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Preço de venda do açúcar bruto brasileiro aumenta 62,92% no ano, avalia Platts

Produtores do Centro-Sul devem favorecer a fabricação da commodity em 2021/22, mas possível queda no volume provoca alta; abastecimento de etanol pode estar em risco

NovaCana 5 min de leitura

Por Nicolle Monteiro de Castro*

Em meio às preocupações do mercado com a queda na produção de açúcar das usinas do Centro-Sul, a avaliação da S&P Global Platts para o preço do produto que será embarcado em maio (FOB Santos) fechou em 16,39 centavos de dólar por libra-peso em 15 de abril, alta de 6,64% na semana e de 62,92% no ano, desconsiderando impostos.

O contrato de maio representa o próximo vencimento de futuros de açúcar negociados na ICE em Nova York. Seu valor subiu 11,35% entre 1º de abril, início oficial da safra 2021/22, e ontem, 15, à medida em que foram divulgadas perspectivas de uma redução ainda maior na produção do adoçante na região.

Enquanto alguns traders sugerem que o Centro-Sul pode ter menos cana-de-açúcar do que o inicialmente estimado e, portanto, menor potencial para a produção de açúcar, outros argumentam que o volume total do adoçante deve permanecer próximo a 36 milhões de toneladas.

Os traders que não estão preocupados com a menor disponibilidade de açúcar acreditam que, apesar da possível queda na moagem, a qualidade da cana seria favorável para a maximização da produção da commodity, garantindo o fornecimento esperado.

A análise completa – incluindo perspectivas para o abastecimento doméstico de etanol – está disponível no texto exclusivo para assinantes.

Por Nicolle Monteiro de Castro*

Em meio às preocupações do mercado com a queda na produção de açúcar das usinas do Centro-Sul, a avaliação da S&P Global Platts para o preço do produto que será embarcado em maio (FOB Santos) fechou em 16,39 centavos de dólar por libra-peso em 15 de abril, alta de 6,64% na semana e de 62,92% no ano, desconsiderando impostos.

O contrato de maio representa o próximo vencimento de futuros de açúcar negociados na ICE em Nova York. Seu valor subiu 11,35% entre 1º de abril, início oficial da safra 2021/22, e ontem, 15, à medida em que foram divulgadas perspectivas de uma redução ainda maior na produção do adoçante na região.

Enquanto alguns traders sugerem que a região pode ter menos cana-de-açúcar do que o inicialmente estimado e, portanto, menor potencial para a produção de açúcar, outros argumentam que o volume total do adoçante deve permanecer próximo a 36 milhões de toneladas.

Os traders que não estão preocupados com a menor disponibilidade de açúcar acreditam que, apesar da possível queda na moagem, a qualidade da cana seria favorável para a maximização da produção da commodity, garantindo o fornecimento esperado.

A mais recente atualização da S&P Global Platts Analytics, feita em 26 de março, aponta para uma produção de 35,6 milhões de toneladas de açúcar na safra 2021/22, queda de 7% no ano. Já a moagem de cana foi estimada em 590 milhões de toneladas, abaixo das 606 milhões esmagadas na temporada anterior.

A consultoria pondera que é difícil medir o tamanho da colheita nos primeiros 15 dias da nova safra e que, portanto, qualquer volatilidade forte nos preços – como a observada nos últimos três dias em Nova York – pode estar refletindo um movimento técnico, no qual corretoras e fundos de hedge estão mudando suas posições.

Impacto no abastecimento de etanol

Se as preocupações do mercado estiverem corretas e o Centro-Sul tiver menos cana para moer, as usinas devem continuar maximizando a produção de açúcar para cumprirem seus contratos de longo prazo. Com isso, um segundo ponto de atenção é o suprimento da demanda doméstica de etanol.

Em um cenário de 590 milhões de toneladas de cana, a Platts Analytics estima uma produção de 25,8 bilhões de litros de etanol da matéria-prima, queda de 2 bilhões de litros no ano. Esta redução será parcialmente compensada por um aumento estimado de 731 milhões litros na oferta do renovável de milho, mas ainda haverá uma diminuição de 1,27 bilhão de litros na disponibilidade total.

A ideia de uma escassez doméstica também é alimentada pela perspectiva de que o Brasil dificilmente importará grandes volumes de etanol anidro em 2021. A forte desvalorização da moeda local em relação ao dólar mantém a arbitragem de importação dos Estados Unidos fechada desde agosto de 2020.

De acordo com cálculos da Platts feitos em 9 de abril, o anidro importado dos Estados Unidos, incluindo a tarifa de importação de 20%, poderia chegar ao porto de Suape (PE) a R$ 4.761 por metro cúbico. Este valor, entretanto, está R$ 1.891/m³ acima do preço de entrega (DAP, na sigla em inglês) avaliado pela consultoria, também considerando Suape.

Apesar da preocupação com a oferta de etanol, as sucroenergéticas ainda estão financeiramente incentivadas a maximizar a produção de açúcar, uma vez que o mercado internacional está pagando um valor mais alto pelo adoçante do que pelo biocombustível.

Em 15 de abril, a Platts calculou o preço do etanol hidratado em 14,15 centavos de dólar por libra-peso (açúcar equivalente), o que ficaria US$ 49,38 por tonelada abaixo do valor obtido para a exportação de açúcar.

* Nicolle Monteiro de Castro é especialista sênior de preços da S&P Global Platts

Com tradução NovaCana

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