Cana: Mercado

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Preço global do açúcar está à espera da política energética no Brasil


Agência Estado - Publicado: 28 Nov 2012 - 10:39 | Atualizado: 30 Nov -0001 - 21:00
Representantes de duas grandes trades ligadas ao setor de açúcar - a Bunge e a RCMA Asia - sinalizam que a política energética brasileira é, atualmente, a principal dúvida sobre o rumo dos preços da commodity nos próximos meses. Diante dos preços abaixo do mercado da gasolina brasileira e dos prejuízos da Petrobras, as trades entendem que há a possibilidade de aumento de preço da gasolina brasileira, o que pode aumentar a demanda pelo combustível renovável e, consequentemente, os preços do açúcar. "Quem quiser saber o que vai acontecer com os preços do açúcar precisa ler os jornais brasileiros e ver o que o governo vai fazer com a política energética", informou o diretor de Açúcar e Bioenergia da Bunge, Ben Pearcy, em palestra no 21º Seminário da Organização Internacional do Açúcar (OIA) na capital inglesa. 'Eu não durmo pensando nisso', brincou.

O diretor da multinacional explicou que o prejuízo da Petrobras e a forte perda das ações da companhia sinalizam que um aumento da gasolina pode estar por vir. 'A expectativa é de aumento do preço da gasolina nos próximos meses, o que vai favorecer a demanda por etanol e influenciará preços', disse, ao ponderar, porém, que a equipe econômica brasileira segue preocupada com o aumento dos preços nos últimos meses, o que jogaria contra um aumento dos combustíveis atualmente. 'Isso é uma decisão política do governo brasileiro'.

Menos otimista com o tema, o chefe de operações da RCMA Commodities Asia, Jonathan Drake, lembrou que a economia brasileira tem apresentado resultados 'pouco brilhantes' nos últimos trimestres. 'Nesse ambiente, um aumento do preço dos combustíveis não costuma ser bom. Além disso, haverá eleições daqui a dois anos. É preciso levar em conta tudo isso', comentou Drake. Para ele, porém, o governo brasileiro deve tratar do tema em algum momento, 'para resolver essa crise' na Petrobras.

Ben Pearcy observou, ainda, que o assunto terá influência em muitos outros temas. Hoje, explicou, os preços do açúcar são determinados pela política energética brasileira, o que está também relacionado com a gasolina nos Estados Unidos, o que se reflete na demanda por etanol e nos preços do milho naquele mercado.