Os destaques sobre o preço dos combustíveis na semana de 7 a 13 de maio:

Os valores do etanol subiram em nove estados e no Distrito Federal e os da gasolina tiveram alta em quatro unidades da federação
O consumo do biocombustível é considerado economicamente vantajoso somente em Mato Grosso
O preço do etanol hidratado teve baixa nas usinas mato-grossenses, goianas e paulistas
Levantamento de preços da ANP foi realizado em 430 cidades brasileiras, mesma quantidade vista na semana anterior
Após uma leve elevação, o preço da gasolina voltou a cair na média dos postos brasileiros, conforme números divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O etanol, por sua vez, baixou após quatro semanas consecutivas de aumento.
Entre 7 e 13 de maio, o valor médio do biocombustível desceu 1,4%, de R$ 4,15 por litro para R$ 4,09/L. Já o seu concorrente fóssil reduziu de R$ 5,52/L para R$ 5,49/L, diminuição de 0,5%.
Os valores correspondem a um levantamento feito pela ANP em 430 cidades, incluindo a maioria das capitais brasileiras.
Mesmo assim, o renovável segue em desvantagem comercial. De acordo com a ANP, a relação entre o preço do biocombustível e o de seu concorrente fóssil nos postos foi de 74,5% na média nacional, inferior aos 75,2% de uma semana antes. Assim, o índice supera o limite considerado economicamente vantajoso para o biocombustível, de 70%.
Nas médias estaduais, o etanol é competitivo somente em Mato Grosso.

Conforme apuração realizada pela Agência Estado, a Petrobras deve anunciar uma nova política de preços em breve. O movimento foi estimulado pela queda do petróleo no mercado internacional.
Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o preço do litro da gasolina nas refinarias da Petrobras estava 13% mais alto do que o preço internacional no fechamento da última quarta-feira, 10.
O presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, disse em entrevista ao jornal O Globo, publicada na última sexta-feira, 12, que a nova estratégia comercial da petroleira deve ser concluída nos próximos dias e trará preços “inexoravelmente mais baixos” em comparação com a Política de Paridade de Importação (PPI), que lastreia os valores ao preço do petróleo e ao dólar.
Nas usinas paulistas, o etanol hidratado saiu de R$ 2,7664/L para R$ 2,6373/L. A queda foi de 4,7%, conforme dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP. Além disso, houve baixa de 2,4% nas produtoras goianas e de 4,4% nas mato-grossenses.
Em relação ao valor nos postos, com a troca da empresa terceirizada responsável pelo levantamento da ANP, a amostragem de municípios tem mudado a cada análise. No período mais recente, a pesquisa foi feita em 430 cidades, mesmo número do levantamento anterior, ainda que não sejam necessariamente as mesmas cidades.
Segundo a ANP, de 7 a 13 de maio, os preços do etanol subiram em nove estados e no Distrito Federal, caíram em 12, ficaram estáveis em quatro e não foram apresentados em um. Já os da gasolina tiveram baixa em 22 unidades da federação, alta em quatro e estabilidade em um.

Em São Paulo, o biocombustível teve redução de 1,7%, custando R$ 3,98/L em média. Já a gasolina foi vendida a R$ 5,35/L, baixa de 0,4% no comparativo semanal. Com isso, a relação entre os preços permaneceu em 74,4%; o resultado não é economicamente favorável ao renovável.
Já em Goiás, o etanol foi comercializado a R$ 4,15/L, queda de 1,9%. A gasolina, por sua vez, caiu 0,4%, para R$ 5,56/L. Assim, a relação entre os preços dos combustíveis ficou em 74,6%, desfavorável ao etanol ainda que abaixo ao do período anterior.
Por sua vez, Minas Gerais registrou uma queda de 2,4% no preço médio do etanol, para R$ 4,04/L, enquanto a gasolina reduziu 0,9%, para R$ 5,32/L, em média. Desta forma, o renovável custou o equivalente a 75,9% do preço do combustível fóssil, permanecendo sem competitividade.
Em Mato Grosso, o preço médio do etanol ficou estável em R$ 3,81/L – o menor valor entre todos os estados. No período, a gasolina baixou 0,4% para R$ 5,52/L. Com isso, a relação entre os preços ficou em 69%, índice superior ao de uma semana antes, quando era de 68,8%, mas mantendo a relação vantajosa para o biocombustível.
Já em Mato Grosso do Sul, o etanol caiu 0,7%, para R$ 4,11/L. A gasolina, por sua vez, caiu 0,4%, para R$ 5,20/L. Assim, o valor biocombustível correspondeu a 79% do preço de seu concorrente fóssil, em um índice abaixo do observado uma semana antes, mas na mais alta relação dentre os seis principais estados produtores de etanol do país.
Por fim, no Paraná, o biocombustível custou o equivalente a 77,5% do preço da gasolina. No período, o renovável estabilizou em R$ 4,37/L, enquanto a gasolina caiu 0,2%, para R$ 5,64/L.

Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.
No ano passado, os dados estaduais de preços dos combustíveis referentes à semana de 18 a 24 de setembro não foram divulgados pela ANP e, portanto, não puderam ser comparados. Isso ocorreu, conforme a agência, por conta do fim do contrato com a empresa que realizava o levantamento de preços de combustíveis, em 13 de setembro.
Nas semanas de 25 de setembro a 1º de outubro e de 2 a 8 de outubro, foram divulgados números apenas das capitais brasileiras. Nos períodos subsequentes, outras cidades passaram a elencar a pesquisa, sendo que o levantamento mais recente totalizou 430 municípios.
Atualmente, a empresa contratada pela ANP para a realização do levantamento é a Triad Research Consultoria e Pesquisa de Mercado. A vigência do acordo começou em 26 de setembro de 2022 e o cronograma prevê um crescimento gradual da amostragem, atingindo 459 municípios até 16 de abril deste ano, algo que não foi cumprido.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana