Os preços dos créditos de descarbonização (CBios), continuaram em queda na primeira quinzena de junho. No período, os títulos custaram, em média, R$ 76,07, retração de 12% em relação a quinzena anterior.
O valor ficou 23% abaixo da média de 2024, de R$ 99,93, e 14,7% inferior à média histórica do programa, de R$ 89,21.
Os números são resultados de cálculos realizados pelo NovaCana a partir dos dados da Bolsa de Valores Brasileira (B3), única entidade registradora do programa.
Uma das justificativas para a queda nos preços é o momento do mercado. De acordo com o Itaú BBA, o segmento está pessimista com a inadimplência no RenovaBio. O banco ainda complementou que as sanções aplicadas pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) são consideradas baixas, o que seria um incentivo para o descumprimento das metas.

Na quinzena, os CBios foram comercializados entre R$ 84,40 e R$ 63,00. O maior valor foi registrado no dia 14, enquanto o menor foi visto no dia 7.

Ainda conforme a B3, 2,17 mil negociações foram registradas na quinzena, movimentando 3,61 milhões de créditos.
No dia 14 de junho, a B3 fechou a sessão com 21,58 milhões de CBios em circulação. Do total, 49,7%, ou milhões de títulos, estavam em posse das usinas certificadas no programa.
Já as distribuidoras com metas a cumprir detinham 10,14 milhões de créditos, o equivalente a 47% do montante. Por fim, os 713,66 mil créditos restantes (3,3%) estavam com investidores sem metas – dentre eles, 60,08 mil CBios estavam em posse de instituições financeiras.

Com isso, os CBios em circulação atualmente seriam suficientes para alcançar 46,5% da meta estipulada para o RenovaBio, que foi atualizada pela ANP, para 46,37 milhões de créditos.
Além do objetivo já definido, de 38,78 milhões de títulos, o valor atual também considera os 7,59 milhões de CBios que não foram entregues em 2023.
Desde o começo de abril até agora, as unidades produtoras já emitiram 8,06 milhões de créditos.

De acordo com a ANP, 329 usinas possuem certificações do RenovaBio aprovadas no momento. Destas, quatro fabricam biometano e outras 38, biodiesel.
Dentre as 287 usinas de etanol certificadas, 273 utilizam apenas a cana-de-açúcar como matéria-prima; cinco processam cana e milho; oito apenas milho; e uma produz biocombustível de primeira e de segunda geração de forma integrada.

Ao longo de 2024, essas companhias já escrituraram 18,48 milhões de CBios.
Por sua vez, do início do programa, em 2020, até agora, 134,7 milhões de créditos foram emitidos pelas usinas.

Na segunda quinzena de maio, 2,06 milhões de CBios foram retirados de circulação pelas distribuidoras, um aumento de 375% em relação aos 433,21 mil aposentados no mesmo período de 2023.
Desde o início de abril até agora, 4,21 milhões de CBios saíram do mercado, totalizando 9,1% da meta estipulada para 2024.

Assim, considerando os títulos disponíveis no mercado, as aposentadorias antecipadas – que totalizaram 2,3 milhões de créditos, segundo a ANP – e os que foram retirados de circulação desde abril, o total chega a 28,28 milhões de títulos, ou 61% da meta anual.
De acordo com a B3, a mais recente aposentadoria realizada por partes não obrigadas aconteceu em novembro de 2023. Na ocasião, apenas dez títulos foram retirados de circulação.
Giully Regina – NovaCana
EXCLUSIVO PARA ASSINANTES
VEJA COMO É FÁCIL E RÁPIDO ASSINAR