
Com o aumento dos preços, competitividade do biocombustível segue em queda em quase todo o país

Com o aumento dos preços, competitividade do biocombustível segue em queda em quase todo o país
Os destaques sobre o preço do etanol na semana de 21 a 27 de janeiro:
O preço do etanol nos postos aumentou em 12 estados e no DF e recuou em 13 e se manteve no Amapá
O litro do biocombustível de cana foi valorizado em 0,37% e o da gasolina em 0,09% na comparação com a semana anterior
Nas médias nacionais, o preço do etanol correspondeu a 71,5% do valor de comercialização da gasolina, novamente batendo o recorde de desvalorização do biocombustível desde maio de 2017
É vantajoso consumir etanol apenas no Mato Grosso e em Goiás pela quarta semana consecutiva
Cotação do biocombustível segue aumentando nas usinas do Mato Grosso, porém diminuiu em São Paulo e Goiás pela primeira vez em semanas
A última relação de preços divulgada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostra que, na semana de 21 a 27 de janeiro, tanto o litro de etanol quanto o de gasolina tiveram aumentos discretos nas bombas de combustíveis do país.
O biocombustível teve seu preço valorizado em 12 estados e no Distrito Federal, tendo diminuído em outros 13 estados e mantido o valor da semana anterior no Amapá. Já o valor da gasolina aumentou em 13 estados, recuou em 12 e no Distrito Federal, e se manteve estável, em relação à semana anterior, nas bombas do Amazonas.

Nas médias nacionais, a variação dos preços entre os estados resultou em um aumento percentual maior para o etanol hidratado (0,37%) do que para a gasolina (0,09%), sua concorrente direta nas bombas.
Por mais que a diferença no preço do etanol entre as duas últimas semanas seja pequena, o valor do biocombustível nos postos segue aumentando e batendo recordes na série histórica.
Na semana anterior, o valor médio do etanol nas bombas era de R$ 2,991. Entre os dias 21 e 27 de janeiro, contudo, ele chegou a R$ 3,002, ultrapassando pela primeira vez a marca dos R$ 3,00.
Quanto à gasolina, seu valor médio era de R$ 4,194 na semana anterior e passou para R$ 4,198 nos últimos dias. Esse foi o segundo menor aumento desde a primeira semana de dezembro de 2017.
Assim, o preço do biocombustível passou a corresponder a 71,5% do valor de comercialização do combustível fóssil nas médias nacionais – superior à paridade comercialmente estabelecida em 70%.
Esse aumento de 0,28% em relação à semana anterior – quando o indicador registrava 71,3% – demonstra que a competitividade do etanol continua em queda, aproximando-se do recorde de maio de 2017 (71,8%).
Assim como nas últimas semanas, os preços do etanol permaneceram desvantajosos ante os da gasolina em quase todos os estados brasileiros, sem grandes mudanças.
As exceções seguem sendo Mato Grosso e Goiás, os únicos estados onde os valores médios do etanol hidratado ainda são vantajosos sobre os da gasolina nos postos, pela quarta semana consecutiva.
Gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços estão disponíveis aqui (exclusivo assinantes).
O evolutivo dos preços de todos os estados desde 2001 pode ser acessado aqui.

No principal estado produtor e consumidor de etanol do país, o indicador que mede a relação entre os valores dos combustíveis nas bombas se manteve estável com 71,7% em comparação com a semana anterior, quando tinha aumentado 0,98%.
Isso aconteceu graças ao aumento de apenas 0,21% nos valores do etanol – que foi de R$ 2,868/l para R$ 2,874/l – e de 0,10% nos valores da gasolina – que foi de R$ 4,002/l para R$ 4,006/l.
Já no Mato Grosso, estado onde o etanol hidratado é mais competitivo, o biocombustível foi vendido em média por 60,2% do preço da gasolina, o que indica uma redução na sua competitividade, já que a relação era de 60,1% na semana anterior.
Considerando que os preços de ambos os combustíveis diminuíram entre as duas últimas semanas, a menor competitividade do biocombustível se deve à maior queda no preço médio da gasolina, que saiu de R$ 4,244/l para R$ 4,236/l (equivalente a 0,18%), enquanto o etanol foi de R$ 2,552/l para R$ 2,550/l (equivalente a 0,07%).
Nos postos goianos, o preço do etanol correspondeu a 67,13% do preço da gasolina, uma pequena melhora em relação ao período anterior, quando era de 67,2%. Essa diferença de apenas 0,1% garante um aumento de competitividade para o biocombustível no estado.
A mudança é referente à diminuição de 0,13% no preço do etanol (de R$ 2,965/l no período anterior para R$ 2,961/l neste) e ao aumento de 0,05% nos valores da gasolina nas bombas (de R$ 4,409/l para R$ 4,41/l).

Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2001 estão disponíveis na planilha interativa (exclusivo para assinantes).
O preço do biocombustível nas usinas passou por mudanças na última análise. O Indicador Cepea/Esalq do etanol hidratado no estado de São Paulo mostra que sua cotação
diminuiu 0,84% em relação à semana anterior, após 18 semanas de aumentos consecutivos, acumulando uma alta de 25,06% nas últimas 19 análises.
Já no Mato Grosso, a alta na cotação do etanol hidratado se manteve e já dura 13 semanas. Na última semana, a elevação do preço foi de 0,6%, número menor do que a da análise anterior. No período acumulado, a valorização é de 17,1%.
Em Goiás, por sua vez, a cotação do etanol nas usinas quebrou a sequência de 20 semanas consecutivas com altas, apresentando uma diminuição de 0,6% nos preços. O acumulado nas últimas 21 semanas é de 28,61%.
Rafaella Coury - NovaCana