Depois de testemunhar algumas quedas, o preço médio dos créditos de descarbonização (CBios), vinculados ao programa RenovaBio, voltou a subir na segunda quinzena de agosto. No período, os títulos foram negociados por, em média, R$ 74,47, uma alta de 3,3% em relação à primeira metade do mês.
O valor atual, entretanto, ainda está 19,4% abaixo da média de 2024, de R$ 92,44, além de ser 15,7% inferior à média histórica do programa, de R$ 88,33.
Os números são resultados de cálculos realizados pelo NovaCana a partir dos dados da bolsa de valores brasileira B3, única entidade registradora do programa.

No período, os CBios foram comercializados entre R$ 70,04 e R$ 76. O menor valor foi registrado no dia 20, enquanto o maior foi visto no dia 16.
Ainda conforme a B3, foram registradas 2,07 mil negociações na quinzena, movimentando 4,18 milhões de créditos.

“Os números refletem todas as operações de compra e venda envolvidas em um ciclo de negociação. Assim, no caso de intermediações realizadas por corretoras ou outras instituições, primeiro é realizada uma operação de compra das quantidades e, depois, uma operação de venda para o investidor final”, explica a B3.
No dia 30 de agosto, a B3 fechou a sessão com 27,95 milhões de CBios em circulação. Do total, 53,3%, ou 14,88 milhões de títulos, estavam em posse das distribuidoras com metas a cumprir.
Já as usinas certificadas no programa detinham 12,25 milhões de créditos, o equivalente a 43,8% do montante. Por fim, os 809,63 mil créditos restantes (2,9%) estavam com investidores sem metas – dentre eles, 581 CBios estavam em posse de instituições financeiras.

Com isso, os CBios atualmente em circulação seriam suficientes para alcançar 60,3% da meta estipulada para o RenovaBio, que foi atualizada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para 46,37 milhões de créditos.
Além do objetivo definido pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), de 38,78 milhões de títulos, o valor determinado pela ANP também considera os 7,59 milhões de CBios que não foram entregues em 2023.
Na segunda quinzena de agosto, 1,56 milhão de CBios foram retirados de circulação, um aumento expressivo em relação aos 116,07 mil que foram aposentados no mesmo período de 2023.
Desde o início de abril até agora, 7,49 milhões de CBios saíram do mercado, totalizando 16,1% da meta estipulada para 2024.

Assim, considerando os títulos disponíveis no mercado, as aposentadorias antecipadas – que totalizaram 2,3 milhões de créditos, segundo a ANP – e os que foram retirados de circulação desde abril, o total chega a 37,74 milhões de títulos, ou 81,4% da meta anual.
De acordo com a B3, a mais recente aposentadoria realizada por partes não obrigadas aconteceu em novembro de 2023. Na ocasião, apenas dez títulos foram retirados de circulação.
Desde o começo de abril até agora, as unidades produtoras já emitiram 17,51 milhões de créditos.

De acordo com a ANP, 326 usinas possuem certificações do RenovaBio aprovadas no momento. Destas, quatro fabricam biometano e outras 37, biodiesel.
Dentre as 286 usinas de etanol certificadas, 274 utilizam apenas a cana-de-açúcar como matéria-prima; quatro processam cana e milho; sete apenas milho; e uma produz biocombustível de primeira e de segunda geração de forma integrada.

Ao longo de 2024, essas companhias já escrituraram 27,93 milhões de CBios.
Por sua vez, desde o início do programa, em 2020, até agora, 144,15 milhões de créditos foram emitidos pelas usinas.

Giully Regina – NovaCana
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