Piloto-automático, helicóptero e drone são algumas das tecnologias que já são realizadas na produção agropecuária brasileira. Agilidade e redução de desperdício estão entre os benefícios desses recursos, segundo profissionais da área ouvidos pela EPTV durante a Agrocaipirashow, evento que promove inovação para micro e pequenos produtores do agronegócio, na região de Piracicaba (SP).
Da cabine da colheitadeira, o operador de máquina agrícola Gilson Zulian monitora a máquina que está no piloto-automático. “Esse aqui é como o monitor dela, que eu vejo a temperatura da água, do motor. Em cima, eu vejo o mapeamento. Se eu clico no botão automático aqui, ela vai. Vai embora”, explica.
Na propriedade rural de Piracicaba onde ele trabalha, o uso de tecnologia na colheita começou a aumentar há sete anos. Ele revela que foi um desafio no início. “No começo a gente tem medo, né? Mas depois você pega o jeito”, conta Zulian.
Para a máquina rodar quase sozinha, primeiro é feito o mapeamento da área plantada. “Como se fosse uma fotografia, um raio x da área. E, após, vai para o escritório, gera essas linhas de colheita, e em seguida vem para os colhedores de cana. Aumenta a produtividade”, detalha o produtor rural Renan Alécio.
Ele colhe em média 850 mil toneladas por safra, fornece para as principais usinas da região e vê o avanço da tecnologia no campo como algo importante. “Ela veio para ficar. Os próprios operadores não querem trabalhar sem a tecnologia, sem o piloto-automático”, acrescenta o produtor.
Em outra etapa da produção, antes da colheita, outra ferramenta que se tornou indispensável para aumentar a produtividade: o drone. Diferente dos aviões, esses equipamentos aumentam a precisão no uso de defensivos agrícolas e podem diminuir o desperdício.
“Hoje, [com] o avião, você vai fazer uma aplicação, 60% chega na lavoura, o restante é perdido. O drone não. O drone roda o talhão que você quiser, na altura que você quiser, então, é um custo que a gente está valorizando bastante”, explica Alécio.
Também nas atividades aéreas na lavoura, os helicópteros complementam o trabalho do drone e dispensam a necessidade de uma pista decolagem e pouso.
“A vantagem do helicóptero em si é a agilidade da aplicação porque a gente consegue fazer até 700 hectares por dia. E a gente trabalha dentro da lavoura, pousa em cima do caminhão. O efeito do vento do helicóptero ajuda na qualidade também, fazendo com que caia o produto na área desejada”, detalha o piloto Rodrigo Daragone.
A região de Piracicaba concentra 21.183 micro e pequenas empresas do setor agropecuário, distribuídas em 17 cidades. Piracicaba está no topo da lista, com mais de 6,8 mil negócios, seguida por Limeira (3,6 mil empresas), São Pedro (1,6 mil), Elias Fausto (1,1 mil) e Rio das Pedras (1 mil).
As atividades econômicas que se destacam são cultivo de cana de açúcar, criação de bovinos para corte, cultivo de laranja, horticultura e milho.
“A cadeia de cana-de-açúcar é extremamente forte e tradicional na nossa região. Depois, a gente tem bovinos para corte; a citricultura também tem uma força muito grande. Tem setores como horticultura que acabam complementando a região na questão da alimentação da população”, explica o analista de negócios do Sebrae, Renan D'Aragone.
Gustavo Nolasco e Edijan Del Santo