
Postos adulteraram combustível com metanol, substância que faz mal à saude
Três postos de combustíveis da Grande Vitória (ES) foram interditados nesta quarta-feira, 5, por suspeita de adulterarem o etanol. A operação foi realizada por Polícia Civil, Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) e Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Os nomes dos estabelecimentos não foram divulgados, segundo a Polícia Civil, para não atrapalhar as investigações e a identificação de novos focos de irregularidades.
O delegado Eduardo Passamani, titular da Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor, explicou que os estabelecimentos – dois em Vila Velha e um em Guarapari – misturavam metanol para “render” a quantidade disponível de combustível. Com isso, vendiam mais, gastando menos.
Um litro da substância, conforme afirmou, custa cerca de R$ 2. Se ingerida, ela pode levar à morte.
Ao todo, 15 postos foram fiscalizados, sendo que em três houve a suspeita de adulteração. Um deles estava com a licença ambiental vencida desde junho. Após análises preliminares do material, confirmadas em laboratório no dia seguinte, ocorreram as interdições.
“Em um primeiro momento, foi feita uma coleta preliminar [do combustível]. Notamos alguns indícios de que estaria adulterado. Em seguida, levamos para um exame laboratorial, que confirmou a fraude. O metanol é considerado perigoso não só para quem está manuseando, como para quem também está no posto de gasolina – é o caso dos frentistas, por exemplo”, afirmou.
Somente com as investigações será possível esclarecer como as adulterações aconteciam.
Caso o esquema seja comprovado, os empresários responsáveis pelos postos podem responder por: crime contra a ordem econômica, devido à venda de derivados de petróleo fora das especificações; crime contra a saúde pública; e por organização criminosa.
“Dependendo do que identificarmos nas próximas diligências, se identificarmos transportadoras, distribuidoras no conluio, pode haver a indicação de uma organização criminosa”, disse o delegado.
O fiscal da ANP Marcelo da Silva ressaltou ainda que o metanol possui elementos que o tornam extremamente perigosos à saúde humana. Apesar de ser permitida no Brasil, a substância não deve ser misturada com outros combustíveis.
Segundo ele, o etanol pode ter a presença de até 0,5% de metanol, por conta das contaminações cruzadas, mas esse índice chegava a 5% nos postos interditados.
O presidente da comissão de explosivos e combustíveis da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, deputado Denninho Silva (União), pontuou que novas operações serão feitas até dezembro.
“Temos recebidos diversas denúncias. À medida que em que as documentações forem chegando, vamos para as ruas, chegando até no interior do estado”, avaliou.