Os futuros de açúcar negociados na ICE recuaram acentuadamente nesta terça-feira, 2, com o adoçante bruto registrando a menor cotação em quatro semanas. Segundo fontes do mercado, os preços estão sob pressão devido à perspectiva de maior produção de açúcar no Brasil.
O contrato de açúcar bruto com vencimento em outubro fechou em queda de 0,22 centavo de dólar, ou 1,3%, para 16,15 centavos de dólar por libra-peso. Já o contrato mais ativo de açúcar branco, também para outubro, recuou US$ 11,10, ou 2,2%, indo a US$ 491 por tonelada.
Na sexta-feira, 29, a União da Indústria de Cana-de-açúcar e Bioenergia (Unica) informou que a produção de açúcar do Centro-Sul do Brasil na primeira quinzena de agosto aumentou 16% em relação ao ano anterior, para 3,61 milhões de toneladas. Além disso, o direcionamento da cana-de-açúcar para a produção da commodity subiu de 49,1% para 55%.
No entanto, a produção de açúcar do Centro-Sul no acumulado da safra 2025/26 caiu 4,7% em relação ao ano anterior, para 22,89 milhões de toneladas.

A Covrig Analytics relatou recentemente que as usinas de açúcar do Brasil estão priorizando a produção de açúcar em detrimento do etanol. A expectativa é que essa tendência continue com o pico da colheita, impulsionada por safras de cana mais secas, o que leva as usinas a produzirem mais açúcar.
Os preços da commodity também foram pressionados na terça-feira pela desvalorização do real. A moeda brasileira caiu para uma mínima de 1,5 semana em relação ao dólar, incentivando as exportações dos produtores de açúcar do Brasil.
Além disso, a perspectiva de aumento das exportações de açúcar pela Índia também é baixista para os preços. De acordo com informações obtidas pela Bloomberg, o país asiático poderá permitir que usinas locais exportem açúcar na próxima temporada, que começa em outubro, já que as chuvas abundantes de monções podem gerar uma grande safra.
O Departamento Meteorológico da Índia informou nesta terça-feira que a chuva acumulada de monções na Índia foi de 767,1 mm em 2 de setembro, ou 7% acima do normal. Além disso, a Associação Indiana de Fabricantes de Açúcar e Bioenergia anunciou recentemente que buscará permissão para exportar 2 milhões de toneladas de açúcar em 2025/26.
Em um movimento contrário, na sexta-feira passada, 29, o açúcar refinado atingiu a maior alta em 3,5 meses após a Organização Internacional do Açúcar (ISO) prever um déficit global de 231 mil toneladas para a safra 2025/26.
Rich Asplund
Com tradução e adaptação NovaCana