Os preços dos créditos de descarbonização (CBios), vinculados ao programa RenovaBio, voltaram a subir na segunda metade de junho. No período, os títulos custaram, em média, R$ 80,60, alta de 6% em relação a quinzena anterior.
Apesar do aumento quinzenal, o valor ficou 18,4% abaixo da média de 2024, de R$ 98,80, além de ser 9,6% inferior à média histórica do programa, de R$ 89,13.
Os números são resultados de cálculos realizados pelo NovaCana a partir dos dados da bolsa de valores brasileira B3, única entidade registradora do programa.

Na quinzena, os CBios foram comercializados entre R$ 84,50 e R$ 75,50. O maior valor foi registrado nos dias 17 e 18, enquanto o menor foi visto em 26, 27 e 28 de junho.
Ainda conforme a B3, 1,83 mil negociações foram registradas na quinzena, movimentando 2,47 milhões de créditos.

“Os números refletem todas as operações de compra e venda envolvidas em um ciclo de negociação. Assim, no caso de intermediações realizadas por corretoras ou outras instituições, primeiro é realizada uma operação de compra das quantidades e, depois, uma operação de venda para o investidor final”, explica a B3.
No dia 28 de junho, a B3 fechou a sessão com 23,15 milhões de CBios em circulação. Do total, 51,2%, ou 11,85 milhões de títulos, estavam em posse das usinas certificadas no programa.
Já as distribuidoras com metas a cumprir detinham 10,55 milhões de créditos, o equivalente a 45,6% do montante. Por fim, os 740,18 mil créditos restantes (3,2%) estavam com investidores sem metas – dentre eles, 12,04 mil CBios estavam em posse de instituições financeiras.

Com isso, os CBios atualmente em circulação seriam suficientes para alcançar 49,9% da meta estipulada para o RenovaBio, que foi atualizada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para 46,37 milhões de créditos.
Além do objetivo definido pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), de 38,78 milhões de títulos, o valor determinado pela ANP também considera os 7,59 milhões de CBios que não foram entregues em 2023.
Desde o começo de abril até agora, as unidades produtoras já emitiram 10,34 milhões de créditos.

De acordo com a ANP, 328 usinas possuem certificações do RenovaBio aprovadas no momento. Destas, quatro fabricam biometano e outras 37, biodiesel.
Dentre as 287 usinas de etanol certificadas, 273 utilizam apenas a cana-de-açúcar como matéria-prima; cinco processam cana e milho; oito apenas milho; e uma produz biocombustível de primeira e de segunda geração de forma integrada.

Ao longo de 2024, essas companhias já escrituraram 20,76 milhões de CBios.
Por sua vez, do início do programa, em 2020, até agora, 136,97 milhões de créditos foram emitidos pelas usinas.

Na segunda quinzena de junho, 712,24 mil CBios foram retirados de circulação, uma queda de 64,8% em relação aos 2,02 milhões que foram aposentados no mesmo período de 2023.
Desde o início de abril até agora, 5,11 milhões de CBios saíram do mercado, totalizando 11% da meta estipulada para 2024.

Assim, considerando os títulos disponíveis no mercado, as aposentadorias antecipadas – que totalizaram 2,3 milhões de créditos, segundo a ANP – e os que foram retirados de circulação desde abril, o total chega a 30,56 milhões de títulos, ou 65,9% da meta anual.
De acordo com a B3, a mais recente aposentadoria realizada por partes não obrigadas aconteceu em novembro de 2023. Na ocasião, apenas dez títulos foram retirados de circulação.
Giully Regina – NovaCana
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