Os destaques sobre o preço dos combustíveis na semana de 5 a 11 de março:

Os valores do etanol subiram em 22 estados e os da gasolina tiveram alta em todas as unidades da federação
O consumo do biocombustível é considerado economicamente vantajoso somente em Mato Grosso e Amazonas
O preço do etanol hidratado teve aumento nas usinas mato-grossenses e redução nas goianas e paulistas
Levantamento de preços da ANP foi realizado em 375 cidades brasileiras, três a menos do que na semana anterior
Os preços dos combustíveis do ciclo Otto seguem registrando aumentos na média nacional dos postos brasileiros. Entre 5 e 11 de março, o valor médio do etanol aumentou 2,1%, de R$ 3,88 por litro para R$ 3,96/L. A gasolina, por sua vez, registrou uma alta de 6,1%, indo de R$ 5,25/L para R$ 5,57/L.
Os números foram divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e correspondem a um levantamento feito em 375 cidades, incluindo a maioria das capitais brasileiras.
Apesar da elevação do etanol ter sido menor, o renovável segue em desvantagem comercial. De acordo com a ANP, a relação entre o preço do biocombustível e o de seu concorrente fóssil nos postos foi de 71,1% na média nacional, abaixo dos 73,9% de uma semana antes. Assim, o índice ainda supera o limite considerado economicamente vantajoso para o biocombustível, de 70%.
Nas médias estaduais, o etanol é competitivo somente em Mato Grosso e no Amazonas. No caso do segundo estado, que geralmente não está dentre os com relações de preços favoráveis ao etanol, o ineditismo ocorreu especialmente por um aumento de 15,5% no preço da gasolina na semana – o etanol, por sua vez, subiu 14,3%.

Nas usinas paulistas, o hidratado saiu de R$ 2,7548/L para R$ 2,6937/L. A queda foi de 2,2%, conforme dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP. Além disso, houve baixa de 1,4% nas produtoras goianas e incremento de 0,6% nas mato-grossenses.
Com a troca da empresa terceirizada responsável pelo levantamento da ANP, a amostragem de municípios tem mudado a cada análise. No período mais recente, a pesquisa foi feita em 375 cidades, três a menos do que uma semana antes, comprometendo a avaliação mais precisa.
Segundo a ANP, de 5 a 11 de março, os preços do etanol subiram em 22 estados, caíram em dois e no Distrito Federal, ficaram estáveis em um e não foram divulgados em um. Já os da gasolina tiveram alta em todas as unidades da federação.

Em São Paulo, o biocombustível teve alta de 1,9%, custando R$ 3,83/L, em média. Já a gasolina foi vendida a R$ 5,38/L, incremento de 5,9%. Com isso, a relação entre os preços ficou em 71,2%, um resultado que não é economicamente favorável ao renovável, mas que está abaixo do observado uma semana antes.
Já em Goiás, o etanol foi comercializado a R$ 4,06/L na média, queda semanal de 0,2%. A gasolina, por sua vez, subiu 0,7%, para R$ 5,52/L. Assim, a relação entre os preços dos combustíveis ficou em 73,6%, desfavorável ao etanol, mas inferior aos 74,3% do período anterior.
Por sua vez, Minas Gerais registrou uma elevação no preço médio do etanol de 1,8%, para R$ 3,90/L, enquanto a gasolina subiu 5,9%, sendo vendida por R$ 5,42/L, em média. Desta forma, o renovável custou o equivalente a 72% do preço do combustível fóssil, com o etanol ainda sem competitividade.
Em Mato Grosso, o preço médio do etanol teve aumento de 10%, indo a R$ 3,63/L – o menor valor entre todos os estados. No período, a gasolina subiu 8,5%, para R$ 5,48/L. Com isso, a relação entre os preços ficou em 66,2%; o resultado está acima de uma semana antes, quando o valor era de 65,3%, mas mantendo a relação vantajosa para o biocombustível.
Já em Mato Grosso do Sul, o etanol ficou estável em R$ 3,88/L. A gasolina, por sua vez, aumentou 3,2%, para R$ 5,23/L. Assim, o valor biocombustível correspondeu a 74,2% do preço de seu concorrente fóssil, em um índice abaixo do observado uma semana antes, mas ainda a mais alta relação dentre os seis principais estados produtores de etanol do país.
Por fim, no Paraná, o biocombustível custou o equivalente a 73% do preço da gasolina. No período, o renovável teve incremento de 1,2%, para R$ 4,13/L, e a gasolina passou por uma elevação de 5,8% para R$ 5,66/L.

Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.
No ano passado, os dados estaduais de preços dos combustíveis referentes à semana de 18 a 24 de setembro não foram divulgados pela ANP e, portanto, não puderam ser comparados. Isso ocorreu, conforme a agência, por conta do fim do contrato com a empresa que realizava o levantamento de preços de combustíveis, em 13 de setembro.
Nas semanas de 25 de setembro a 1º de outubro e de 2 a 8 de outubro, foram divulgados números apenas das capitais brasileiras. Nas semanas subsequentes, outras cidades passaram a elencar a pesquisa, sendo que o levantamento mais recente totalizou 375 municípios.
Atualmente, a empresa contratada pela ANP para a realização do levantamento é a Triad Research Consultoria e Pesquisa de Mercado. A vigência do acordo começou em 26 de setembro e o cronograma prevê um crescimento gradual da amostragem, atingindo 459 municípios até 16 de abril deste ano.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana