Açúcar: Mercado

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Preço do açúcar em NY avança com dólar fraco, mas mercado considera correção


Agência Estado - Publicado: 15 Out 2015 - 10:18

O dólar mais fraco no Brasil fez os futuros do açúcar se recuperarem ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). Próximo da hora do fechamento, a moeda norte-americana perdia 0,85% e era cotada a R$ 3,8390. A perspectiva de exportadores brasileiros reduzirem a oferta do produto, esperando uma valorização da moeda nos próximos dias, levou o contrato com vencimento em março, o mais negociado, a avançar 26 pontos (1,88%). Fechou a 14,09 cents por libra-peso.

Apesar da reação na quarta-feira, os fundamentos são levemente baixistas. O clima seco acima da média histórica para outubro favorece o ritmo de moagem e de produção de açúcar. Além disso, nas últimas duas semanas, os futuros da commodity experimentaram forte valorização, o que dá margem para novos movimentos de realização de lucros por investidores, como o verificado na sessão de terça-feira. No mês de outubro, o contrato março já acumula valorização de 9,82%. Em um mês, o porcentual chega a 14,02%.

Atualizações sobre o clima nos próximos dias também podem pressionar as cotações. As usinas têm mais um estímulo para priorizar a produção de açúcar em detrimento da de etanol: dado o atual patamar de preços da commodity (em torno de 14 cents), a remuneração em reais do açúcar tem compensado mais que a do etanol. Nos cálculos da consultoria Sucden, o açúcar VHP (bruto) tem proporcionado em torno de 50 pontos a mais às usinas brasileiras que o etanol.

Para romper a resistência em torno dos 14,50 cents (máxima de 19 de maio), o mercado precisará de fortes argumentos. Por outro lado, os contratos têm suporte a 13,51 cents e 13,25 cents. O spread março/maio aumentou de terça-feira para ontem, de 18 para 20 pontos. Este resultado é influenciado pela preferência dada por usinas brasileiras aos contratos de julho, outubro e maio, pressionando os preços destes vencimentos.

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No médio prazo, participantes podem vir a refletir alguns fatores altistas. Um deles é a perspectiva de déficit global de açúcar, que vem sendo reforçada por consultorias nacionais e internacionais. Ontem, a Datagro elevou sua estimativa de déficit global de açúcar para 2,57 milhões de t em 2015/16. Antes, havia previsto consumo de 2,36 milhões de t acima da oferta. Como termo de comparação, na safra 2014/15 houve superávit de 3,64 milhões de t. A previsão considera menor produção na Índia, na China e na União Europeia. Na China, a produção deve cair de 10,8 milhões de t na safra 2014/15 para 9,8 milhões, enquanto o consumo deve aumentar para 16,4 milhões de toneladas, de 15,9 milhões de t na temporada anterior.

Já para a Índia, a estimativa foi reduzida de 27 milhões de t para 26,8 milhões de t, em função, essencialmente, do clima. As exportações, por sua vez, devem se manter em 2,8 milhões de toneladas. Analistas avaliam que é iminente o retorno do país ao patamar de grande exportador de açúcar. Isso vai depender da relação entre os preços internos do produto na Índia e as cotações internacionais da commodity.

Recentemente, os valores pagos pelo açúcar no mercado doméstico indiano reagiram de 14,50 para 16 cents, segundo a Sucden, o que estimula a comercialização do produto internamente. Entretanto, com o início da safra no país, os preços internos tendem a recuar, favorecendo a exportação.

O valor à vista em reais do indicador do açúcar Esalq fechou R$ 63,89/saca (+2,11%). Em dólar, o preço ficou em US$ 16,73/saca (+3,53%).