O diretor presidente do Grupo Tereos, Alexis Duval, afirmou nesta quarta-feira, 23, que o 'sentimento geral' da companhia com o setor sucroenergético no Brasil 'é de grande frustração'.
O cenário enfrentado no País é de preços baixos do açúcar e, principalmente, do etanol, combustível que enfrenta ainda a baixa competitividade com o controle governamental dos preços da gasolina.
'Não existe potencial para o setor como o do Brasil nas áreas agrícola e competitiva, mas estamos frustrados com os preços baixos do etanol', disse Duval, durante inauguração da planta de amido e xarope de milho da companhia, em Palmital (SP).
O executivo francês criticou ainda a logística para a exportação de açúcar a partir do Brasil, que torna o País menos competitivo em relação a outros concorrentes mundiais. 'Se não melhorar a logística, é difícil no curto prazo', afirmou.
Duval admitiu 'uma retração nos investimentos potenciais' no setor sucroenergético diante do cenário, principalmente em construções de novas usinas e grandes ampliações de unidades já existentes.
'O setor demanda investimento pesado e a situação potencial de preços baixos faz com que o nível (de investimento) seja menor que o do começo dos anos 2000', explicou. 'Isso tem de ser revertido, porque o potencial é grande e, no longo prazo, (o cenário) é positivo', completou.
Com sete usinas produtoras de açúcar, etanol e energia elétrica no Brasil, a companhia segue o plano de investimentos de US$ 500 milhões iniciado em 2010, de acordo com Duval.
Os investimentos priorizam, principalmente, a área agrícola, pequenas ampliações e a cogeração para a produção de energia elétrica. 'Os fundamentos de produção estão no Brasil, mas os fatores mercadológicos causam desconforto e cautela', ratificou Jacyr Costa - diretor da divisão Brasil do Grupo Tereos.