Milho

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Preços internos do milho avançaram em outubro pelo segundo mês consecutivo


Cepea/Esalq - Publicado: 20 Nov 2023 - 08:41 | Atualizado: 21 Nov 2023 - 09:35

Os preços internos do milho avançaram em outubro pelo segundo mês consecutivo, voltando a operar nos patamares observados em maio deste ano, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP.

Conforme a análise, o impulso veio sobretudo da demanda internacional aquecida e da necessidade de recomposição de estoques por parte de compradores domésticos. Além disso, a retração de vendedores sustentou o movimento de valorização – estes agentes, capitalizados e sem necessidade de liberar espaços nos armazéns, preferiram se afastar do spot, à espera de aumentos mais expressivos nos preços.

No acumulado de outubro (entre 29 de setembro e 31 de outubro), o Indicador ESALQ/BM&FBovespa (referência Campinas – SP) subiu 4,4%, fechando a R$ 60,02 a saca de 60 quilos no dia 31, patamar que não verificado desde maio deste ano, ainda conforme o Cepea.

A média mensal de outubro, de R$ 59,13 a saca de 60 quilos, ficou 8,3% acima da de setembro. Quanto aos preços regionais, no acumulado do mês, houve alta de 3,9% no mercado disponível (negociações entre empresas) e de 2,1% no de balcão.

De setembro para outubro, os avanços nas médias foram de 4,6% e de 2,3%. Na B3, influenciados pelas valorizações do dólar e externa em alguns momentos do mês, os vencimentos também subiram. O centro de estudos completa que os contratos novembro e janeiro se valorizaram 4,1% e 3,9% de 29 de setembro e 31 de outubro, fechando a R$ 60,70 e a R$ 64,73 a saca de 60 quilos no dia 31.

Portos

Apesar de o ritmo de comercialização nos portos ter diminuído ao longo de outubro, os embarques do milho se mantiveram aquecidos, reflexo das entregas de lotes negociados antecipadamente, conforme o Cepea.

Segundo dados da Secex, foram embarcadas 8,44 milhões de toneladas em outubro, superando em 24,5% o volume de outubro de 2022, mas 3,5% inferior ao de setembro deste ano. Quanto aos preços levantados pelo Cepea nos portos, as médias em Paranaguá (PR) e em Santos (SP) acumularam respectivas altas de 3% e de 2,2%, entre setembro e outubro.

Vendas

Mesmo diante da demanda externa aquecida e da maior procura nacional, a comercialização brasileira está atrasada frente à temporada anterior. Segundo os dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), o volume comercializado nesse estado somava 71,84% do total até o início de outubro, abaixo dos 78,48% da safra anterior.

No Paraná, a Seab/Deral indica que a comercialização da segunda somava 47% até o final de outubro, atraso de 11 pontos percentuais em relação à temporada anterior. Já em Mato Grosso do Sul, o percentual da safra comprometido é de 55,7%, contra 58% em 2022, segundo a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul).

Campo

Nos primeiros dias outubro, a colheita da safra 2022/23 foi finalizada no Brasil, ao passo que a semeadura da safra verão 2023/24 progrediu, apesar do excesso de chuvas e da incidência de pragas, principalmente nas lavouras do Sul do país, conforme o Cepea.

Dados da Conab mostram que, até 29 de outubro, a média nacional de semeadura somava 37,2% da área esperada. Dentre os principais estados produtores de primeira safra, em Santa Catarina, a semeadura chegou a 81% da área, ainda conforme dados da Conab.

Já no Paraná, 93% da área estadual havia sido semeada até o dia 30, segundo a Seab/Deral. A Secretaria estima que a produção da safra verão do Paraná some 3,12 milhões de toneladas, queda de 18% em relação à de 2022/23.

No Rio Grande do Sul, por sua vez, a Emater/RS indicou que as lavouras de milho apresentavam desenvolvimento “satisfatório”, mesmo diante do elevado volume de chuvas. O relatório do dia 1° de novembro mostra que 78% da área destinada ao cereal da primeira safra havia sido semeada no estado sul-rio-grandense.

Estimativas

Em relatório divulgado em outubro, a Conab seguiu indicando produção recorde em 2022/23, de 131,86 milhões de toneladas, mas redução para a próxima temporada 2023/24. Para 2023/24, a expectativa é que a produção brasileira some, nas três safras, 119,4 milhões de toneladas, redução de 9,5% em relação a 2022/23, mantendo as maiores quedas para a segunda e a terceira temporadas, que devem somar 91,21 milhões de toneladas e 2 milhões de toneladas, respectivamente, diminuições de 10,7% e de 13,5% em relação à atual temporada.

Para a safra verão que está sendo semeada, a colheita deve ser de 26,16 milhões de toneladas, com retração de 4,4%. Quanto ao consumo, segundo o Cepea, este deve ser 6% maior, em 84,48 milhões de toneladas, e as exportações, 27% menores, estimadas em 38 milhões de toneladas. Assim, os estoques, em janeiro de 2025, devem ser de 9,3 milhões de toneladas, abaixo das 10 milhões estimadas para 2022/23.

Em termos mundiais, o USDA estimou, também em outubro, a produção 2023/24 em 1,21 bilhão de toneladas, 5% superior à de 2022/23, com destaques para as maiores colheitas nos Estados Unidos, na China, no Brasil e na Argentina.

Internacional

Na Bolsa de Chicago, os vencimentos futuros acumularam baixas, pressionados pelo avanço da colheita nos Estados Unidos, pela melhora do clima na Argentina, em outubro, e pela ampla oferta brasileira para exportação. Com isso, entre 29 de setembro e 31 de outubro, os contratos dezembro e março avançaram leves 0,42% e 0,25%, fechando a US$ 4,7875 o bushel (US$ 188,47/t) e US$ 4,93 o bushel (US$ 194,08/t) no último dia.

Nos Estados Unidos, a colheita alcançou 71% da área, conforme o relatório do USDA do dia 29, acima da média dos últimos cinco anos, de 66%. Na Argentina, a Bolsa de Cereales, em relatório divulgado no do dia 2, indicou que 23,4% da área havia sido semeada.