Com elevação dos empréstimos e financiamentos em 32,4%, as dívidas da empresa alcançaram o elevado valor de R$ 2,8 bilhões ao final do segundo trimestre de 2015/16
Recentemente, a Tonon Bioenergia nomeou um novo diretor financeiro e conseguiu a reestruturação da dívida, mas a conta continua fechando cada vez mais no vermelho.
Dona de três usinas, a companhia sediada em Bocaína (SP) informou um novo prejuízo trimestral que supera a perda total, de R$ 647 milhões, da safra passada.
Curiosamente, a empresa apresenta como um dos motivos para o resultado negativo publicado neste trimestre, um fato oposto ao verificado nesta safra. Veja a seguir os detalhes e a dificuldade da empresa para carregar os custos financeiros.
Recentemente, a Tonon Bioenergia nomeou um novo diretor financeiro e conseguiu a reestruturação da dívida, mas a conta continua fechando cada vez mais no vermelho.
Dona de três usinas, a companhia sediada em Bocaína (SP) informou um novo prejuízo trimestral que supera a perda total, de R$ 647 milhões, da safra passada. A companhia encerrou o segundo trimestre (de julho a setembro) de 2015/16, negativa em R$ 726,5 milhões.
Somada à perda do primeiro trimestre (R$ 24,9 milhões), a companhia já acumula um resultado negativo de R$ 751,5 milhões na temporada. A perda do semestre é mais de quatro vezes superior à registrada no mesmo período da temporada passada, de R$ 170,7 milhões.
Para justificar a forte deterioração de seus resultados, a companhia reproduziu a mesma explicação apresentada ao mercado no relatório de fechamento da safra 2014/15. Assim, a Tonon atribuiu a perda ao câmbio e a restrição de crédito – combinada à necessidade de investimento intensivo nos canaviais.
Maior seca da história?
Ao falar das perdas do trimestre a empresa afirma que um dos motivos para os resultados negativos foi a “seca mais relevante de toda a história ocorrida na região Centro-Sul”. A explicação vem justo numa safra com a presença do El Niño, que tem trazido um nível de chuvas acima do normal. Mesmo assim, com esta safra caminhando para superar as expectativas de moagem, a Tonon decidiu relembrar os problemas obtidos na safra anterior ao destacar os resultados do trimestre atual.
No segundo trimestre, a receita da empresa caiu em relação ao mesmo período do ano passado. No intervalo mais recente, as vendas resultaram em R$ 311,6 milhões, um número 5,1% inferior ao registrado um ano antes, quando a Tonon arrecadou R$ 328,5 milhões. Ainda assim, a companhia conseguiu reduzir significativamente o custo das vendas, que passaram de R$ 312,8 milhões para R$ 273,2 milhões, uma diminuição de 12,7%.
Impacto financeiro
Na análise do balanço é notável o desequilíbrio causado pelas despesas financeiras. Com a maior parte de seu endividamento em dólar, o custo financeiro aumentou 300% na comparação em base anual, atingindo R$ 2,21 bilhões no segundo trimestre desta safra. A companhia até conseguiu impulsionar as receitas financeiras em 371%, mas o desempenho de R$ 1,47 bilhão não foi o suficiente para cobrir os encargos com pagamento da dívida.
Sem o impacto financeiro, a perda trimestral da Tonon seria de R$ 27 milhões.
Dívidas de R$ 2,8 bilhões
As dívidas da empresa com empréstimos e financiamentos somaram R$ 2,8 bilhões ao final do trimestre. Esse número demonstra um acréscimo de 32,4% em relação ao endividamento marcado no final da safra 2014/15, quando as dívidas atingiam R$ 2,1 bilhões.
Do endividamento total, R$ 268 milhões possuem vencimento no curto prazo. A dívida de longo prazo está relacionada principalmente aos bonds, emitidos no mercado internacional e que foram renegociados neste ano.
Mais cana própria
Desde o início da temporada, do total de cana processado nas usinas, 75% vem de plantio próprio, com os 25% restantes sendo referentes a fornecedores terceiros.
Principalmente devido a um projeto de expansão de uma de suas usinas, a Vista Alegre, realizado na temporada passada, a Tonon precisou investir pesado em seus canaviais, apesar de um período de forte restrição de crédito.
“Investimentos realizados nas unidades Paraíso e Santa Cândida levaram a companhia a passar de 4,9 milhões de cana própria para uma estimativa de 6,1 milhões de cana própria para a safra 2015/16”, aponta o relatório.
Renata Bossle – NovaCana
