Os destaques sobre o preço dos combustíveis na semana de 16 a 22 de abril:

Os valores do etanol subiram em 17 estados e no Distrito Federal e os da gasolina tiveram alta em 12 unidades da federação
O consumo do biocombustível é considerado economicamente vantajoso somente em Mato Grosso
O preço do etanol hidratado teve alta nas usinas mato-grossenses, goianas e paulistas
Levantamento de preços da ANP foi realizado em 264 cidades brasileiras, 152 a menos do que na semana anterior
Após duas semanas seguidas de elevação, o preço da gasolina ficou estável na média dos postos brasileiros, conforme números divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O etanol, por sua vez, subiu pela segunda semana consecutiva.
Entre 16 e 22 de abril, o valor médio do biocombustível aumentou 2,1%, de R$ 3,90 por litro para R$ 3,98/L. Já o seu concorrente fóssil se manteve em R$ 5,51/L.
Os valores correspondem a um levantamento feito pela agência em 264 cidades, incluindo a maioria das capitais brasileiras.
Com isso, o renovável segue em desvantagem comercial. De acordo com a ANP, a relação entre o preço do biocombustível e o de seu concorrente fóssil nos postos foi de 72,2% na média nacional, acima dos 70,8% de uma semana antes. Assim, o índice supera o limite considerado economicamente vantajoso para o biocombustível, de 70%.
Nas médias estaduais, o etanol é competitivo somente em Mato Grosso.

Nas usinas paulistas, o hidratado saiu de R$ 2,8953/L para R$ 3,0917/L. A alta foi de 6,8%, conforme dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP. Além disso, houve aumento de 5,2% nas produtoras goianas e de 4,1% nas mato-grossenses.
Em relação ao valor nos postos, com a troca da empresa terceirizada responsável pelo levantamento da ANP, a amostragem de municípios tem mudado a cada análise. No período mais recente, a pesquisa foi feita em 264 cidades, 152 a menos do que uma semana antes.
Segundo a ANP, de 16 a 22 abril, os preços do etanol subiram em 17 estados e no Distrito Federal, caíram em seis, ficaram estáveis em dois e não foram divulgados em um. Já os da gasolina tiveram baixa em 15 unidades da federação e alta em 12.

Em São Paulo, o biocombustível teve elevação de 2,9%, custando R$ 3,90/L em média. Já a gasolina foi vendida a R$ 5,35/L, um aumento de 0,4% no comparativo semanal. Com isso, a relação entre os preços ficou em 72,9%; o resultado não é economicamente favorável ao renovável e está acima dos 71,1% observados uma semana antes.
Já em Goiás, o etanol foi comercializado a R$ 4,06/L, queda de 0,5%. A gasolina, por sua vez, caiu 0,2%, para R$ 5,53/L. Assim, a relação entre os preços dos combustíveis ficou em 73,4%, desfavorável ao etanol e pouco abaixo do período anterior.
Por sua vez, Minas Gerais registrou um aumento de 2,6% no preço médio do etanol, para R$ 3,89/L, enquanto a gasolina aumentou 0,6% para R$ 5,28/L, em média. Desta forma, o renovável custou o equivalente a 73,7% do preço do combustível fóssil, permanecendo sem competitividade.
Em Mato Grosso, o preço médio do etanol subiu 0,3% para R$ 3,60/L – o menor valor entre todos os estados. No período, a gasolina caiu 0,4%, indo a R$ 5,50/L. Com isso, a relação entre os preços ficou em 65,5%, índice superior ao de uma semana antes, quando era de 65%, mas mantendo a relação vantajosa para o biocombustível.
Já em Mato Grosso do Sul, o etanol aumentou 1,5%, para R$ 3,94/L. A gasolina, por sua vez, baixou 1%, para R$ 5,15/L. Assim, o valor biocombustível correspondeu a 76,5% do preço de seu concorrente fóssil, em um índice acima do observado uma semana antes e na mais alta relação dentre os seis principais estados produtores de etanol do país.
Por fim, no Paraná, o biocombustível custou o equivalente a 72% do preço da gasolina. No período, o renovável subiu 0,5%, para R$ 4,06/L, enquanto a gasolina ficou baixou 0,2%, para R$ 5,64/L.

Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.
No ano passado, os dados estaduais de preços dos combustíveis referentes à semana de 18 a 24 de setembro não foram divulgados pela ANP e, portanto, não puderam ser comparados. Isso ocorreu, conforme a agência, por conta do fim do contrato com a empresa que realizava o levantamento de preços de combustíveis, em 13 de setembro.
Nas semanas de 25 de setembro a 1º de outubro e de 2 a 8 de outubro, foram divulgados números apenas das capitais brasileiras. Nos períodos subsequentes, outras cidades passaram a elencar a pesquisa, sendo que o levantamento mais recente totalizou 264 municípios.
Atualmente, a empresa contratada pela ANP para a realização do levantamento é a Triad Research Consultoria e Pesquisa de Mercado. A vigência do acordo começou em 26 de setembro de 2022 e o cronograma prevê um crescimento gradual da amostragem, atingindo 459 municípios até 16 de abril deste ano, algo que não foi cumprido.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana