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O que está por trás dos preços exorbitantes dos RINs de etanol nos EUA

rin-prices-2-020413A situação motiva um debate intenso nos EUA. Confira abaixo os detalhes da venda desses créditos e as explicações para a forte alta nos preços dos RINs.
NovaCana 8 min de leitura
O consumo de combustíveis nos Estados Unidos é regulado pelo governo e estabelece volumes crescentes para a mistura de combustíveis renováveis que alimentam a frota do país. Para garantir o uso dos biocombustíveis, foi criado um sistema de comercialização "simbólica": as companhias de petróleo possuem a opção de comprar um crédito, ao invés de um galão de combustível renovável para cumprir a norma. A comercialização destes créditos está relacionada ao número de série, definido pela sigla RIN, que rastreia todas as etapas para produção de um biocombustível e estabelece uma espécie de cotação para cada classe de produtos.

O combustível renovável mais utilizado nos EUA é o etanol feito à base de milho que pode ser misturado à gasolina na proporção de até 10%, limite referido como E10. É o custo do crédito deste etanol que está sob os holofotes neste momento. O motivo é a alta abrupta registrada nos últimos dois meses. Enquanto no final de janeiro o RIN do etanol era comercializado a US$ 0,20, em fevereiro o valor ficou entre US$ 1,05 e $ 1,13. 

Os preços permanecem elevados e motiva um debate intenso nos EUA. Confira abaixo os detalhes da venda desses créditos e as explicações para a forte alta nos preços dos RINs.

O consumo de combustíveis nos Estados Unidos (EUA) é regulado pelo governo e estabelece volumes crescentes para a mistura de combustíveis renováveis que alimentam a frota do país. Para garantir o uso dos biocombustíveis, foi criado um sistema de comercialização "simbólica": as companhias de petróleo possuem a opção de comprar um crédito, ao invés de um galão de combustível renovável para cumprir a norma. A comercialização destes créditos está relacionada ao número de série, definido pela sigla RIN, que rastreia todas as etapas para produção de um biocombustível e estabelece uma espécie de cotação para cada classe de produtos.

O combustível renovável mais utilizado nos EUA é o etanol feito à base de milho, que pode ser misturado à gasolina na proporção de até 10%, limite referido como E10. É o custo do crédito deste renovável que está sob os holofotes neste momento. O motivo é a alta abrupta registrada nos últimos dois meses. Enquanto no final de janeiro o RIN do etanol era comercializado a US$ 0,20, em fevereiro o valor ficou entre US$ 1,05 e $ 1,13. 

Os preços permanecem elevados e motiva um debate intenso nos EUA. Confira abaixo os detalhes da venda destes créditos e as explicações para a forte alta nos preços dos RINs.

Em artigo, traduzido pelo portal NovaCana, os pesquisadores do Departamento de Economia Agrícola e do Consumidor da Universidade de Illinois Darrel L. Good e Scott H. Irwin explicam os fatores que influenciaram a súbita elevação dos créditos de etanol e desvendam os fatores que podem alterar esta tendência, assim como prováveis caminhos. Confira abaixo na íntegra:

Explosão de Preços RINs Etanol: Qual é a história?

Este texto tem dois objetivos: dar uma breve explicação sobre a causa por trás do forte aumento nos preços dos créditos RINS de etanol (D6) e identificar os fatores que podem vir a influenciar o comportamento futuro desses preços. Os RINs são a base do sistema de contagem criado pela Agência de Proteção Ambiental (EPA–Environmental Protection Agency) para implementar os volumes de mistura obrigatória de combustível determinados pela Norma de Combustíveis Renováveis (RFS2–Renewable Fuel Standard). Um RIN (Renewable Identification Number) é um número de 38 dígitos designado para cada galão ou batelada de combustível renovável produzido ou importado nos Estados Unidos. Cada RIN acompanha o biocombustível a que está associado por toda a cadeia produtiva até um momento em que é separado. A partir daí, o RIN pode ser empregado para cumprir o volume de um agente obrigado (agente misturador de combustível) ou então negociado com outro agente ou especuladores, potencialmente para ser empregado no cumprimento de um volume obrigatório futuro. Assim, pela aplicação de RINs que representam biocombustíveis adquiridos e adicionados fisicamente ou então adquiridos de terceiros, o sistema de RINs permite que os agentes cumpram seus volumes obrigatórios individuais.

Até pouco tempo atrás, os RINs de etanol (D6) estavam sendo negociados a um preço relativamente baixo, variando dentro de uma margem relativamente estreita. O baixo valor dos RINs D6 desde o fim de 2009 até 2012 era reflexo de dois fatores: a lucratividade positiva obtida na adição do etanol e um grande volume de RINs excedentes. O valor dos créditos RIN D6 manteve-se baixo enquanto a adição de etanol era rentável, o volume de mistura obrigatório não era substancialmente maior do que o teto de mistura e havia oferta abundante de créditos RIN.

O que mudou, então? Como indicado na figura abaixo, o valor dos RINs D6 gerados em 2012 deu um salto extraordinário a partir do começo de 2013, passando de cerca de US$ 0,05 por galão no fim de dezembro para cerca de US$ 0,26 no começo de fevereiro, indo para acima de US$ 0,70 por galão. Incorretamente, alguns atribuíram esse aumento a um cenário de incertezas, que abrangia a seca nos EUA, as contínuas cotações altas do milho e uma disponibilidade limitada ou preço elevado do etanol. O valor declinante dos futuros do milho em dezembro de 2013, no entanto, implica que as recentes precipitações pluviométricas reduziram a preocupação quanto ao tamanho da safra de milho americana em 2013, pelo menos por enquanto.

O motivo fundamental para a alta no valor dos RINs D6 reside na iminente colisão do teto de mistura do E10 com o crescente volume de mistura obrigatória de renováveis (etanol) estipulado pela RFS. Como resultado dessa situação, a perspectiva é que ocorra uma rápida utilização dos estoques de RINs D6 em 2013 e 2014, já que, em função do teto de mistura, a adição física de etanol será, cada vez mais, insuficiente para atender os níveis obrigatórios de mistura. Este é um aviso que já fazíamos desde setembro passado (aqui e aqui). Não fomos os únicos a alertar sobre a situação. Colegas da Universidade de Missouri publicaram um relatório em dezembro cujo título é bastante apropriado: "Uma pergunta valendo bilhões: por que o preço dos RINs convencionais não está mais alto?"

Acreditava-se que o volume disponível de créditos RIN D6 em 1º de janeiro de 2013 fosse de 2,6 bilhões de galões. Com a expectativa de que adição de etanol fique abaixo do nível determinado para este ano, é possível que os estoques de RIN caiam para 1,2 bilhão de galões até o fim do ano. Dado o crescimento lento do teto de mistura do etanol e um nível de mistura maior em 2014, o estoque de créditos RIN poderia esgotar-se em 2014. A perspectiva de não ser possível atender a mistura de etanol com adições físicas, juntamente com a de um rápido declínio nas reservas de créditos RINs num futuro próximo, causou um aumento substancial no valor dos RINs D6. O mistério, portanto, não é que o valor dos RINs tenha alcançado patamares aparentemente inflados, mas o motivo para que o iminente e bastante anunciado problema do teto de mistura tenha demorado tanto para gerar reflexos mais racionais nos valores dos RINs D6.

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Conclusões

A rapidez e a magnitude do recente aumento no preço dos RINs D6 é, de fato, surpreendente. A disparada nos preços pode ter a ver com um volume inusitado de compras especulativas, mas o valor dos créditos RIN D6 está escorado, fundamentalmente, no teto de mistura do etanol. Dois possíveis desenvolvimentos poderiam alterar essa base, resultando num decréscimo no valor dos RINs.

Primeiro, uma expansão mais veloz da adição de etanol por meio do E15 ou do E85 poderia elevar o teto de mistura e reduzir a demanda por créditos RIN D6 para atender a mistura obrigatória de renováveis (etanol). Segundo, uma redução no volume obrigatório de renováveis da RFS também reduziria a demanda por créditos RIN D6.

Embora nenhum desses dois desenvolvimentos esteja no horizonte imediato, é preciso monitorá-los com atenção. Sem uma solução para a questão do teto de mistura do etanol no curto prazo, uma parte do volume obrigatório de renováveis (etanol) vigente a partir de 2014 talvez precise ser cumprido com biocombustíveis avançados ou créditos RIN para biocombustíveis avançados (D4 ou D5), muito provavelmente biodiesel derivado de biomassa (D4). Se for este o caso, o preço dos RINs D6 poderia elevar-se ao mesmo patamar dos RINs D4 de biodiesel. Atualmente, os RINs D4 estão sendo negociados a um prêmio médio de US$ 0,10 sobre os RINs D6.

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Scott Irwin e Darrel Good
Department of Agricultural and Consumer Economics
University of Illinois
Tradução e adaptação: NovaCana
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