Cana: Meio ambiente

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Prêmio voltado a fazendas sustentáveis reconhece propriedade da usina São Manoel


Globo Rural - Publicado: 18 Set 2024 - 15:33

Propriedades rurais do Paraná, Minas Gerais e São Paulo foram eleitas nesta terça-feira, 17, como as mais sustentáveis do Brasil. O trabalho desses produtores foi reconhecido na oitava edição do Prêmio Fazenda Sustentável, em São Paulo (SP).

Entre as grandes áreas, o segundo lugar ficou com a fazenda São Manoel, localizada em São Manuel (SP). São 1.293,7 hectares de área produtiva de cana-de-açúcar, com fruticultura como atividade complementar. A parte reservada soma 262,1 hectares.

A fazenda possui certificações Bonsucro, RenovaBio e Etanol Mais Verde. Conforme os organizadores do prêmio, teve destaque a realização de controle biológico de pragas e o uso de insumos naturais para adubação, como torta de filtro e vinhaça, além da criação de um corredor ecológico, monitoramento da fauna da região e área de soltura de animais resgatados.

“Quero agradecer a todos os colaboradores. Sem o empenho deles, não conseguimos alcançar os nossos objetivos. A gente consegue sim fazer o econômico junto com o ambiental e o social. É possível sim colocar os três pilares em pé", disse o proprietário da fazenda, Silvio Nicoletti. Ele também atua como gerente administrativo e financeiro da usina São Manoel.

Além disso, entre as pequenas propriedades, a Fazenda São Geraldo, em Batatais (SP) obteve o segundo lugar. O local é especializado na produção de mudas de cana-de-açúcar, mas também fabrica cachaça e tem criação de aves de corte. Tudo em uma área produtiva de 3,4 hectares e uma preservada de 1,6 hectare.

Com certificações de produção orgânica e de contabilidade ambiental positiva, a fazenda se destacou pela produção que não usa produtos químicos, pelo aproveitamento dos resíduos, pela preservação de nascentes e pela captação de água de chuva.

Sustentabilidade no setor sucroenergético

Entre os presentes na premiação, o sub-secretário de agricultura do estado de São Paulo, Diógenes Kassaoka, destacou a importância do agronegócio no suporte às políticas públicas. Ele citou como exemplo a participação do setor de açúcar e etanol no gabinete de crise para combate aos incêndios e queimadas que atinge áreas rurais do estado.

“É importante mostrar esse agro que é importante para a segurança alimentar, que vai liderar a transição energética e que se mostrou resiliente nesse período de mudanças climáticas”, observou.

Já o ex-secretário de Agricultura e São Paulo e coordenador da Rede ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta), Francisco Maturro, afirmou que a agropecuária se faz com ciência, tecnologia e com o trabalho dos produtores rurais. Ele ainda afirmou que o Brasil domina a atividade agrícola em regiões de clima tropical.

“No passado, fazíamos a queima controlada, quando não se dominava a tecnologia. A última queimada de cana do estado de São Paulo foi em 2014. Hoje, queimada na cana é prejuízo na veia”, pontuou, alertando que a próxima safra de cana já está comprometida por causa do fogo que atingiu milhares de hectares de lavouras da cultura.

Reconhecimento às boas práticas

A oitava edição do Prêmio Fazenda Sustentável recebeu quase 100 inscrições de propriedades rurais de todas as regiões do Brasil. Após a primeira triagem, 50 avançaram para a segunda fase. Entre os critérios avaliados para a escolha das fazendas está o cumprimento às leis ambientais em conjunto aos direitos trabalhistas e à saúde financeira do negócio.

O Fazenda Sustentável tem patrocínio da Cargill e da Tim, com metodologia desenvolvida e aplicada por Rabobank e Imaflora. A premiação deste ano buscou demonstrar que o aprofundamento da conexão da humanidade com a natureza é a chave para se chegar à verdadeira sustentabilidade na produção agropecuária.

Segundo os organizadores, as novas tecnologias têm sido adotadas por um grupo cada vez maior de produtores, preocupados em aliar uma agricultura mais produtiva e rentável com sustentabilidade. As histórias das propriedades inscritas incluem controle biológico, sistemas regenerativos, bioinsumos e agricultura digital.

Além disso, eles relatam que há uma variedade de tecnologias aplicadas no dia a dia, como imagens de satélites para monitoramento da lavoura, drones para aplicações de defensivos e blockchain no rastreamento de produtos.