Problemas logísticos "prenderam" o açúcar no Brasil, o maior produtor global, o que significa que os preços mundiais precisam subir acima das atuais máximas de 12 anos para conter a demanda e equilibrar o mercado. A visão é da Louis Dreyfus Company (LDC), divulgada nesta terça-feira, 21.
Os formuladores de políticas globais continuam lutando contra a inflação dos preços dos alimentos e, embora os preços de alguns alimentos básicos tenham caído, os do açúcar, usado em bem mais da metade de todos os alimentos e bebidas embalados, continuam inflacionados.
"Embora haja muito açúcar no Brasil, ele está preso", disse o chefe de comércio físico da LDC, Luca Meierhofer, em um seminário da Organização Internacional do Açúcar (ISO).
Ele disse que, embora o mundo precise de cerca de 3,5 milhões de toneladas métricas por mês do Brasil, o país só pode exportar, no máximo, 3 milhões. Além disso, os despachos de açúcar cairão para cerca de 2 milhões de toneladas em janeiro, já que as exportações de soja terão prioridade.
Como nenhuma outra região pode aumentar a produção ou as exportações no momento, isso deixará o mercado em um déficit comercial da commodity, mesmo que, no papel, a produção e o consumo estejam mais ou menos equilibrados.
"Precisamos que o mercado chegue a um nível em que comecemos a racionar a demanda. Em 2010, não vimos realmente nenhuma reação abaixo de 30 centavos de dólar. [Hoje], ajustado pela inflação, você pode imaginar que esse número é maior", disse Meierhofer.
O açúcar bruto de março estava sendo negociado a 27,62 centavos de dólar por libra-peso no final das negociações de terça-feira, não muito distante da máxima de 12 anos de cerca de 28 centavos atingida recentemente.
Maytaal Angel