. Eu já fui governador do Estado duas vezes, e eu sei que se um secretário tem força, força de conhecimento e representatividade naquele setor, ele tem audiência dentro do governo. Se for um ministro fraco, que está ali porque o partido pediu e que não sabe direito das coisas, que não sabe quem são as lideranças do setor, que não conhece a história, que não conhece o que está acontecendo no mundo de mais inovador, o fato é que o setor fica sem ter com quem falar. É o que acontece hoje no Brasil. O setor não encontra uma porta com quem possa tratar o assunto para que ele seja resolvido.

--

Os três principais candidatos à presidência – Aécio Neves (PSDB), Dilma Rousseff (PT) e Eduardo Campos (PSB) – foram convidados para dar entrevista ao Rural Notícias sobre os mesmos pontos. Dilma e Aécio ainda não confirmaram a disponibilidade para participarem.

A entrevista em vídeo veiculada no Rural Notícias e a íntegra de todas as respostas dadas sobre a questão indígena, legislação ambiental, política energética e política cambial está disponível aqui.