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Preço do açúcar em NY avança com dólar fraco, mas mercado considera correção

acucar cristal macroO dólar mais fraco no Brasil fez os futuros do açúcar se recuperarem ontem na Bolsa de Nova York. A perspectiva de exportadores brasileiros reduzirem a oferta do produto, esperando uma valorização da moeda nos próximos dias, levou o contrato com vencimento em março, o mais negociado, a avançar 26 pontos (1,88%)

Agência Estado 4 min de leitura

O dólar mais fraco no Brasil fez os futuros do açúcar se recuperarem ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). Próximo da hora do fechamento, a moeda norte-americana perdia 0,85% e era cotada a R$ 3,8390. A perspectiva de exportadores brasileiros reduzirem a oferta do produto, esperando uma valorização da moeda nos próximos dias, levou o contrato com vencimento em março, o mais negociado, a avançar 26 pontos (1,88%). Fechou a 14,09 cents por libra-peso.

Apesar da reação na quarta-feira, os fundamentos são levemente baixistas. O clima seco acima da média histórica para outubro favorece o ritmo de moagem e de produção de açúcar. Além disso, nas últimas duas semanas, os futuros da commodity experimentaram forte valorização, o que dá margem para novos movimentos de realização de lucros por investidores, como o verificado na sessão de terça-feira. No mês de outubro, o contrato março já acumula valorização de 9,82%. Em um mês, o porcentual chega a 14,02%.

Atualizações sobre o clima nos próximos dias também podem pressionar as cotações. As usinas têm mais um estímulo para priorizar a produção de açúcar em detrimento da de etanol: dado o atual patamar de preços da commodity (em torno de 14 cents), a remuneração em reais do açúcar tem compensado mais que a do etanol. Nos cálculos da consultoria Sucden, o açúcar VHP (bruto) tem proporcionado em torno de 50 pontos a mais às usinas brasileiras que o etanol.

Para romper a resistência em torno dos 14,50 cents (máxima de 19 de maio), o mercado precisará de fortes argumentos. Por outro lado, os contratos têm suporte a 13,51 cents e 13,25 cents. O spread março/maio aumentou de terça-feira para ontem, de 18 para 20 pontos. Este resultado é influenciado pela preferência dada por usinas brasileiras aos contratos de julho, outubro e maio, pressionando os preços destes vencimentos.

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No médio prazo, participantes podem vir a refletir alguns fatores altistas. Um deles é a perspectiva de déficit global de açúcar, que vem sendo reforçada por consultorias nacionais e internacionais. Ontem, a Datagro elevou sua estimativa de déficit global de açúcar para 2,57 milhões de t em 2015/16. Antes, havia previsto consumo de 2,36 milhões de t acima da oferta. Como termo de comparação, na safra 2014/15 houve superávit de 3,64 milhões de t. A previsão considera menor produção na Índia, na China e na União Europeia. Na China, a produção deve cair de 10,8 milhões de t na safra 2014/15 para 9,8 milhões, enquanto o consumo deve aumentar para 16,4 milhões de toneladas, de 15,9 milhões de t na temporada anterior.

Já para a Índia, a estimativa foi reduzida de 27 milhões de t para 26,8 milhões de t, em função, essencialmente, do clima. As exportações, por sua vez, devem se manter em 2,8 milhões de toneladas. Analistas avaliam que é iminente o retorno do país ao patamar de grande exportador de açúcar. Isso vai depender da relação entre os preços internos do produto na Índia e as cotações internacionais da commodity.

Recentemente, os valores pagos pelo açúcar no mercado doméstico indiano reagiram de 14,50 para 16 cents, segundo a Sucden, o que estimula a comercialização do produto internamente. Entretanto, com o início da safra no país, os preços internos tendem a recuar, favorecendo a exportação.

O valor à vista em reais do indicador do açúcar Esalq fechou R$ 63,89/saca (+2,11%). Em dólar, o preço ficou em US$ 16,73/saca (+3,53%).

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