Os destaques sobre o preço dos combustíveis na semana de 23 a 29 de outubro:

O valor do etanol subiu em 16 estados e no Distrito Federal; já o da gasolina teve aumento em 15
O consumo do biocombustível é considerado economicamente vantajoso em Mato Grosso e Paraíba
Etanol hidratado teve queda nas usinas paulistas, mato-grossenses e goianas
Levantamento de preços da ANP foi realizado em 194 cidades brasileiras, 67 a mais que na semana anterior
O preço do etanol segue em alta nas bombas dos postos de combustíveis pelo país, acumulando quatro semanas consecutivas de elevação. Já os da gasolina apresentaram crescimento pela terceira semana seguida, após 15 de retração.
De 23 a 29 de outubro, na média nacional, o biocombustível passou de R$ 3,54 por litro para R$ 3,63/L, alta de 2,5%. Já a gasolina foi de R$ 4,88/L para R$ 4,91/L, um incremento de 0,6%.
Os valores foram divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e correspondem a 194 cidades, incluindo a maioria das capitais brasileiras.
De acordo com a ANP, como a alta do etanol foi superior à da gasolina, a relação entre o preço do biocombustível e o de seu concorrente fóssil nos postos foi de 73,9%. O resultado ficou acima do visto uma semana antes, de 72,5%, e é superior ao limite considerado economicamente vantajoso para o etanol, de 70%.
Nas médias estaduais, por sua vez, o renovável só é tido como competitivo em Mato Grosso e Paraíba.

Nas usinas paulistas, o etanol hidratado saiu de R$ 2,7211/L para R$ 2,6829/L. A redução foi de 1,4%, conforme dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP. Da mesma forma, houve uma queda de 1,3% nas produtoras goianas e de 0,3% nas mato-grossenses.
Já segundo dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), na última quinta-feira, 27, os preços da gasolina estavam 18% menores no mercado brasileiro em relação ao internacional.
Com os valores congelados, a Petrobras alega utilizar outra fórmula para medir a defasagem de preços no comparativo com o mercado externo.
Conforme projeções da StoneX que simulam o consumo no último trimestre de 2022, a implementação do teto do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) nos estados e a isenção dos impostos federais sobre o preço dos combustíveis pode ter tornado os cenários da gasolina e do etanol mais dinâmicos e competitivos.
De acordo com a consultoria, a mudança nas alíquotas favoreceu o crescimento de combustíveis fósseis, o que proporcionou uma relação entre os preços acima de 70% em grande parte do Centro-Sul. Com isso, o mercado do renovável sofre baixa e a gasolina ganha espaço.
Em meio à troca da empresa responsável pelo levantamento, a amostragem de municípios tem mudado a cada análise. No período mais recente, a pesquisa foi feita em 194 cidades, 67 acima do que uma semana antes. Esta diferença no número, contudo, compromete a comparação.
Segundo a ANP, de 23 a 29 de outubro, os preços do etanol caíram em cinco estados, subiram em 16 e no Distrito Federal, ficaram estáveis em quatro e não foram divulgadas em um. Já os da gasolina tiveram redução em dez estados, subiram em 15 e ficaram estáveis em dois.

Em São Paulo, o biocombustível teve um incremento de 3,5%, custando R$ 3,58/L em média. Já a gasolina foi vendida a R$ 4,84/L, aumento de 1,7%. Com isso, a relação entre os preços ficou em 74%, um resultado que não é economicamente favorável ao renovável e que está acima dos 72,7% de uma semana antes.
Já em Goiás, o etanol foi comercializado a R$ 3,4/L na média, alta de 3,3% no período analisado; enquanto isso, a gasolina subiu 0,8%, para R$ 4,77/L. Assim, a relação entre os preços dos combustíveis ficou em 71,3%, acima dos 69,6% do período anterior e deixando de ser favorável no estado.
Por sua vez, Minas Gerais registrou um acréscimo de 2,8% no preço médio do etanol, que foi comercializado a R$ 3,63/L. A gasolina passou por uma alta de 0,8%, para R$ 4,84/L, em média. Desta forma, o renovável custou o equivalente a 75% do preço do combustível fóssil, com o etanol ainda sem competitividade e acima dos 73,5% de uma semana antes.
Em Mato Grosso, o preço médio do etanol teve um aumento de 5,1%, indo para R$ 3,29/L. No período, a gasolina subiu 0,4%, para R$ 4,92/L. Com isso, a relação entre os preços ficou em 66,9%, com o etanol se mantendo economicamente vantajoso ao consumidor, mesmo com o índice acima de uma semana antes, de 63,9%. Esta também é a menor relação entre os preços dos combustíveis dentre todos os estados.
Já em Mato Grosso do Sul, o etanol subiu 1,7%, ficando em R$ 3,58/L. A gasolina, por sua vez, aumentou 0,9% para R$ 4,69/L. Assim, o biocombustível custou o equivalente a 76,3% do preço de seu concorrente fóssil, acima dos 75,7% registrados uma semana antes.
Por fim, no Paraná, o biocombustível custou o equivalente a 77,2% do preço da gasolina, a mais alta relação dentre os seis principais estados produtores de etanol do país. No período, o renovável teve um incremento de 0,5%, sendo vendido por R$ 3,83/L na média estadual, o valor mais alto entre os maiores produtores do biocombustível. Já a gasolina teve baixa de 0,4% para R$ 4,96/L.

Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.
Os dados estaduais de preços dos combustíveis referentes à semana de 18 a 24 de setembro não foram divulgados pela ANP e, portanto, não puderam ser comparados. Isso ocorreu, conforme a agência, por conta do fim do contrato com a empresa que realizava o levantamento de preços de combustíveis, em 13 de setembro.
Nas semanas de 25 de setembro a 1º de outubro e de 2 a 8 de outubro, a agência divulgou números apenas das capitais brasileiras. Nas semanas subsequentes, outras cidades passaram a elencar a pesquisa, sendo que o levantamento mais recente totalizou 194 municípios.
Atualmente, a empresa contratada pela ANP para a realização do levantamento é a Triad Research Consultoria e Pesquisa de Mercado. A vigência do acordo começou em 26 de setembro e o cronograma prevê um crescimento gradual da amostragem, atingindo 459 municípios até 16 de abril de 2023.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana