Etanol: Preços

Etanol: Preços

[Opinião] Preços dos etanóis recuam na safra nordestina 2022/23


Cepea/Esalq - Publicado: 09 Mai 2023 - 15:01

Por Talita Costa Negri*

Depois de subirem na temporada 2021/22, os preços dos etanóis anidro e hidratado caíram no Nordeste do Brasil na safra 2022/23. A temporada foi oficialmente iniciada em agosto de 2022 e encerrada em março de 2023 – ressalto que, em abril, algumas usinas da região ainda estavam moendo cana.

Ao longo da temporada, boa parte das usinas, sobretudo as de Pernambuco e de Alagoas, esteve focada nas produções do açúcar para exportação e do etanol anidro, diminuindo a oferta do hidratado no mercado à vista nacional.

Além disso, os negócios de anidro na modalidade de contratos cresceu, limitando os volumes destinados ao mercado à vista. Assim, a demanda bastante enfraquecida nos postos foi o fator determinante para a queda nos preços dos etanóis no balanço da safra.

Levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP, mostram que, para o anidro, o preço médio da safra 2022/23 (em termos reais, os valores foram deflacionados pelo IGP-M de março de 2023) foi de R$ 3,3668 por litro em Alagoas; de R$ 3,3619 por litro em Pernambuco; e de R$ 3,4295 por litro na Paraíba.

Os números consideram os Indicadores Cepea/Esalq mensais de agosto de 2022 a março de 2023. Na comparação com as médias da temporada anterior, as retrações foram de 17,65% em Alagoas, de 18,21% em Pernambuco e de 17,75% na Paraíba.

No caso do etanol hidratado, as médias da safra 2022/23 foram de R$ 2,6279 por litro em Alagoas, baixa de 18,58% frente à da temporada 2021/22, em termos reais. Em Pernambuco, a média fechou a R$ 2,6938 por litro, retração de 16,36%. Já na Paraíba, o valor foi de R$ 2,735 por litro, queda de 16,72%, também em termos reais.

Destaca-se que, na Paraíba, a metodologia de cálculo dos preços considera também os contratos firmados e o etanol com origem do Centro-Sul colocado em Cabedelo (PB).

O ano-safra 2022/23 de cana-de-açúcar no Norte-Nordeste – e também no Centro-Sul do Brasil – foi marcado por mudanças políticas e por incertezas tributárias. As alterações especialmente tributárias e econômicas ocorridas durante o período impactaram sobre o setor e exigiram adaptações nos diferentes elos da cadeia.

No âmbito tributário, houve alteração em alguns impostos. A alíquota do ICMS sobre as operações internas do etanol hidratado foi reduzida no Nordeste. Na Paraíba, a alíquota, que antes era de 23%, passou para 15,33%, de acordo com o decreto n. 42.725, de 21 de julho de 2022. Em Pernambuco, foi para 15,52%, segundo a lei n. 17.898, de 15 de julho de 2022; e, em Alagoas, para 19%, segundo o decreto n. 83.840, de 23 de junho de 2022.

Quanto às importações, a taxação (de 18%) sobre o etanol trazido do exterior ao Brasil voltou a ser implementada desde o dia 1º de fevereiro de 2023. A Câmara de Comércio Exterior (Camex) decidiu não renovar a isenção da taxação do etanol importado, com o objetivo de valorizar o setor produtivo brasileiro.

No ano-safra 2022/23, as importações caíram bruscamente frente às da temporada anterior. De agosto de 2022 a março de 2023, foram importados apenas 60,31 milhões de litros, contra 316,82 milhões de litros no mesmo período de 2021/22, forte baixa de 80,96%, segundo dados da Secex. Aqui ressalto que, desde 2017, observa-se recuo nas importações brasileiras de biocombustível.

No campo, o desenvolvimento da safra de cana-de-açúcar foi favorecido pelo clima e as expectativas positivas do setor foram confirmadas, sobretudo na Paraíba. Além do fator climático, os investimentos feitos pelas usinas também justificam os aumentos na produção.

Até a primeira quinzena de março (dados mais atuais), a moagem da safra 2022/23 no Norte e Nordeste somava 96% da cana-de-açúcar estimada para a temporada, com processamento totalizando 55,97 milhões de toneladas, aumento de 5,5% frente à temporada anterior. A previsão é de que a moagem some recorde de 58 milhões de toneladas de cana, superando em 8% o total da safra 2021/22.

Na Paraíba, a moagem em 2022/23 superou o total processado na safra 2021/22, chegando a 6,75 milhões de toneladas (até 28 de fevereiro), 23,04% maior ante o mesmo período da safra anterior. A produção de etanol total (anidro e hidratado) soma 424,94 milhões de litros.

Em Alagoas e Pernambuco, as chuvas acabaram atrapalhando e atrasando a moagem em alguns períodos, estendendo o período de safra até o mês de abril.

Em Alagoas, a moagem de cana chegou a 16 milhões de toneladas até o fim de fevereiro (dados mais recentes), retração de 5,84% frente ao mesmo período da safra anterior. A produção de etanol, por sua vez, caiu 12,78% na comparação com o mesmo período de 2021/22, atingindo 351,64 milhões de litros (anidro e hidratado).

Em Pernambuco, por sua vez, foram esmagadas (até 28 de fevereiro) 12,57 milhões de toneladas de cana, quantidade 2,67% superior à registrada no mesmo período da safra anterior. A produção de etanol total recuou 15% neste ano-safra, somando 302 milhões de litros.

* Talita Costa Negri é pesquisadora do Cepea


Textos opinativos não necessariamente traduzem o posicionamento do NovaCana. A publicação visa estimular o debate e proporcionar uma variedade de pontos de vista para os leitores.