Depois de duas altas seguidas, os preços dos créditos de descarbonização (CBios), vinculados ao programa RenovaBio, registraram queda na primeira quinzena de fevereiro. No período, o valor médio dos papéis ficou em R$ 111,56, retração de 2,2% em relação ao final de janeiro.
O valor também é 0,2% inferior à média de 2024, de R$ 111,84. Por outro lado, o montante ficou 26,1% acima da média histórica do programa, de R$ 88,45.
Os números são resultados de cálculos feitos pelo NovaCana, com base nos dados da Bolsa de Valores Brasileira (B3), única entidade registradora do programa.

Na primeira quinzena de fevereiro, os CBios foram comercializados entre R$ 109,50 e R$ 117. O valor mais alto foi registrado no dia 6, enquanto o mais baixo foi visto no dia 15.
Desde o início do RenovaBio, os preços dos créditos variaram entre R$ 15 e R$ 209,05.

“Os números refletem todas as operações de compra e venda envolvidas em um ciclo de negociação. Assim, no caso de intermediações realizadas por corretoras ou outras instituições, primeiro é realizada uma operação de compra das quantidades e, depois, uma operação de venda para o investidor final”, explica a B3.
As emissões dos créditos, por sua vez, continuaram em alta no período, refletindo as maiores vendas de etanol. Na quinzena, as usinas certificadas escrituraram 1,02 milhão de títulos, elevação anual de 16,3%.
Desta forma, em 2024, as unidades produtoras já emitiram 4,34 milhões de papéis.

De acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), 325 unidades participam do RenovaBio atualmente, sendo que quatro fabricam biometano e outras 38, biodiesel.
Dentre as 283 usinas de etanol certificadas, 270 utilizam apenas a cana-de-açúcar como matéria-prima; seis processam cana e milho; seis, apenas milho; e uma produz biocombustível de primeira e de segunda geração de forma integrada.

Considerando desde o encerramento do prazo para a entrega da meta referente à 2022, em outubro do ano passado, o mercado recebeu 15,02 milhões de CBios.
Desde o início do programa, em 2020, até agora, 120,57 milhões de créditos já foram emitidos.

No dia 16 de fevereiro, a B3 iniciou a sessão com 31,6 milhões de créditos em circulação. Do total, 22,07 milhões, ou 69,8%, estavam em posse das distribuidoras, que possuem metas individuais no programa.
As usinas certificadas, por sua vez, detinham 28,6%, totalizando 9,05 milhões de CBios. Já os 478,71 mil restantes (1,5%), estavam com investidores sem metas.

Segundo os objetivos individuais publicados pela ANP, que considera o volume de créditos não aposentados em 2022, as distribuidoras precisarão aposentar 40,95 milhões de CBios até março deste ano. Os créditos atualmente em circulação seriam suficientes para alcançar 77,2% deste montante.
Além disso, entre outubro de 2023 e a primeira quinzena de fevereiro deste ano, 10,4 milhões de créditos foram retirados de circulação, com 246,34 mil saindo do mercado na última quinzena. Em comparação com os 134,07 mil créditos aposentados na segunda metade de janeiro de 2023, houve uma alta de 84%.
No total, o volume aposentado desde 1º de outubro corresponde a 25,4% do objetivo das distribuidoras para este ano.

De acordo com a ANP, 5,5 milhões de créditos relacionados à meta de 2023 foram aposentados até o final de setembro. Este volume, somado aos CBios em circulação e aos aposentados desde então, chega a 47,5 milhões de títulos, o suficiente para atender a meta atualizada para 2023, com excedente de 6,6 milhões de créditos.
Como a B3 não informa quem solicitou a aposentadoria dos créditos, é possível que uma parte deste volume seja referente a investidores que não têm compromissos com o programa. Ainda que esteja previsto que a retirada de títulos feita pelas chamadas “partes não obrigadas” possa ser deduzida dos objetivos finais do RenovaBio, as aposentadorias do ciclo atual devem ser contabilizadas apenas para o próximo.
Giully Regina – NovaCana
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