Os preços dos créditos de descarbonização (CBios), vinculados ao programa RenovaBio, continuam em alta. Na primeira quinzena de novembro, o valor médio dos títulos subiu 5,2% ante o período anterior, para R$ 118,04. Em comparação com o ano passado, a elevação é de 16,3%.
Os números são resultados de cálculos realizados pelo NovaCana com base nos dados divulgados pela bolsa de valores brasileira (B3), única entidade registradora do programa.
Com esta elevação, o preço ficou 4,1% acima da média de 2023, de R$ 113,36. O valor também está 37,7% além da média histórica do programa, de R$ 85,71.

Segundo a B3, na quinzena, foram comercializados 2,67 milhões de CBios, representando uma alta anual de 10,8%. No mesmo recorte de tempo em 2022 foram negociados 2,41 milhões de créditos.
Entre 1º e 15 de novembro, os preços oscilaram entre R$ 112,55 e R$ 125. O valor mais baixo foi visto no primeiro dia do mês, enquanto o mais alto apareceu no dia 7.

“Os números refletem todas as operações de compra e venda envolvidas em um ciclo de negociação. Assim, no caso de intermediações realizadas por corretoras ou outras instituições, primeiro é realizada uma operação de compra das quantidades e, depois, uma operação de venda para o investidor final”, explica a B3.
A registradora afirmou ao NovaCana que as negociações a termo já estão disponíveis em seu sistema. De acordo com a entidade, as operações serão divulgadas na data de registro e, caso não sejam liquidadas, serão retiradas do histórico.
No dia 16 de novembro, a B3 iniciou a sessão com 29,21 milhões de créditos em circulação. Do total, 65,8%, ou 19,23 milhões de créditos, estavam em posse das distribuidoras que têm metas a cumprir no programa.
Já as usinas certificadas detinham 8,76 milhões de CBios, o equivalente a 30% do montante. Por fim, os 1,22 milhão de títulos restantes (4,2%) estavam com investidores sem metas.

Com a atualização das metas individuais feita pela ANP, considerando o volume de créditos não aposentados nos objetivos de 2022, as distribuidoras precisarão retirar de circulação 40,95 milhões de CBios até março de 2024. Os créditos atualmente em circulação seriam suficientes para alcançar 71,3% deste objetivo.
Além disso, desde o começo de outubro até agora, 2,47 milhões de créditos foram aposentados, com 1,33 milhão saindo de circulação na última quinzena. Em comparação com os 326,07 mil créditos aposentados em novembro de 2022, houve um aumento de mais de 300%. Neste caso, o volume corresponde a 6% do objetivo das distribuidoras.

Segundo a ANP, 5,5 milhões de CBios referentes à meta de 2023 já haviam sido aposentados até o final de setembro. Este volume, somado aos créditos em circulação e aos aposentados desde então, chega a 37,18 milhões de títulos, o equivalente a 90,8% da meta atualizada para 2023.
Como a B3 não informa quem solicitou a aposentadoria dos créditos, é possível que uma parte deste volume seja referente a investidores que não têm compromissos com o programa. Ainda que esteja previsto que a retirada de títulos feita pelas chamadas “partes não obrigadas” possa ser deduzida dos objetivos finais do RenovaBio, as aposentadorias do ciclo atual devem ser contabilizadas apenas para o próximo.
No período, as usinas certificadas no RenovaBio emitiram 1,02 milhão de CBios, alta anual de 16,7%. Na primeira quinzena de novembro de 2022, foram escriturados 870,71 mil créditos.
Com isso, após o encerramento do prazo para a entrega da meta referente à 2022, o mercado recebeu 4,2 milhões de CBios.

Considerando o acumulado do ano, por sua vez, já foram emitidos 29,14 milhões de títulos, além disso, do início do programa até agora, já foram escriturados 109,75 milhões de CBios.
Segundo a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), 325 unidades participam do RenovaBio atualmente, sendo que quatro fabricam biometano e outras 38, biodiesel.

Dentre as 283 usinas de etanol certificadas, 270 utilizam apenas a cana-de-açúcar como matéria-prima; seis processam cana e milho; seis, apenas milho; e uma produz biocombustível de primeira e de segunda geração de forma integrada.
Giully Regina – NovaCana
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