Os destaques sobre o preço dos combustíveis na semana de 19 a 25 de fevereiro:

Os valores do etanol caíram em 13 estados e os da gasolina em 11 unidades da federação
O consumo do biocombustível é considerado economicamente vantajoso somente em Mato Grosso
O preço do etanol hidratado teve aumento nas usinas mato-grossenses, goianas e paulistas
Levantamento de preços da ANP foi realizado em 363 cidades brasileiras, mesma quantia do que na semana anterior
Pela segunda semana seguida, os preços dos combustíveis do ciclo Otto ficaram praticamente estáveis na média nacional dos postos brasileiros. Entre 19 e 25 de fevereiro, o valor do etanol caiu 0,3%, de R$ 3,80 por litro para R$ 3,79/L. A gasolina, por sua vez, registrou uma alta de 0,2%, indo de R$ 5,07/L para R$ 5,08/L.
Os valores foram divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e correspondem a um levantamento feito em 363 cidades, incluindo a maioria das capitais brasileiras.
Com isso, o etanol segue em desvantagem comercial. De acordo com a ANP, a relação entre o preço do renovável e o de seu concorrente fóssil nos postos foi de 74,6% na média nacional, pouco abaixo dos 75% de uma semana antes. Ainda assim, o índice supera o limite considerado economicamente vantajoso para o etanol, de 70%.
Nas médias estaduais, o renovável segue competitivo somente em Mato Grosso.

Nas usinas paulistas, o etanol hidratado saiu de R$ 2,698/L para R$ 2,7126/L. O aumento foi de 0,5%, conforme dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP. Além disso, houve incremento de 2,1% nas produtoras goianas e de 1% nas mato-grossenses.
Apesar da calmaria nos preços dos combustíveis nas últimas semanas, anúncios recentes devem alterar este cenário de forma considerável.
A partir desta quarta-feira, 1º, a Petrobras reduziu o preço da gasolina e do diesel nas suas refinarias. O preço médio de venda de gasolina A da petroleira para as distribuidoras passará de R$ 3,31/L para R$ 3,18/L, uma queda de R$ 0,13 por litro, ou 3,9%.
A retração acontece após negociações sobre a volta dos impostos federais sobre a gasolina e o etanol, que também passa a valer a partir desta quarta-feira. A reoneração foi informada pelo Ministério da Fazenda na última segunda-feira, 27.
Os tributos serão de R$ 0,47/L para a gasolina e de R$ 0,02/L para o etanol. A indústria do biocombustível comemorou a decisão, pois ela tende a oferecer mais competitividade para o renovável.
Segundo cálculos da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), por conta da redução nas refinarias da Petrobras, o impacto médio da reoneração da gasolina nas bombas será uma elevação de R$ 0,25/L.
Com a troca da empresa terceirizada responsável pelo levantamento da ANP, a amostragem de municípios tem mudado a cada análise. No período mais recente, entretanto, a pesquisa foi feita em 363 cidades, mesma quantidade vista uma semana antes, embora não sejam necessariamente as mesmas localidades.
Segundo a ANP, de 19 a 25 de fevereiro, os preços do etanol subiram em sete estados e no Distrito Federal, caíram em 12, ficaram estáveis em seis e não foram divulgados em um. Já os da gasolina tiveram alta em nove unidades da federação, queda em 11 e estabilidade em sete.

Em São Paulo, o biocombustível teve uma retração de 0,3%, custando R$ 3,69/L, em média. Já a gasolina foi vendida a R$ 4,95/L, baixa de 0,4%. Com isso, a relação entre os preços ficou em 74,5%, um resultado que não é economicamente favorável ao renovável e que está levemente acima do observado uma semana antes.
Já em Goiás, o etanol foi comercializado a R$ 3,80/L na média, queda semanal de 1,3%. A gasolina também baixou 2%, para R$ 5,01/L. Assim, a relação entre os preços dos combustíveis ficou em 75,8%, desfavorável ao etanol, e acima dos 75,3% do período anterior.
Por sua vez, Minas Gerais registrou uma estabilidade no preço médio do etanol em R$ 3,76/L, enquanto a gasolina subiu 0,4%, sendo vendida por R$ 4,97/L, em média. Desta forma, o renovável custou o equivalente a 75,7% do preço do combustível fóssil, com o etanol ainda sem competitividade.
Em Mato Grosso, o preço médio do etanol teve baixa de 2,4%, indo a R$ 3,28/L – o menor valor entre todos os estados. No período, a gasolina caiu 1,2%, para R$ 4,98/L. Com isso, a relação entre os preços ficou em 65,9%; o resultado está abaixo de uma semana antes, quando o valor era de 66,7%, mantendo a relação vantajosa para o biocombustível.
Já em Mato Grosso do Sul, o etanol teve baixa 0,3%, para R$ 3,83/L. A gasolina, por sua vez, caiu 0,6%, para R$ 4,85/L. Assim, o valor biocombustível correspondeu a 79% do preço de seu concorrente fóssil, em um índice acima do observado uma semana antes e a mais alta relação dentre os seis principais estados produtores de etanol do país.
Por fim, no Paraná, o biocombustível custou o equivalente a 77,4% do preço da gasolina. No período, o renovável teve incremento de 0,2%, para R$ 4,03/L, e a gasolina passou por uma estabilidade em R$ 5,21/L.

Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.
No ano passado, os dados estaduais de preços dos combustíveis referentes à semana de 18 a 24 de setembro não foram divulgados pela ANP e, portanto, não puderam ser comparados. Isso ocorreu, conforme a agência, por conta do fim do contrato com a empresa que realizava o levantamento de preços de combustíveis, em 13 de setembro.
Nas semanas de 25 de setembro a 1º de outubro e de 2 a 8 de outubro, foram divulgados números apenas das capitais brasileiras. Nas semanas subsequentes, outras cidades passaram a elencar a pesquisa, sendo que o levantamento mais recente totalizou 363 municípios.
Atualmente, a empresa contratada pela ANP para a realização do levantamento é a Triad Research Consultoria e Pesquisa de Mercado. A vigência do acordo começou em 26 de setembro e o cronograma prevê um crescimento gradual da amostragem, atingindo 459 municípios até 16 de abril deste ano.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana