Os contratos futuros do açúcar bruto na ICE atingiram a mínima em quase dois meses nesta quinta-feira, com o dólar em forte alta e ações e outras commodities despencando, após o Banco Central dos Estados Unidos sinalizar que deve aumentar as taxas de juros em ritmo mais acelerado que o esperado.
O açúcar bruto para julho fechou em queda de 0,49 centavo, ou 2,9%, a 16,55 centavos de dólar por libra-peso, após atingir a mínima desde 20 de abril a 16,52 centavos de dólar, mais cedo na sessão.
Operadores afirmaram que o açúcar foi pego na liquidação desencadeada pela decisão do Fed, mas deve encontrar apoio em níveis atuais de consumidores finais. Entretanto, notaram que os fundos, que ainda mantêm uma grande posição comprada, têm pouco apetite para comprar no momento.

“A reação imediata é uma coisa, mas sem expectativa de alta taxa até 2023, por enquanto, a questão é como o mercado irá reagir a médio prazo”, disse um corretor de açúcar dos EUA.
A Archer Consulting disse que as usinas brasileiras protegeram mais de 1 milhão de toneladas de açúcar 2022/23 na ICE em maio, levando as vendas totais futuras da safra do próximo ano para 20,9%.
O açúcar branco para agosto fechou em queda de 12 dólares, ou 2,7%, para 425 dólares a tonelada, após atingir mínima de mais de dois meses a 422 dólares.
Marcelo Teixeira e Maytaal Angel
Com reportagem adicional de Roberto Samora