Os futuros de açúcar negociados na ICE fecharam em alta nesta sexta-feira, 31, após uma queda de três semanas que levou os preços à zona de sobrevenda, provocando cobertura técnica de posições vendidas.
O contrato de açúcar bruto com vencimento em março de 2026 fechou em alta de 0,15 centavo de dólar, ou 1,05%, para 14,43 centavos de dólar por libra-peso. Já o contrato de açúcar branco com vencimento em dezembro deste ano subiu US$ 1,70, ou 0,41%, para US$ 415,70 por tonelada.
Os preços da commodity têm estado sob pressão nas últimas semanas e, na quinta-feira, o contrato de açúcar bruto atingiu uma mínima em cinco anos, enquanto o produto refinado contabilizou uma mínima em 4,75 anos. O movimento ocorre, principalmente, devido ao aumento da produção de açúcar no Brasil e às discussões sobre um excedente global de açúcar.

Durante evento, a consultoria Datagro projetou que a produção de açúcar do Centro-Sul do Brasil em 2026/27 aumentará 3,9% ante a safra atual, para um recorde de 44 milhões de toneladas. Já o BMI Group projetou, em 13 de outubro, um excedente global de açúcar de 10,5 milhões de toneladas para a safra 2025/26, e a Covrig Analytics espera um superávit de 4,1 milhões de toneladas.
O aumento da produção de açúcar no Brasil está pressionando os preços para baixo. Na quinta-feira, 30, a União da Indústria de Cana-de-açúcar e Bioenergia (Unica) divulgou que a produção de açúcar no Centro-Sul brasileiro na primeira quinzena de outubro cresceu 1,3% em relação ao ano anterior, atingindo 2,484 milhões de toneladas.
Além disso, a porcentagem de cana moída para a produção de açúcar pelas usinas brasileiras na primeira quinzena de outubro subiu para 48,24%, ante 47,33% no mesmo período do ano passado. Ademais, a produção acumulada de açúcar no Centro-Sul para a safra 2025/26 até meados de outubro cresceu 0,9% em relação ao ano anterior, totalizando 36,016 milhões de toneladas.
Outro fator pessimista para os preços do adoçante foi a recente afirmação da trading Sucden, de que a Índia poderá destinar apenas 4 milhões de toneladas de açúcar para a produção de etanol em 2025/26, o que não seria suficiente para aliviar o excedente do país e pode levar as usinas de açúcar indianas a exportarem até 4 milhões de toneladas de açúcar, acima das expectativas anteriores de 2 milhões de toneladas.
Rich Asplund
Com tradução e adaptação NovaCana