A ampla oferta fez o preço do etanol hidratado atingir o menor nível em 11 meses no Estado de São Paulo na semana passada. Conforme o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o indicador diário do biocombustível Esalq/BM&FBovespa, posto Paulínia, fechou sexta, dia 26, em R$ 1.100 o metro cúbico. Segundo o instituto, a última vez em que esteve nesse nível foi em 31 de outubro do ano passado (R$ 1.096,50 o metro cúbico). Só em setembro, a desvalorização acumulada é de 5,6%. Apenas na última semana, a baixa chegou a 2,8%.
O Cepea destaca que as quedas diárias estão atreladas à combinação de maior disponibilidade do combustível com baixo interesse das distribuidoras. Além do aumento da oferta por parte das usinas de São Paulo, houve a entrada de hidratado de outros Estados da região Centro-Sul. Nesta época do ano, Goiás, por exemplo, repassa um volume maior de produção para São Paulo já que seus compradores no Nordeste iniciaram a colheita da safra.
Além de uma demanda fraca, apesar dos preços nos postos mais convidativos, o etanol neste momento padece de estoques 1 bilhão de litros mais elevados que há um ano, segundo traders. Somando-se o hidratado e o anidro (usado na mistura com a gasolina), o volume total armazenado no Centro-Sul alcançou cerca de 9 bilhões de litros, ante 8 bilhões de um ano atrás.
A forte queda nos preços neste momento, segundo traders, se deve não somente ao fato de muitas usinas em dificuldades financeiras estarem liquidando seus estoques para pagar as contas. O que está acontecendo também é que usinas maiores e mais capitalizadas estão ficando sem capacidade de tancagem, uma vez que, além de volumes próprios, estão comprando o etanol a preços mais baixos no mercado, para vender na entressafra, quando se espera que os preços vão decolar.
No domingo, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) retomou sua campanha publicitária em tevês, rádios e internet para estimular o consumo de etanol pelo motorista. Em nota, a entidade, que representa as usinas do Centro-Sul, afirmou que, agora, o preço do etanol está mais vantajoso que o da gasolina ao consumidor em alguns Estados, mas que, mesmo assim, a demanda não reagiu como esperado.
Traders acreditam que, os atuais preços médios do etanol nos postos de São Paulo - de R$ 1,865 por litro - têm potencial para cair para um patamar entre R$ 1,77 e R$ 1,78 por litro, o que significaria uma paridade com a gasolina na casa dos 62%.
Na avaliação do diretor da trading de etanol Bioagência, Tarcilo Rodrigues, o consumidor final se acostumou com a paridade de 67%, presente no mercado praticamente desde abril, e, vai precisar, portanto, de um "solavanco" para reagir e substituir a gasolina pelo etanol.
Com texto adicional do Valor Econômico