O plantio do milho safrinha do Centro-Sul do Brasil na temporada 2023/24 está no ritmo mais rápido da história na principal região produtora do país, o que é uma boa notícia para as perspectivas de produção, que chegaram preocupar mais anteriormente. A avaliação divulgada nesta segunda-feira, 5, é da AgRural.
A safrinha, como é conhecida a segunda safra do cereal, é a mais volumosa do país. Segundo dados da consultoria, ela já havia sido plantada em 27% da área estimada para o Centro-Sul até a quinta-feira da semana passada, um salto na comparação com os 11% da semana anterior e, também, em relação aos 11% vistos um ano atrás.
A antecipação da safrinha, semeada após a colheita da soja, é importante porque as chuvas diminuem no Centro-Oeste conforme o inverno vai entrando. Portanto, quanto mais cedo a implantação da lavoura, menor é a chance de os cultivos sofrerem com a falta de umidade na principal região produtora do país, lembrou o analista da AgRural Adriano Gomes. “Quanto antes, melhor”, disse ele.
Já para o Sul do Brasil, um ciclo antecipado reduz as chances de as plantações serem atingidas por geadas à frente.
Para boa parte da segunda safra do Centro-Sul, o ideal é que o plantio seja realizado até o fim de fevereiro, mas algumas regiões ainda conseguem semear até 10 ou 15 de março, acrescentou o analista.
Com base nos dados mais recentes, a AgRural está revisando os números de área plantada para seus clientes esta semana, os quais podem ser divulgados na próxima.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) atualiza seus números sobre safra na próxima quinta-feira.
Até o momento, a Conab trabalha com uma redução de 4,5% na área da segunda safra brasileira, para 16,4 milhões de hectares, com preços mais baixos sendo citados como fator de desestímulo – a segunda safra de milho costuma responder por cerca de 75% da colheita total do cereal.
O analista da AgRural disse que as perspectivas da safra têm variado ao sabor dos preços e das preocupações climáticas.
Ele lembrou que, em novembro e dezembro, o atraso no plantio da soja, principalmente o de Mato Grosso, trouxe preocupações sobre a janela do milho. “Porém, o clima quente e seco que fez a safra da soja quebrar e também adiantou o ciclo dela. Isso liberou espaço para o plantio do milho sem atraso”, ressaltou.
Gomes também mencionou o vai e vem dos preços. “Vimos os preços do milho subirem na virada do ano. Com preços melhores, parte dos produtores resolveu plantar mais área do que haviam planejado inicialmente”, disse o especialista, lembrando que agora as cotações estão recuando “com a expectativa de boa janela para o cereal e produtor não reduzindo toda a área que o mercado esperava”.
No início de janeiro, a Mosaic, líder de vendas de fertilizantes no Brasil, projetou à Reuters crescimento na demanda por adubos no país com um otimismo sobre o plantio da segunda safra de milho após um retorno das chuvas para as regiões ao norte do país.
Por sua vez, a primeira safra de milho, ou de verão, estava 17% colhida no Centro-Sul até a semana passada, segundo a AgRural, ante 12% na semana precedente e 10% no mesmo período do ano passado.
Roberto Samora
Com reportagem adicional de Letícia Fucuchima