Açúcar: Mercado

Açúcar: Mercado

Preocupação com safra do Brasil dá suporte a futuros do açúcar na ICE


Agência Estado - Publicado: 25 Set 2015 - 10:39

Preocupações em torno da safra 2015/16 no Centro-Sul se sobrepuseram ao câmbio no Brasil ontem, e os futuros de açúcar demerara dispararam na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). A percepção no mercado é de que a produção do alimento na temporada será consideravelmente menor do que a inicialmente prevista, algo já sinalizado pelo relatório quinzenal da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), divulgado nesta quinta-feira.

De acordo com a entidade, as usinas da principal região produtora do País destinaram ainda menos matéria-prima para a fabricação de açúcar na primeira quinzena de setembro. O mix no período ficou em 40% para a commodity, contra 43% na segunda metade de agosto e 44% há um ano. Com isso, foram produzidas 1,7 milhão de toneladas de açúcar nos 15 primeiros dias do mês (-32,7%), levando o acumulado do ciclo para 20,8 milhões de toneladas (-10,9%).

No relatório, o próprio diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues, reconheceu que "apesar da desvalorização do real observada nas últimas semanas, os números indicam que as unidades continuam priorizando a produção de etanol, confirmando a expectativa de safra mais alcooleira". Até o momento, a associação mantém sua projeção de produção para o ano em 31,8 milhões de toneladas (-0,6%).

Dá sustento também a moagem atrasada na região por conta das chuvas. Só na primeira quinzena de setembro, a queda foi de 26%, para 29,6 milhões de toneladas. E as preocupações se voltam para os próximos meses, caso o El Niño se intensifique e provoque ainda mais precipitações no Centro-Sul. "O volume final de cana-de-açúcar a ser processado na safra 2015/16 vai depender do ritmo de moagem observado no Estado de São Paulo", onde a quantidade processada está 20 milhões de toneladas aquém do índice verificado em 2014/15, acrescentou Rodrigues.

Em meio a esse cenário, passou praticamente "despercebida" a escalada do dólar ante o real, para uma máxima histórica de R$ 4,2480 no intraday. No fim do dia, fechou em R$ 4,0460 (-2,15%), após declarações do presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini.

Ontem, outubro subiu 24 pontos (2,19%) e fechou em 11,19 cents/lb. Março avançou 31 pontos (2,68%) e terminou em 11,86 cents/lb, com máxima de 11,88 cents/lb (mais 33 pontos) e mínima de 11,50 cents/lb (menos 5 pontos). O spread outubro/março variou de 60 para 67 pontos de prêmio para o segundo contrato da tela.

Nos gráficos, a resistência passou dos rompidos 11,85 cents/lb para os psicológicos 12 cents/lb. Para baixo, o suporte continua em 11,50 cents/lb.

O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a quinta-feira em R$ 52,91/saca, alta de 0,19% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 13,08/saca (+2,43%).