Possível escassez de fornecimento, problemas climáticos e perspectiva de atraso no início da safra 2021/22 levaram biocombustível a níveis recordes
Por Phillip Herring*
Ontem, 25, a S&P Global Platts avaliou o etanol hidratado do Centro-Sul a um preço recorde de R$ 3.350/m³, uma alta semanal de R$ 200/m³ ou 6%. No acumulado de 2021, a elevação chega a 35%.
O acompanhamento da Platts inclui ICMS e PIS/Cofins e é referente ao valor do renovável nas usinas da região de Ribeirão Preto (SP).
Segundo a Platts, os números “altistas” da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), o clima seco no Centro-Sul e a economia favorável em relação à gasolina levaram o hidratado a uma alta recorde e causaram temores de uma oferta reduzida.

“Os preços do etanol aumentaram drasticamente em um curto período de tempo por causa do possível cenário de escassez no fornecimento no começo de abril”, disse um trader de São Paulo. “O movimento de alta de preços vai atingir um valor que efetivamente bloqueia a demanda por etanol até o início da safra 2021/22”.
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Por Phillip Herring*
Ontem, 25, a S&P Global Platts avaliou o etanol hidratado do Centro-Sul a um preço recorde de R$ 3.350/m³, uma alta semanal de R$ 200/m³ ou 6%. No acumulado de 2021, a elevação chega a 35%.
O acompanhamento da Platts inclui ICMS e PIS/Cofins e é referente ao valor do renovável nas usinas da região de Ribeirão Preto (SP).
Segundo a Platts, os números “altistas” da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), o clima seco no Centro-Sul e a economia favorável em relação à gasolina levaram o hidratado a uma alta recorde e causaram temores de uma oferta reduzida.

“Os preços do etanol aumentaram drasticamente em um curto período de tempo por causa do possível cenário de escassez no fornecimento no começo de abril”, disse um trader de São Paulo. “O movimento de alta de preços vai atingir um valor que efetivamente bloqueia a demanda por etanol até o início da safra 2021/22”.
Oferta e demanda
De acordo com o mais recente relatório da Unica, divulgado na quarta-feira, 24, as vendas de etanol pelas usinas Centro Sul durante a primeira metade de fevereiro somaram 1,29 bilhão de litros, 5,32% a mais do que no ano anterior.
Deste volume, 1,26 bilhão de litros foram destinados ao mercado interno e 23,14 milhões, à exportação. Além disso, as vendas de hidratado representaram 839,72 milhões de litros, alta de 3,85% em relação ao ano anterior, enquanto as vendas de anidro somaram 425,13 milhões, um aumento de 8,2%.
“O relatório da Unica para a primeira quinzena de fevereiro trouxe fatores altistas para o etanol e os preços reagiram de acordo”, disse um corretor do Rio de Janeiro. “As vendas de hidratado e anidro mostraram aumentos em relação ao ano anterior, provando que a demanda resiliente excedeu os níveis anteriores à pandemia”.
No acumulado da safra 2020/21, a comercialização de etanol pelas usinas do Centro-Sul soma 27,21 bilhões de litros, redução de 8,64% em relação ao ano anterior. Deste total, 24,83 bilhões foram destinados para o mercado interno e 2,38 bilhões, para exportação. Embora as vendas domésticas tenham apresentado queda de 11,71% na comparação anual, as vendas para o mercado internacional registraram alta de 43%.
Por sua vez, a produção de etanol no período entre 1º de abril de 2020 e 16 de fevereiro de 2021 foi de 29,68 bilhões de litros, queda de 8,54% em relação aos 32,45 bilhões da temporada anterior. Nesse contexto, a produção de hidratado correspondeu a 19,97 bilhões de litros, enquanto a de anidro foi de 9,71 bilhões.
Influência do clima e atraso na safra 2021/22
A perspectiva de um atraso de duas semanas no início da moagem da safra 2021/22 também coloca uma pressão adicional sobre a já apertada oferta de etanol do Centro-Sul, de modo que os preços devem continuar subindo no curto prazo.
“O déficit hídrico do solo e a distribuição desigual das chuvas no Centro-Sul de setembro a janeiro resultarão em um atraso de duas semanas no início da safra 2021/22”, disse um segundo trader de São Paulo. “A cana simplesmente não atingiu a maturação ideal para o início de colheita em 1º de abril”.
Além disso, o clima seco contínuo no Centro-Sul aumentou as expectativas de redução da produtividade da cana-de-açúcar na temporada, um fator associado a uma queda na produção de etanol. Na região, as chuvas de fevereiro deverão ficar 20% abaixo da média, com 143 mm em vez dos habituais 183 mm.
Na sequência, a expectativa é de precipitações 18% acima da média em março, atingindo 158 mm, o que será útil para o desenvolvimento da cana durante os estágios intermediários e posteriores da colheita de 2021/22. Ao mesmo tempo, essas chuvas podem atrasar ainda mais o início da colheita.
Etanol competitivo nos postos
Conforme dados semanais compilados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), abastecer com etanol hidratado foi economicamente vantajoso para os motoristas do Sudeste na comparação com a gasolina.
Na semana encerrada em 20 de fevereiro, a relação entre os preços dos combustíveis era de 68,05%, quase 2% abaixo do limite de 70% que incentiva o consumidor a encher seu tanque com o biocombustível.
“Além da relação abaixo de 70% entre o valor do hidratado e o da gasolina, a diferença absoluta dos preços na maioria dos postos do Centro-Sul está bem acima da infame marca de R$ 1 por litro, o que leva os consumidores a abastecerem com etanol”, disse um terceiro trader de São Paulo.
Este ano, a Petrobras aumentou o preço da gasolina nas refinarias em 34% em um período de quatro semanas.
“Os preços nas refinarias e nas usinas normalmente têm um período de defasagem de três semanas antes de serem totalmente exibidos nas bombas”, disse um quarto trader, também de São Paulo. “O mais recente aumento no preço da gasolina, em 19 de fevereiro, deve manter a relação entre o preço do etanol e o da gasolina abaixo de 70% no Sudeste no curto prazo”.
* Phillip Herring é especialista de preços da S&P Global Platts
Com tradução NovaCana