Perspectiva melhora em relação ao déficit hídrico e as perspectivas de moagem
A preocupação com o clima da entressafra, de janeiro a março, diminui com a melhora do regime de chuvas nos canaviais do Centro Sul em fevereiro, apontaram nesta terça-feira (24) as consultorias especializadas ouvidas pelo portal NovaCana.
As opiniões quanto à evolução do clima no período que antecede o início da safra 2015/16 na principal região produtora do país sugerem uma melhora em relação ao déficit hídrico e as perspectivas de moagem.
A preocupação com o clima da entressafra, de janeiro a março, diminui com a melhora do regime de chuvas nos canaviais do Centro Sul em fevereiro, apontaram nesta terça-feira (24) duas consultorias especializadas ouvidas pelo portal NovaCana.
As opiniões quanto à evolução do clima no período que antecede o início da safra 2015/16 na principal região produtora do país sugerem uma melhora em relação ao déficit hídrico registrado em 2014/15 no Centro-Sul.
“O regime de chuvas em boa parte da região canavieira foi positivo e acima da média. Alguns bolsões não foram beneficiados, especialmente em São Paulo. Há preocupação com a seca em Goiás e na região do Triângulo Mineiro, mas acredito que, no geral, o regime de chuvas no acumulado de fevereiro foi positivo para o desenvolvimento da cana”, disse, por telefone, de Campinas, o analista de açúcar da FCStone do Brasil, João Paulo Botelho.
“A expectativa é que março caminhe para um volume de chuvas acima da média”, comentou a gerente de análise de mercado da Czarnikow Brasil, Ana Carolina Ferraz.
A preocupação com o desenvolvimento do clima na entressafra, um importante período para o desenvolvimento da planta, esteve presente nas declarações dos principais grupos do setor ao longo das últimas semanas.
"As chuvas de janeiro ficaram abaixo da média histórica em São Paulo, mas melhores que no ano passado. E fevereiro é um mês que ainda se constrói, do ponto de vista de umidade do solo", disse o presidente da Biosev, Rui Chammas, em entrevista à Reuters antes das fortes chuvas em fevereiro.
“Novembro e dezembro foram meses bons de chuva, dentro da média. Janeiro, como todos sabem, foi um mês complicado. Choveu 30% do volume médio. Mas se o volume de chuva em fevereiro e março for equivalente à média dos últimos anos, o canavial da São Martinho vai ter uma recuperação e imaginamos que o volume de cana no ano que vem não vai ser comprometido”, sinalizou o diretor financeiro e de relação com investidores da São Martinho, Felipe Vichiato, durante conference call com analistas.
Toneladas de cana por hectare
A expectativa de que as chuvas regulares de fevereiro e março possibilitarão uma “recuperação” dos canaviais, começa a ganhar força no mercado a medida que as previsões mais otimistas para o clima se confirmam.
“Em fevereiro, as chuvas vieram muito acima da média histórica, compensando as chuvas abaixo da média registradas em janeiro”, lembrou a executiva da Czarnikow.
“No acumulado até 24 de fevereiro, o clima está ok para a produtividade agrícola. Nosso receio de que a safra ficasse abaixo de 570 milhões de toneladas foi descartado. Nossa previsão de produtividade, com um bom regime de chuvas em março, é de uma recuperação de 0,7-1% do TCH”, apontou Ferraz.
Segundo dados da consultoria britânica, a moagem efetiva de cana do Centro-Sul em 2015/16 é estimada em 570-590 milhões de toneladas.
Já o analista da FCStone preferiu não citar números, mas alertou que “2015/16 ainda é uma safra duvidosa”. “Penso que não haverá uma variação de TCH muito grande em relação à safra passada”, disse.
Quanto às precipitações para o mês de março, Botelho comentou que “as previsões, até agora, são de chuvas dentro ou abaixo da média”. “Se ficar abaixo da média, ainda está relativamente bom, o problema é se as chuvas em março ficarem muito abaixo da média”, completou.
O último relatório de monitoramento da cultura de cana-de-açúcar produzido pelo Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) prevê condições climáticas “mais estáveis” do que no ano anterior para o estado de São Paulo.
“Chuvas mais regulares e um ano com melhores condições climáticas beneficiam a safra atual, que ainda sofre com os desdobramentos da seca de 2014”, resumiu o documento, disponível aqui.
Leonardo Siqueira – NovaCana