A quarta-feira foi marcada por preços do milho subindo no mercado físico brasileiro. Em levantamento realizado pela equipe do Notícias Agrícolas, não foram percebidas desvalorizações em nenhuma das praças.
Já as valorizações apareceram em Ubiratã (PR), Londrina (PR), Cascavel (PR), Marechal Cândido Rondon (PR), Pato Branco (PR), Palma Sola (SC), Rio do Sul (SC), Rondonópolis (MT), Primavera do Leste (MT), Alto Garças (MT), Itiquira (MT), Tangará da Serra (MT), Campo Novo do Parecis (MT), Brasília (DF), Dourados (MS), Maracaju (MS), Campo Grande (MS), Eldorado (MS), Cândido Mota (SP) e Campinas (SP).
De acordo com análise da Agrifatto Consultoria, “a apreensão quanto a produção do milho de segunda safra no Brasil faz os produtores aguardarem por melhores ofertas e o preço pago pela saca segue estável no mercado físico, na casa dos R$ 86, em Campinas (SP)”.
Os preços futuros do milho recuaram na bolsa brasileira B3 nesta quarta-feira. As principais cotações registraram movimentações negativas entre 1,63% e 5,1% ao final do dia.
O vencimento julho de 2021 foi cotado à R$ 89,40 com queda de 4,14%; o setembro de 2021 valeu R$ 91,32 com baixa de 1,63%; o novembro de 2021 foi negociado por R$ 92,40 com perda de 3,7%; e o janeiro de 2022 teve valor de R$ 94,25 com desvalorização de 5,1%.
Na comparação entre o fechamento do dia 31 de maio e o de 30 de junho, os futuros do cereal acumularam quedas: de 6,8% para o julho de 2021; de 6,31% para o setembro de 2021; de 5,81% para o novembro de 2021; e de 5,75% para o janeiro de 2022.

O reporte diário da Radar Investimentos aponta que a semana tem sido de volatilidade extrema nos futuros da B3. “A chegada de uma frente com as geadas no sul do Brasil, trouxe alerta para os participantes”, afirma.
Para o analista de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, a B3 passa por um reajuste de posições após as grandes altas de ontem. “Ele não tem folego para subir mais porque o milho de exportação poderia pagar, no máximo, R$ 80 nos portos e isso é um balizador importante”, pontua.
Brandalizze afirma também que o preço que o milho importado chegaria ao Brasil neste momento é outro limitante de altas, caso contrário “seria mais vantajoso importar milho do que comprar aqui dentro”.
Já a bolsa de Chicago (CBOT) ganhou força ao longo do dia e fechou a quarta-feira no limite de altas para os preços internacionais do milho futuro. As principais cotações registraram movimentações positivas entre 25,5 e 40 pontos ao final do dia.
O vencimento julho de 2021 foi cotado à US$ 7,20 com ganho de 25,5 pontos; o setembro de 2021 valeu US$ 5,99 com valorização de 40 pontos; o dezembro de 2021 foi negociado por US$ 5,88 com alta de 40 pontos; e o março de 2022 teve valor de US$ 5,95 com elevação de 40 pontos.
Esses índices representaram valorizações em relação ao fechamento da última terça-feira: de 3,75% para o julho de 2021; de 7,16% para o setembro de 2021; de 7,3% para o dezembro de 2021; e de 7,21% para o março de 2022.
Na comparação mensal, os futuros do cereal acumularam ganhos de 9,76% para o julho de 2021, de 4,54% para o setembro de 2021, de 7,89% para o dezembro de 2021 e de 7,79% para o março de 2022. Para os cálculos, foram considerados os fechamentos de 28 de maio e 30 de junho.

Segundo informações da agência Reuters, o milho subiu em seu limite diário de altas, depois que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) surpreendeu os comerciantes com estimativas de plantio e dados de estoque abaixo do esperado.
O USDA indicou plantio de 37,52 milhões de hectares de milho, contra a média esperada pelo mercado de 37,97 milhões, e queda frente ao número de março, de 36,88 milhões de hectares. O incremento em relação à temporada 2020/21 é de apenas 2%.
Já quanto aos estoques estadunidenses do cereal, o USDA estimou 104,4 milhões de toneladas, contra 105,26 milhões da média esperada pelos analistas e frente às 127,08 milhões vistas em junho do ano passado.
As estimativas dos EUA alimentaram as preocupações com o fornecimento global, uma vez que os estoques são escassos e as áreas em crescimento na América do Norte e do Sul estão lutando com clima desfavorável.
“Precisávamos de acres mais altos para nos dar uma proteção e isso deu errado”, disse o presidente da corretora US Commodities, Don Roose.
Guilherme Dorigatti