Açúcar: Mercado

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[Opinião] Preços do açúcar devem seguir elevados até, pelo menos, a safra 2024/25


Pecege Consultoria e Projetos - Publicado: 15 Jun 2023 - 09:09

Por Peterson Santos*

A safra 2023/24 se iniciou em meio a uma rápida ascensão do preço do açúcar no mercado internacional, puxada pelas preocupações crescentes quanto à oferta do produto na Ásia, inclusive diante da probabilidade crescente de ocorrência de El Niño.

Embora tais perspectivas quanto à produção asiática tenham melhorado, o rápido crescimento no consumo manteve a tendência de estoques globais fortemente decrescentes, permitindo que os preços do açúcar sigam bastante elevados. Ao mesmo tempo, o preço do petróleo oscilava consideravelmente e, no Brasil, tornavam-se cada vez evidentes mudanças na precificação da gasolina pela Petrobras.

Do lado do açúcar, os preços internacionais devem seguir sustentados por um balanço global apertado na safra internacional 2023/24. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), em seu relatório de maio, aponta uma redução de 6 milhões de toneladas nos estoques globais durante a safra 2023/24 principalmente pelos movimentos na Índia, Tailândia e China – países que já apresentavam tendência de redução no ciclo 2022/23.

Esse vetor de pressão sobre a cotação do açúcar pode ser ilustrado pelo fato de que, com 33,5 milhões de toneladas, os estoques globais estariam 29,4% inferiores ante a safra 2021/22, por exemplo. Uma vez que a recuperação pode ser longa, a curva futura de preços do açúcar no mercado externo, mesmo que fortemente decrescente, segue em patamar elevado até a safra 2024/25.

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No caso do etanol, é necessário considerar a combinação de quatro fatores: preço do petróleo; taxa de câmbio; política tributária; e a precificação da gasolina pela Petrobras.

Por si só, a mudança na cobrança do ICMS e o retorno completo dos tributos federais sobre os combustíveis em julho de 2023 seriam favoráveis à receita de usinas e destilarias. Contudo, a valorização do real e a tendência de queda no preço do petróleo seguem pressionando seus valores para baixo mesmo que não tivesse ocorrido qualquer alteração na precificação da Petrobras.

É natural considerar que a redução no preço da gasolina seja repassada pela estatal de modo relativamente rápido, porém, uma eventual recuperação do preço do óleo cru poderia ter impacto lento no mercado doméstico.

A combinação entre elevada remuneração pelo açúcar exportado e perspectivas negativas quanto ao preço do etanol resultam na expectativa de uma safra com maximização da produção do adoçante.

Assim, ainda que as usinas tenham de cumprir seus compromissos de entrega a valores mais baixos que os atualmente observados em Nova York, existe uma percepção positiva quanto à receita do setor, que se soma à rara ocorrência de custos nominais decrescentes, possivelmente resultando em aumento da rentabilidade, mesmo em um cenário de incerteza para o etanol.

* Peterson Santos é analista econômico do Pecege Consultoria e Projetos