Os preços mundiais do açúcar subiram nesta segunda-feira, 9, quando a guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã interrompeu o fornecimento de petróleo, elevando os preços da commodity para US$ 119 por barril e provocando temores de que as usinas de cana brasileiras aumentem a produção de etanol em detrimento do açúcar.
A maior parte do etanol no Brasil, o maior produtor e exportador de açúcar do mundo, é produzida a partir da cana-de-açúcar, o que significa que o aumento da alocação de cana para a produção de biocombustível reduziria a matéria-prima disponível para a produção de açúcar.
Os preços futuros do açúcar bruto na bolsa ICE subiram 0,49 centavo de dólar, ou 3,5%, a 14,59 centavos de dólar por libra-peso, enquanto os futuros do açúcar branco subiram 1,4%, para US$ 420,50 a tonelada, depois de terem subido quase 3% anteriormente.

A demanda por etanol está crescendo graças à alta dos preços do petróleo, que agora mais do que dobraram desde o início do ano, disse o diretor da corretora e consultora AP Commodities, Alberto Peixoto.
Os preços do petróleo subiram para seus níveis mais altos desde meados de 2022, já que o Estreito de Ormuz permaneceu praticamente fechado, cortando o acesso de países do mundo todo a um quinto dos suprimentos globais de petróleo e gás natural liquefeito.
Um corretor de açúcar com sede nos EUA disse que os fundos parecem estar reduzindo sua posição vendida quase recorde em açúcar bruto, outro fator por trás do forte aumento de hoje.
“Alguns investidores não querem ficar expostos a um possível aumento nos preços do açúcar devido ao aumento do petróleo”, disse ele.
O aumento dos preços da energia ofuscou o impacto da alta do dólar, que normalmente restringe as commodities cotadas em dólar, como o açúcar, tornando-as mais caras para os detentores de moedas não americanas.
O que está mantendo os ganhos do açúcar sob controle, entretanto, é o risco de uma demanda mais fraca dos Estados do Golfo Pérsico. De acordo com o consultor de açúcar Michael McDougall, o Golfo importa cerca de 10% do açúcar bruto do mundo pelo Estreito de Ormuz a cada ano.
May Angel e Marcelo Teixeira