A agência de informações financeiras Kingsman Platts reviu pela sexta vez sua estimativa para a safra global de açúcar 2014/15 (base outubro-setembro), transformando o pequeno déficit anteriormente projetado em excedente de 3,39 milhões de toneladas brutas.
Os produtores de açúcar, sem se intimidarem com estoques excedentes e o declínio dos preços, têm continuado a adicionar açúcar à oferta mundial, empurrando o mercado para um novo excedente, o quinto consecutivo.
“Desde nossas estimativas anteriores vemos a produção mundial adicionando outras 3,5 milhões de toneladas ao excedente global (com a produção total de 182,6 milhões de toneladas), levando-o acima do recorde de produção de 2012/13”, pontua a análise trimestral divulgada terça-feira (12).
A mudança na expectativa para o açúcar foi impulsionada pelo aumento da produção esperada de três importantes players: Índia, em maior escala, seguida pelo centro-sul do Brasil e Tailândia.
No outro lado da equação estão sendo revisadas para baixo a produção da China (menos 1,11 milhões de toneladas) e África do Sul (menos 400 mil toneladas), mas não o suficiente para compensar as previsões de alta.
"O mercado tem sido repleto de expectativas de um retorno ao equilíbrio/défice depois de quatro anos consecutivos em excesso, mas esses números mostram que se livrar de um excedente teimoso será mais difícil do que alguns anteciparam e um quinto ano de excesso de oferta é agora provável."

Ao mesmo tempo, a agência reduziu a previsão de déficit para a próxima temporada global, que inicia em outubro. Assim, a menos que ocorra algum grande evento climático, a tão esperada virada no mercado de açúcar pode ser adiada mais uma vez.
A Platts reviu sua projeção feita em janeiro, quando estimava um déficit de 5,247 milhões de toneladas de açúcar. Agora considera que a safra 2015/16 deverá resultar em um pequeno déficit global de 466 mil toneladas.
Segundo a análise, a grande surpresa pode, mais uma vez, vir da Índia, onde a cana ainda é mais lucrativa do que outras culturas. Dados preliminares mostram um aumento na área plantada, o que fez com que a agência revisasse a produção indiana para a próxima temporada em cerca de 3,8 milhões, para 29,9 milhões (em bruto).
“Assim, a Índia será o player a ser monitorado a partir de agora, não só para a oferta e a demanda, mas também para as exportações, como atualmente os preços de mercado não mostram qualquer subsídio, poderia fazer sentido teoricamente para a Índia exportar açúcar bruto para Dubai, a partir de dezembro”.
A próxima temporada também deve ser maior na oferta do adoçante do que o inicialmente previsto no centro-sul do Brasil e isso deve adicionar mais 1,860 milhão de tonelada para o equilíbrio mundial.
novaCana.com